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Nova lei trabalhista pode fazer da Estácio uma fábrica de diplomas

12/12/2017 às 19:51, por Redação.


Constrangimento, descaso e fraude marcam primeira demissão em massa no setor educacional desde o fim da CLT

Nesta quinta-feira (13/12) estudantes e professores da Estácio fazem novamente um protesto organizado pelo DCE e Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) na unidade João Uchoa, no Rio Comprido, centro da capital carioca.

A demissão de 1200 professores em todo o país do Grupo Estácio no último dia 5 de Dezembro, 400 só no Rio de Janeiro, foi baseada em constrangimento, descaso e fraude até mesmo para a já abusiva nova legislação trabalhista.

A professora Cleide Aparecida tem doutorado em microbiologia e dava aula na área de Saúde na Estácio no Rio de Janeiro há 17 anos. Viu os colegas de trabalho sendo demitidos durante todo o dia e quando chegou sua vez não conseguiu nem aplicar a última prova do ano para seus alunos. “Foi um constrangimento, nem a minha pasta que guardo meus papéis eu pude mexer. Me sinto usada! Todas as vezes que o MEC vinha o meu título servia”.

Cleide conta que foram os professores “cabeças brancas”, os mais titulados e com tempo de trabalho a serem descartados, exatamente aqueles que fizeram a reputação das Faculdades mudar durante todos esses anos.

Quando comecei a dar aula lá as pessoas debochavam dizendo que a Estácio era igual McDonald’s tinha uma em cada esquina, e com o tempo nós conseguimos mudar esse conceito. Lugares que não aceitavam estudantes da Estácio para fazer estágio começaram a aceitar, inclusive na Fio Cruz. E agora eles descartaram a gente por causa de dinheiro”, lamenta.

Meio milhão de estudantes sem mestres

A estudante de Direito e representante do DCE da Estácio, Luiza Cabral, afirma que a preocupação dos estudantes é a qualidade da educação. “Estamos vendo nossa universidade ser transformada em uma fábrica de diplomas”, afirma.

Ela conta que demitiram os melhores professores, os que tinham as melhores avaliações institucionais que a universidade faz a cada 6 meses e que não foram levadas em conta.

As duas únicas professoras que faziam programas de pesquisa e extensão do meu campi de Direito de Niterói foram demitidas”.

O ano letivo na Estácio já acabou. A representante do DCE afirma que a direção da universidade se aproveitou desse momento para que os estudantes não se manifestassem. “ Alguns alunos estão inclusive ameaçando deixar a universidade pela questão da qualidade. Em todos os campi os melhores professores, os que os alunos tinham mais afinidade foram demitidos, teve gente que ficou sem orientador, teve quem defendeu o TCC para uma banca de professores que nunca tinha visto”.

Em 2019 Luiza – que começa o 3º período do curso- e os cerca de 530 mil alunos em unidades todo o Brasil do Grupo Estácio começam as aulas sem saber o que virá.

A universidade chegou a se defender das acusações afirmando que as demissões visavam um reajuste de salários que estavam incompatíveis com o mercado de trabalho.

A ganância é desmedida. No final de outubro deste ano, a revista Época Negócios publicou reportagem com dados da instituição afirmando que a “Estácio teve lucro líquido de R$ 149,3 milhões no terceiro trimestre, alta de 10% sobre um ano antes”.

Remissão das demissões

Nesta quarta-feira de tarde (12) o Sinpro-Rio se reuniu com a Estácio no EMERJ, Sindicato das Instituições de Ensino. De acordo com Washington Luiz de Araújo do Sinpro-Rio a assembleia de professores realizada pela manhã aprovou por unanimidade “o aval para que a diretoria do sindicato continue negociando que as demissões sejam revertidas”. O Sindicato propôs que seja sustado temporariamente o processo de demissões no município do Rio de Janeiro, com o estabelecimento de um cronograma de reuniões visando revisão das mesmas. A Estácio ficou de responder sobre a proposta amanhã (13) , em reunião às 15 horas.

Na terça-feira (11) o Ministério Público do Trabalho fez uma oitiva ( audiência para ouvir os envolvidos) com cerca de 100 professores sobre as irregularidades cometidas pela instituição de ensino e uma audiência pública para tratar sobre o assunto.

A diretora de Comunicação da UNE, Nágila Maria, esteve presente.

A UNE sempre defendeu que a educação não seja tratada como mercadoria e já travou diversas lutas contra os tubarões do ensino e conglomerados educacionais que lidam com a formação de milhares de estudantes com base apenas em números na bolsa de valores. Sabemos que o caso da Estácio não será isolado”, afirmou.

Nesta semana ainda o Grupo Estácio conseguiu derrubar na Justiça a liminar que impedia a demissão dos professores em território fluminense deferida na semana passada.

Na decisão, a juíza Larissa Lopes, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinava a suspensão das demissões até que a instituição informasse o nome dos demitidos, os termos de rescisão e quais seriam seus substitutos. A nova Lei trabalhista determina um intervalo de 18 meses para que os mesmos profissionais sejam contratados pelo regime intermitente.


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