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“O movimento estudantil é uma escola de cidadania”

14/06/2016 às 15:54, por Cristiane Tada.

Leia a entrevista com o ex-diretor da UBES, Alessandro Melchior, coordenador-geral de Políticas para LGBT da prefeitura de São Paulo

O coordenador-geral de Políticas para LGBT da prefeitura de São Paulo, Alessandro Melchior, tem apenas 29 anos, mas uma grande responsabilidade pela frente. A capital paulista é a que destinou o maior orçamento para políticas LGBT, mais do que qualquer órgão público do Brasil. Egresso do movimento estudantil, ex-diretor da UBES, Melchior participou do 2º Encontro LGBT da UNE, no último fim de semana. Em entrevista ao site da UNE ele contou como se sente “em casa” quando volta a um espaço das entidades estudantis e sobre empoderamento dos jovens. Ele contou também um pouco dos planos da Coordenação de Políticas para LGBT para o próximo período. Confira:

Quais são os projetos que Coordenadoria de Políticas para LGBT está tocando?

Temos o dia 28 de Junho, o dia do Orgulho LGBT que teremos uma programação especial que passa pelo reconhecimento do direito à cidade pela população LGBT, um aspecto que foi discutido aqui no 2º Encontro da UNE. Os principais monumentos da cidade vão ser iluminados com as cores do arco-íris. Estamos também dando início ao projeto de qualificação da população de traves pelo Transcidadania, e devemos inaugurar no final do mês uma unidade móvel de cidadania LGBT na Zona Leste, como as outras duas que já temos, uma central e na Zona Sul, inclusive uma destas ficou presente aqui.

As políticas LGBT realizadas em São Paulo ecoam no resto do país. Quais são essas políticas?

A prefeitura de São Paulo é a principal apoiadora de eventos de visibilidade do orgulho LGBT do Brasil. A Parada LGBT de São Paulo é a maior do mundo e teve de 2 a 3 milhões de pessoas. Este ano foi a melhor e maior parada de todos os anos. No momento de ápice a Avenida Paulista e a Consolação estavam completamente abarrotadas. Além da Parada, temos um conjunto de outras políticas. Este ano de 2016 comemoramos o ano em que a Prefeitura destinou o maior orçamento para políticas LGBT, mais do que qualquer órgão público do Brasil para financiar tanto os nossos eventos como a Parada quanto os nossos serviços como dos dois principais centros de referência [LGBT] do Brasil são daqui de São Paulo. São serviços que tem apoio psicológico, advogado, assistente social, para pessoas LGBT que sofram violência, discriminação e não sabem quem procurar, precisam de algum tipo de suporte, nós temos dois hoje um na região Central e outro na Zona Sul.

As unidades móveis LGBT são uma política para levar cidadania, arco-íris, cor, direitos humanos para a população que mora nos extremos da cidade, nas periferias. As unidades circulam por toda a cidade, e até o final do ano teremos 5 unidades percorrendo São Paulo, levando direitos humanos, mas também democracia e cidadania porque não existe direitos humanos sem democracia. E o Programa Transcidadania que é inédito no Brasil e no mundo, não conseguimos identificar outra política como essa, mais de 10 países já vieram para São Paulo conhecer o programa. É um conjunto de políticas que envolvem e tem ações de promoção dos direitos humanos, uma cultura de respeito e tolerância à diversidade, de proteção às pessoas que sofrem violência, e também de resgate de oportunidades para essas pessoas que já foram excluídas de tudo na vida e precisam ter um lugar na nossa sociedade.

Existe uma preocupação para que essas políticas sejam permanentes?

Temos discutindo na Prefeitura e devemos encaminhar para a Câmara Municipal nas próximas semanas um projeto de Lei que garanta o projeto Transcidadania.  Ele foi criado por um decreto do prefeito Fernando Haddad, então temos essa preocupação que garanta a perenidade desse programa que é necessário hoje e pelos próximos 5, 6, 10 anos enquanto travestis e transsexuais forem expulsos das escolas ele será necessário. Esperamos que as trans deixem de ser expulsas da escola cada vez menos, para que o programa deixe de ser necessário. Outro projeto de Lei que a gente tem discutido da Prefeitura que deve ser discutido na Câmara é o que cria a Rede Municipal de proteção à população LGBT, que na verdade institucionaliza essa rede de proteção formada pelos Centros de Cidadania e pelas unidades móveis de cidadania LGBT.

Você veio do movimento estudantil e bem jovem já ocupa um lugar importante para promoção de direitos dos LGBT. É importante empoderar jovens na nossa política?

O movimento estudantil é uma escola de cidadania, mas até do que política que todas as pessoas deviam passar. As pessoas deveriam cumprir alguns anos no movimento estudantil para aprender a discutir, a ser gente, a falar de democracia, aprender fazer aquilo que a vida em sociedade nos exige. Entrei para o ME com 13 anos no Grêmio Estudantil no interior de São Paulo, participei da União Municipal dos Estudantes Secundarista que era filiada à UBES, fui para o Congresso da UMES, e pouco tempo depois estava na direção da UBES. Militei no ME durante alguns anos, aí tive contato com o movimento LGBT em 2006. Em 2010 eu fui para o Conselho Nacional de Juventude representando já o movimento LGBT, convivi no Conjuve com a UNE, UBES e ANPG e aprovamos em 2013 o Estatuto da Juventude com muita luta das entidades estudantis, inclusive, e de pessoas que foram do ME como é o caso da deputada Manuela D’Avila, relatora do Estatuto na Câmara dos Deputados.

É absolutamente incrível toda vez que eu volto para um espaço da UNE e da UBES como a gente se sente em casa, na escola, voltando a infância quase. Este espaço é ainda mais interessante porque quanto eu militava essa discussão ainda era incipiente, então ver isso aqui para quem iniciou no ME há mais de 10 anos, quando não tinha esse cenário, as pessoas ainda ficavam um pouco no armário, eu estava no armário ainda essa época… é absolutamente incrível ver a UNE discutindo isso e essa pluralidade gigantesca que existe dentro da entidade compondo e construindo esse encontro dessa maneira rica.

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