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”Ocupa Brasília” reafirma resistência contra PEC 55 e desmandos de Temer

29/11/2016 às 18:30, por Renata Bars e Cristiane Tada Fotos: Cuca da UNE e Yuri Salvador.

Cerca de 50 mil jovens de todo país tomaram a capital federal para dizer não aos retrocessos do governo golpista

Nem os milhares de quilômetros enfrentados pelos cerca de 50 mil estudantes, trabalhadores, professores, sem teto e sem terra vindos de todas as partes do país esmoreceram a mobilização contra a PEC 55 nesta terça-feira (29), em Brasília. No dia da votação da mudança na Constituição que vai congelar os investimentos em saúde e educação nos próximos 20 anos, as baterias e as palavras de ordem que construíram a caravana ”Ocupa Brasília” estavam a todo vapor.

”Nós que ocupamos escolas e universidades de todo o Brasil agora nos encontramos na capital federal para ocupar e lutar contra a PEC 55, contra a MP do ensino médio e pra dizer um belo ”Fora Temer”. Diante dos últimos acontecimentos não há dúvidas de que precisamos de novas eleições para acabar com os retrocessos desse governo ilegítimo”, falou a presidenta da UNE, Carina Vitral.

A mobilização contra a PEC teve início ainda pela manhã em frente ao Ministério da Educação (MEC), com um grande ensaio das baterias. No período da tarde, a concentração aconteceu em frente à Biblioteca Nacional e seguiu rumo ao Senado, local da votação.

O estudante de sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Neto, conta que os protestos tem como objetivo defender o legado de expansão das universidades.

”A UFF foi uma das instituições que mais se interiorizou nos últimos anos. Se essa PEC tivesse sido aprovada há 20 anos atrás eu não estaria na UFF. A molecada que hoje termina o terceiro ano tem uma perspectiva de entrar na universidade e isso muda a dinâmica da vida das pessoas porque o sonho não é só terminar o ensino médio e arranjar um trabalho. O sonho é popularizar e expandir a universidade que é também o espaço de desenvolvimento do nosso país”, falou.

A manifestação desta terça-feira foi organizada após encontro na UNB convocado pela UNE no começo de novembro e que reuniu diversos representantes de ocupações de escolas e universidade de todo o Brasil. As entidades estudantis aprovaram documento chamando o ato de hoje, dia 29. Atualmente, 229 instituições de ensino superior e centenas de escolas estão ocupadas em todas as regiões do país.

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UNIDADE E FORÇA

Durante o trajeto até o Senado era possível notar integrantes dos mais diferentes campos do movimento social e também a união entre professores, técnicos-administrativos e estudantes em favor da educação brasileira.

Do sul do país, a professora de psicologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Airi Sacco, relembra a importância da participação de todos nas manifestações contra os desmandos do governo golpista.

“Esse é um movimento muito diferente dos outros em que se reivindica apenas melhores salários ou melhores condições de trabalho. Hoje estamos tentando barrar medidas que prejudicam todas as categorias, então, a união de professores, estudantes e funcionários mostra que todos vão ser afetados e que os efeitos dessa PEC importam pra todo mundo. É isso que nós queremos mostrar à sociedade”, destacou.

Técnicos, discentes e docentes estão em greve na UFPEL há mais de um mês e parte da universidade segue ocupada. Por conta do movimento a reitoria congelou o calendário acadêmico.

Do outro lado do Brasil, a técnica-administrativa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maria da Conceição participa da greve da instituição pernambucana, que está também com aulas paralisadas há trinta dias. Maria viajou pela primeira vez a Brasília para participar da caravana contra a PEC e diz que as 40 horas de estrada pouco importaram frente à urgência da luta.

“É muita indignação. Essa PEC pode passar, mas eu terei certeza que lutei para isso não acontecer. Cada passo, cada greve que a gente faz, por pouco que a gente consiga, já apresenta alguma melhoria. Não podemos ficar sentados no sofá sem fazer nada”, disse.

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