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O primeiro Conune a gente não esquece

27/06/2017 às 19:19, por Yuri Salvador.


Após quase 6 dias de Congresso da UNE em BH fui, durante a Plenária Final, conversar com estudantes que ali estavam pela primeira vez. Queria saber o que cada um viu, o que achou, do que gostou ou não, quais as impressões.

Comecei minha busca pela arquibancada inferior, do lado oposto ao do palco, onde alguns estudantes se reuniam. Encontrei com Francisco, estudante do 3º período de Administração na Faculdade Pitágoras, em Linhares (ES).

Francisco me contou que foi ao Conune para agregar mais conhecimento e participar de perto da luta dos estudantes, da sua própria luta. „Achei muito bacana (os debates), gente como a gente presente. Muita diversidade e representatividade. Virei novamente, com certeza“, contou empolgado o capixaba, que participou de várias, das mais de 40 mesas de debates do Congresso da UNE. Francisco compõe a Juventude Socialista Brasileira (JSB).

Estudante da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, Rafaela fez sua estreia em Congressos da UNE este ano, aos 18. Ela conta que se emocionou com a passeata, que ocorreu no dia 16, terceiro dia de Conune, e mobilizou mais de 40 mil pessoas na Praça da Estação em BH. „Ali, naquela passeata, eu vi muita unidade pedindo diretas já, foi muito bonito“.

Rafaela contou ainda o que não curtiu: „Uma pena discussões pequenas que eu vi acontecendo.

E temos que ver as coisas em comum que temos para lutar e não ficar se dividindo. As vezes um não deixa o outro falar e isso não agrega“. Rafaela foi com a caravana da União da Juventude Socialista (UJS).

Josafá estava em casa. Estudante de geografia na PUC-Minas, ali mesmo em Belo Horizonte, o jovem aproveitou pra participar do maior encontro de estudantes da América Latina. E foi justamente o tamanho e a grandiosidade do Conune o que mais o surpreendeu. „No Conune a gente percebe o quão grandioso é o movimento estudantil, de uma forma que vai muito além do que é na nossa cabeça quando não estamos aqui“. Além disso, Josafá enxerga o encontro como a melhor oportunidade para expressarmos nossos anseios de estudantes. Dos debates, os que mais chamaram sua atenção foram o da „redução da maioridade penal“ e o de „combate ao racismo“. Eu levo minha militância negra à frente de qualquer outra e estes debates forma muito pontuais. Uma mesa formada só por debatedores negros…“Josafá chegou ao Conune junto com a galera do Movimento JPT.

Ainda no anel inferior do ginásio do Mineirinho, fui até os estudantes que compões a força Ação Popular. Lá me indicaram o Jorge pra conversar. O estudante de Administração Pública da UNESP de Araraquara contou que enxerga muita representatividade na UNE e disse que, mesmo nas universidades ainda não há uma compreensão total da importância da entidade. „A gente vê, não só na UNESP, mas em geral, uma sede de mudança e a esperança de que a UNE „volte a ser dos estudantes“. Jorge apontou como ponto alto do Conune a sede por renovação e o surgimento de novos grupos e ideias, sempre visando a pluralidade de ideias.

Concimar é indígena, tem 31 anos e estuda na UFPA, em Belém do Pará. Encontrei com ela logo que subi para o anel superior do ginásio. Em meio aos batuques ensurdecedores do Levante Popular da Juventude, com quem a estudante chegou ao Conune, Concimar topou conversar comigo. Ela relatou que achou muito interessante que „todos tiveram oportunidades de se expressar. Debatedores e participantes“, mas acredita que a UNE deva seguir adiante neste caminho: „A universidade mudou sua cara. Hoje pretos, pardos, indígenas também são parte disso e a UNE deve acompanhar isso“, sugeriu.

Adiante encontrei Samanta, 23 anos, estudante de jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF). A estudante assistia com atenção a o a Plenária que chagava ao seu fim, impressionada, segundo ela mesma, com a quantidade de gente presente: „É realmente o ,maior encontro estudantil da América Latina. Não tinha dimensão disso. Passei por varias tendas e organizações também. Uma coisa curiosa é que em nossa cidade não tem a quantidade de organizações que tem aqui. Então você vê uma pluralidade maior de estudantes, de pessoas propondo, fazendo atividades sobre diferentes temáticas e vários papeis“.

Samanta se queixou apenas da atitude de alguns estudantes durante o debate sobre „Educação á Distância e Prouni“, quando os mesmo chegaram ao plenário no meio do debate, fazendo batuques de bateria: „O debate politico ficando um pouco apagado por conta de interrupções e discussões entre as organizações, isso é algo que marca o congresso“ completou a estudante que, no final das contas, achou o balanço muito positivo: Acho que voltaria ao Conune. Dá pra ter uma visão melhor do que é um movimento estudantil no Brasil, talvez seja o único espaço que possibilite você ver isso“.

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