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Nota de repúdio a fala racista em debate na IFBA

05/04/2016 às 16:50, por Cristiane Tada.

Durante aula pública com objetivo de esclarecer questões políticas no IFBA, no campus de Eunápolis, um participante proferiu uma fala racista que expôs e constrangeu uma colega. Coletivos baianos e a Diretoria de Combate ao Racismo da UNE se pronunciaram em nota. Leia abaixo:

“São suficientemente conhecidas as condições históricas nas Américas que construíram a relação de coisificação dos negros em geral e das mulheres negras em particular. Sabemos, também, que em todo esse contexto de conquista e dominação, a apropriação social das mulheres do grupo derrotado é um dos momentos emblemáticos de afirmação de superioridade do vencedor. ” Sueli Carneiro.                                                                                                                                             

A área de Ciências Humanas do IFBA – Instituto Federal da Bahia – Campus Eunápolis, promoveu dia 23/03/2016 uma aula pública com o objetivo de debater a atual conjuntura política do país. Foram convidados cinco pessoas para compor a mesa. Cada palestrante teve um momento para a sua fala. E em seguida abriu-se o espaço para questionamentos e falas dos ouvintes, um dos inscritos se apresentou como Sinval. No decorrer da sua fala, esse homem que se auto identificou como branco, chamou para frente uma mulher que traz na sua estética marcas da sua identificação como negra. A intenção do Sr. Sinval Alencar Silva era que ela o ajudasse no seu questionamento, com a presença da jovem, ele indagou a plateia sobre o que ele mereceria se dissesse que os negros são o que há de mais próximo do reino animal. “Cadeia” alguns gritaram, “processo” outros disseram, alguns que a fala dele merecia esclarecimentos. Em seguida ele diz que essa afirmação pertence a Karl Marx e direciona sua afirmação para a mesa e a questiona sobre.

Estávamos em uma instituição pública com estudantes, tanto secundaristas como universitários, e setores da sociedade civil organizada. Quando falamos em formar cidadãos críticos é para que estes percebam os limites das grandes teorias e pensadores e como os saberes se modificam a depender do contexto, não se deve também cometer anacronismo e enquadrar os escritos de Marx, pensador do Século XIX, em teorias dos direitos civis e igualdade racial do século XX e XXI. Bem como fazer uma afirmação citando um autor sem mencionar sua devida obra, já que estávamos em aula pública que segue os ditames acadêmicos. Outro aspecto é que a tal proximidade fazia parte das teorias racistas e científicas do século XIX, na atualidade uma frase dessa tem um outro teor e é crime.

A fim de espetacularizar sua indagação, o indivíduo em questão acaba expondo a jovem sem a devida clareza que o momento pedia. Ele fez uma escolha sobre quem ele deveria usar como exemplo, dentre todos que estavam na plateia ele escolheu uma mulher negra, que historicamente faz parte de um dos segmentos mais marginalizadas e excluídos da sociedade. A crítica que inicialmente era a esquerda torna-se um ato racista, que expôs Jamilly Laureano a uma situação de constrangimento da qual ela não fazia ideia quando foi convidada a ir à frente do auditório.

O constrangimento tomou conta de todos os presentes, um engasgo que não se desfazia: a humilhação de uma mulher negra por um homem branco e que não se deu de forma velada e/ou camuflada como sempre acontece, mas de maneira explícita, escancarada.

Ressaltamos que após a indagação, o questionador saiu do auditório. Evidenciando a sua pouca disposição em ouvir e debater sobre o tema e os seus equívocos, seja através do teor do seu discurso, seja pela forma violenta. Além disso produziu um vídeo e que foi postado em uma página no Facebook, expondo Jamilly Laureano a uma situação constrangedora fazendo uso de sua imagem sem autorização.
O nosso objetivo enquanto educadores, mães e pais, negros e negras, juventude, estudantes, docente, é nos posicionar de forma contrária a essa onda conservadora que se levanta no país, nos posicionar de forma contrária a atitudes racistas, machistas e que menosprezem o outro. Precisamos denunciar, apontar, desmascarar quem são estas pessoas RACISTAS, MACHISTAS, INTOLERANTES que convocam o GOLPE e reivindicam o Impeachment e que expõe e humilham mulheres em espaços públicos como fez Sinval.

Nós sociedade civil organizada estamos e estaremos preparados para nos defender dessa ofensiva.

Total e irrestrito apoio à Jamilly Laureano!

RACISTAS NÃO PASSARÃO! MACHISTAS NÃO PASSARÃO!

Assinam esta nota:
Coletivo Feminista Flores de Dandara.
Coletivo Só Podia Ser Preto.
ColetivAÇÃO

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