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“O peso da liberdade”, por Bruno Bou, do Cuca da UNE

18/04/2016 às 17:13, por Da Redação Fotos: Cuca da UNE.

Confira o artigo escrito pelo integrante do Cuca da UNE, Bruno Bou

Há alguma coisa de errado no mundo quando nas noites do jardim da cidade – que são momentos em que os lírios se esticam e a grama da esplanada cresce – são momentos de pequenez política e de encurtamento da dignidade humana. Enaltecer torturador só pode ser chacota a liberdade. Não há resposta à altura se não bracejar contra nossos algozes e esse fato não será simples e objetivo, mas perene e convicto, porque esse é o lado comprometido com o futuro e de olho na história.

Logo, anos a fio daqui para frente, o povo do impeachment dissolverá como aqueles que votaram em 89 no Collor. Porque eles são assim: não cultivam a história. Mas sabemos que ela é implacável e dela não esquecemos. Quando nós fazemos parte de algo tão importante quanto a UNE, a história se coloca como algo imprescindível e quando estudantes seguram essa bronca só podemos crer que aço se tempera no fogo.

Não espere outra coisa de nós a não ser percorrer a longa estrada pela democracia. As injustiças nos levaram a crer nos atalhos da vida, mas os conversadores, aqueles que em nome de Deus e pela família que negligenciaram que os botou lá, nos fazem percorrer um longo caminho sem trégua.

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Mas me conte como é vencer a batalha ao lado de Paulo Maluf, que ontem, pasmem! Foi o mais sensato da corja, ao declarar seu voto pelo afastamento da presidenta, que não teve a pachorra de falar em nome de nada. Como é estar ao lado de notórios ladrões, réus confessos, homofóbicos, machistas e afã de torturadores? Esse é o lado da vitória?

Mas não se enganem, a batalha não se dá somente no congresso nacional. Ontem, na Globo News, Merval Pereira, aquele sem muita dicção, comparou o torturador Ustra à Mariguella. Não há balança que não se rompa nessa feira. Aquele quebrou os dentes da Dilma, deu choque em seu peito através de fios ligados em seu seio e fazia o que os nazistas fizeram até desmaiarem e depois recomeçavam; este radicalizou a luta pela igualdade e pelo fim da opressão por aqueles coronéis. São lados opostos que nunca vão caber na mesma frase, porque nós nunca vamos aceitar estar no mesmo lado que os autoritários.

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Parece que Deus não me representa mais, porque ontem foi tudo em nome dele. Parece que os votos dos deputados não são mais para seus eleitores, mas para suas famílias. Quer dizer, fazem da crise um convite de festa individual e intransferível à presidenta, mas comprovado até agora temos todas as outras esferas da vida que não seguem suas cartilhas. Dos parlamentares que fazem vista grossa para o Cunha falar de corrupção, do ministro do STF que pede vista e senta no processo, da médica que não examina porque a mãe é petista, a polícia das chacinas, etc. O mundo girou ao contrario porque o atlas quer? Não será porque estão todos regredindo?

Conte-me quanto pesa um cartaz pela intervenção militar e qual o fardo que se leva ao marchar com essas pessoas ao seu lado. Da minha parte, o livre peso da pena de quem não foi cúmplice do fascismo em momento algum.

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Para nós, o peso da liberdade é do tamanho da luta. E é nesse momento que encontramos o melhor de nós. A solidariedade e a dependência dos movimentos sociais entre si, porque se a democracia não se faz sozinha, todos seguimos acreditando que um outro mundo é possível. Marchando na estrada pela democracia de cabeça erguida e confortáveis por não ter a escória da humanidade ao nosso lado, dizemos: ainda não acabou!

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