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“Ocupar as ruas e resistir ao golpe: a luta que nos UNE”, por Moara Correia

30/09/2016 às 19:28, por Moara Correia.

Leia abaixo artigo da vice-presidenta da UNE em que ela defende a participação política dos jovens como forma de derrotar o golpe e derrubar as reformas que o governo Temer quer impor  contra os direitos dos trabalhadores e ameaçando a juventude 

Ocupar as ruas e resistir ao golpe: a luta que nos UNE

A história do povo brasileiro está ligada à luta: luta do povo negro contra os horrores da escravidão, luta das mulheres pela igualdade, luta pela democracia em meio a regimes ditatoriais, e assim tem sido com a  União Nacional dos Estudantes (UNE) desde sua fundação em 1938. Lutamos junto com a cidadania brasileira contra a Ditadura Civil-Militar de 1964, pelo direito ao voto e pelas liberdades democráticas. 

A garantia de diversos direitos sociais na Constituição de 1988 é fruto da resistência contra o regime autoritário, que permitiu a refundação da UNE e a fundação do MST em meio a luta pelas Diretas Já.

Em 1992, os caras-pintadas fizeram história derrotando o neoliberalismo corrupto de Collor; lutamos por  justiça social e pelo uso das nossas riquezas em prol da nossa sociedade, como na campanha do Petróleo nos anos 1950. Estivemos nas ruas, sempre, pelo direito à educação para nossa juventude. Educação pública, gratuita e de qualidade para toda a sociedade. O conhecimento é libertador, não pode ser um privilégio.

Não é por acaso que a UNE teve a primeira mulher negra na sua presidência: temos nesse marco o resultado das lutas por uma universidade mais democrática e popular. Popularizamos a universidade e o Movimento Estudantil, por isso a UNE hoje é mais negra, feminista e diversa. Esses novos sujeitos agora tem a tarefa histórica de não permitir que as portas das universidade se fechem, para que não sejamos a última geração de filhos e filhas da classe trabalhadora a ter acesso à educação superior gratuita.

Quando a da UNE se posicionou firmemente contra o golpe parlamentar que retirou a presidenta Dilma do poder, afirmamos que não se tratava da defesa de um mandato, mas sim a defesa da democracia e da soberania popular. Lutamos contra a articulação de Cunha e Temer com os grandes conglomerados de mídia, setores do judiciário e com grandes empresários porque sabíamos que sua vitória seria a vitória do neoliberalismo e a derrota do nosso povo e dos estudantes.

As medidas do governo golpista seguem dando-nos razão. Desde que assumiu a presidência de forma ilegítima, Temer e sua corja vem anunciando diversas medidas de ataque aos direitos fundamentais da classe trabalhadora e da juventude. Reforma trabalhista, reforma da previdência, venda do pré-sal para o imperialismo são algumas das políticas dos golpistas, todas voltadas a enriquecer o 1% dos ricos e a prejudicar e explorar a nós, os 99% que de fato constroem o Brasil.

Como se não bastasse, o governo anuncia a Reforma do Ensino Médio, dando um golpe mortal no futuro da juventude brasileira. O ministro da educação – que defendeu em sua posse a cobrança de mensalidades nos cursos de extensão e pós-graduação latu-sensu – elaborou uma proposta de renovação curricular do ensino médio sem ouvir a sociedade brasileira e a comunidade educacional, e Temer a enviou por Medida Provisória, confirmando seu caráter antidemocrático.

O caráter autoritário da Reforma e do governo Temer aparece não só no método de construir a proposta, mas também em seu conteúdo. O novo governo pretende acabar com ensino de artes, educação física, filosofia e sociologia. Essas duas últimas foram banidas do currículo escolar pela Ditadura Militar, e não é coincidência que o presidente golpista repita o gesto.

Essa reforma do ensino médio faz parte de um projeto mais amplo de destruição dos sonhos das juventudes e de construção de um país sem futuro e sem diversidade. Junto com a proposta de reforma do ensino médio querem o fim do ENEM, que como sabemos é um dos principais instrumentos de democratização da universidade pública brasileira; o fim do ensino de história e sociologia, para impedir que a juventude conheça seu passado e se aproprie da memória do seu povo, desenvolva um pensamento crítico e para manter a sociedade brasileira nas estruturas do racismo; e a proibição do ensino de gênero nas escolas, medida fundamental para que a diversidade e a igualdade derrotem o machismo e a homofobia no Brasil.

Pra selar o pacote de retrocessos que deu boas vindas ao povo brasileiro, Temer articula o maior ataque as conquistas populares dos últimos anos: a PEC 241, que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais. Uma reforma fiscal é importante no país, mas não para penalizar ainda mais a população mais pobres: que os ricos paguem as contas!Precisamos taxar as grandes fortunas e heranças e não retirar direitos básicos como saúde e educação.

Sempre fomos atacadas e atacados por nossas lutas, mas jamais abriremos mão delas. A sede da entidade no Rio de Janeiro já foi invadida diversas vezes, foi até mesmo metralhada em 1962. E não por acaso foi o primeiro prédio atacado pelos militares após o golpe de 1964. Devido a nossa luta atual, novamente nossa sede foi atacada e vandalizada por aqueles que querem destruir a democracia. Mas não vamos desistir, não sairemos das ruas até derrotar aqueles que querem acabar com todas as conquistas da educação.

O movimento estudantil não teme a luta. A UNE segue em movimento pela democracia, contra o golpe, e contra os retrocessos que os golpistas querem impor. Temos confiança que nossa juventude vai se mobilizar pela educação pública, gratuita e de qualidade.

Não vai ter arrego!


Moara Correia é estudante de Engenharia Civil da UFMG e vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes

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