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Nota da UNE sobre casos de racismo, lesbofobia e transfobia no 7º EME

30/03/2016 às 20:33, por Redação.

A União Nacional das e dos Estudantes, com suas dirigentas negras, lésbicas e transsexuais ousaram construir o 7º EME da UNE nos marcos do antirracismo e do empoderamento das transsexuais e, por isso, repudia qualquer forma de opressão, em específico, todos os casos de racismo, lesbofobia e transfobia que ocorreram neste espaço de construção de uma nova cultura política. As divergências políticas são bem vindas nos fóruns democráticos da UNE, mas não toleramos perseguição ao divergente, agressões verbais ou físicas, constrangimentos entre as estudantes.

Construir uma nova cultura política simultaneamente a um sistema hegemônico de valores opressores nos coloca a contradição de nos tornarmos novos sujeitos políticos e convivermos com velhas práticas.

A reprodução do machismo, do racismo, da trans e lesbofobia é uma armadilha presente em todas as esferas da sociedade e nenhum espaço passa ileso delas. É papel das organizações políticas e movimentos sociais construir caminhos para a superação das opressões, fortalecimento de novos valores e experimento de novas formas de sociabilidade.

O EME é um destes espaços feitos para desconstruir o caráter patriarcal, racista, heteronormativo e transfóbico enraizado em cada instituição e também nas subjetividades. É o espaço de evidenciar novos sujeitos, costurar novas narrativas, criar novas possibilidades. Entretanto, infelizmente, apostar nesta desconstrução também carrega o risco de lidar com a contradição, cara a cara, muitas vezes dentro de cada pessoa que também tenta se desconstruir.

Acreditamos que o 7º EME foi o mais plural, diverso e enegrecido da história. Todas as mesas tiveram paridade racial (muitas tiveram uma maioria negra), contamos com a participação de mulheres trans conduzindo debates, mulheres lésbicas, mulheres mães, um conjunto de lideranças populares que enriqueceram nossa perspectiva feminista.

Com base na experiência de outros encontros, a organização criou uma comissão de combate às opressões, que teve o papel de evitar constrangimentos, problematizar situações opressoras, e, a partir de um método feminista de tratamento de condutas (não punitivo, mas ressocializador), pudesse evitar ao máximo os casos de racismo, lesbofobia e transfobia que são recorrentes em qualquer aglomeração de pessoas, mesmo que sejam todas mulheres.

Sabemos que a comissão não foi o suficiente e nem nunca será, mas é importante pontuarmos que a UNE entende essa dimensão das opressões e se antecipou, criando um mecanismo de redução de danos.

Acreditamos que não há mecanismos institucionais fixos ou determinantes para que exterminemos por completo as diversas faces de opressão. O que irá exterminá-las de vez, sobretudo de nossos meios, será nossa disputa permanente no campo das ideias, a partir de uma perspectiva de que todas e todos são livres, devem gozar de direitos iguais, respeito e cidadania nos espaços privado e público.

Lamentamos profundamente e nos solidarizamos, enquanto mulheres, à todas as companheiras que sofreram agressões, constrangimentos ou até mesmo interdições do racismo, da transfobia e da lesbofobia no 7º EME. Apelamos para que continuem construindo e disputando este fórum que se faz num espaço tão rico de diálogo entre uma multiplicidade de lugares, de trajetórias.

Nós, mulheres trans, mulheres negras, mulheres indígenas, somos um novo sujeito nos espaços da política. Nossa presença não é comum, durante muitas gerações gozamos, no máximo, de um não-lugar nestes espaços. Se hoje há uma tensão colocada, reproduzida nestes gestos de intolerância e desrespeitos relatados nas redes sociais, nas denuncias que recebemos na página das Mulheres na UNE, é porque hoje também estamos em outro patamar de disputa com o racismo, com a lesbofobia, com a transfobia. E continuaremos resistindo para construir a política que acreditamos: aquela que inclui, compartilha poder, convive com a divergência.

A cultura feminista não compactua com machismo, racismo, lesbofobia, transfobia. Seguiremos em luta, por EMEs cada vez mais libertário e livre das contradições.

União Nacional dos Estudantes
Diretoria de Mulheres
30 de março de 2016

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