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Ocupação na Caetano Campos da Consolação não é só em protesto à reorganização

19/11/2015 às 15:51, por Cristiane Tada com fotos de Yuri Salvador.

Estudantes da Escola do Centro de São Paulo aderem ao movimento pensando nas futuras gerações

O lugar que um dia foi a escola alemã Deutsche Schule, na Praça Roosevelt no Centro de São Paulo, traz a contradição de um pátio arborizado e bonito, mas rodeada de um prédio cheio de grades assim como um presídio.

É onde funciona a Escola Caetano de Campos da Consolação. Na manhã da última quarta-feira (18) ela foi tomada pela ocupação de estudantes que estão contra a reorganização do governo Geraldo Alckmin.

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Logo no portão a reportagem da UNE encontrou a professora de sociologia da Escola, Mariana Freitas, que trouxe para os alunos uma sacola com produtos de limpeza em geral.

“A reforma que o Alckmin quer fazer não vai melhorar a educação, só vai o desincumbir da parte da escolarização que ele quer passar para a Prefeitura”, argumentou justificando seu apoio ao movimento.

O objetivo do projeto do governo é em longo prazo municipalizar todo ensino fundamental, e por hora dividir as escolas por ciclo único: ensino fundamental I, anos ensino fundamental II e ensino médio.

Também na entrada da Caetano estava Thais Di Crisse, madrasta de um estudante da ocupação. O marido dela reforçou a segurança na parte da noite e ela se dispôs a ficar a manhã toda informando quem parava no portão e vinha saber o que estava acontecendo.

“Eu acho importante os pais saberem o que está acontecendo e entenderem o nível de politização que os alunos estão passando, que é uma coisa que eles não iriam ter no ensino comum. O que a gente ouve alguns pais dizer é que a escola já não tem aula normalmente e que agora não vai ter aula mesmo. Mas eles estão aprendendo aqui, através da assembleia e da vivência com a ocupação”, ressaltou.

Lá dentro tinha terminado há pouco uma assembleia. “Tudo está sendo decidido em assembleia, o funcionamento da cozinha, limpeza, horários de entrada e saída, os turnos, códigos de segurança, a entrada ou não da imprensa – serão aceitas apenas mídias independentes – coisas que necessitamos”, explica o presidente do Grêmio, Lucas Penteado, o Copa, que tem 18 anos e estuda no 2º ano do EJA, o supletivo noturno.

sala Caetano

Ele conta que a ocupação aconteceu de forma espontânea pelos estudantes e tiveram prontamente o e apoio das entidades estudantis UNE e UBES.

A Escola João Kopke, também ocupada há 4 dias enviou alimentação para a Ocupação da Caetano. O movimento das escolas ocupadas no Centro estão em constante contato, ou como afirma Copa: “Meio que unificamos a parada aqui no Centro”.

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Na cozinha a estudante Nicole Hanna e algumas colegas faziam o almoço. No cardápio macarrão com salsicha. O comentário geral é que a comida da escola nunca foi tão gostosa como agora feita pelas mãos dos próprios alunos.

A diretora trancou os alimentos da merenda, em uma dependência da cozinha gradeada. “Não vamos usar nada disso mesmo”, reforçou o presidente do Grêmio.

Pelas futuras gerações

Com a “reorganização” o ensino noturno regular vai acabar no Caetano. Mas o Copa, afirma que não é essa a motivação do protesto. “A luta não é só porque eu estou sendo atingido, eu estou terminando já estou no segundo ano. Eu não quero é que quando meu filho for fazer o ensino médio que ele tenha a mesma frustração que eu tive de fazer o Enem e não conseguir passar porque não atingi o que estava na prova. É pela evolução pela educação não só aqui, mas no Brasil todo”, ressalta.

Já Gabriel Herrmann, estudante do 3° ano da manhã contou como a sala dele parece um presídio, gradeada com ferro e que para abrir a porta por fora é preciso pegar a chave com algum zelador.

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Ele não pertence ao Grêmio, mas as sua fala é parecida com a do representante.

“Sou contra o fechamento de todas as escolas, e na Caetano será uma das únicas que terá ensino médio, e vai começar a ter o que 80 alunos por sala? Além disso, a mudança vai tirar o conforto de quem mora aqui perto e vai precisar ir para outra escola”, disse.

E continuou: “Eu já estou terminando, mas to fazendo isso pelos meus amigos que vão estudar aqui.

O mais importante é a educação, para um país crescer precisa pensar na educação”.

Herrmann já decidiu o curso que quer fazer: medicina veterinária. Mas infelizmente ele não pode contar com o Enem. “Veterinária na universidade que escolhi, a USP, não seleciona através do Enem”, lamentou.

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