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No Pará, UNE Volante debate mulheres na Cultura, na Universidade e na Política

20/04/2018 às 15:15, por Alexandre de Melo com edição de Cristiane Tada, do Pará.

Debate principal da sexta-feira no Espaço Vadião
Foto: Bárbara Marreiros/ Cuca da UNE

No encontro estudantes cobram providencias sobre o assassinato de Marielle e reafirmam a importância da luta das mulheres contra a violência

“Duas mulheres são assassinadas. Criança de três anos estava no local e foi a única poupada”. Essa chocante manchete de hoje no jornal Liberal de Belém do Pará não é um caso isolado e reflete o momento que o país vive de violência e misoginia. “Somos todxs Marielles” é muito mais que um grito de luta. Para debater esse assunto e o papel fundamental das mulheres na garantia da democracia, no acesso à universidade e na garantia de direitos, na manhã desta sexta-feira (20), a caravana UNE Volante reuniu dezenas de estudantes e lideranças nacionais e regionais na Universidade Federal do Pará (UFPA).

A vice-presidente da UNE, Jessy Dayane, agradeceu a presença de todos os presentes, apesar das dificuldades de locomoção por conta da legítima greve dos Rodoviários de Belém.

“A nossa luta é constante. A crise institucional e econômica afeta ainda mais as mulheres, as negras, as ribeirinhas. E em uma sociedade brasileira ainda tão patriarcal na qual um governo ilegítimo tentar impor o ideal de mulheres ‘belas, recatadas e do lar’, não podemos deixar de ocupar as universidades, os postos de trabalho e o espaço público de poder. Não tenham dúvidas que a mulher sem autonomia que eles querem que sejamos é uma mulher que está ainda mais exposta e vulnerável à violência, ao machismo e a misoginia”, afirma.

Jessy Dayane ressalta a importância da UNE Volante no momento conturbado que vive o Brasil. “A UNE Volante também é fundamental para que as mulheres estejam inseridas no debate público. É o momento de olhar nos olhos de cada um dos estudantes no Brasil e ouvir o que cada um tem a dizer. Verificar quais são os nossos problemas e as nossas soluções, mas pelos nosso olhar e não pelo viés golpista e da elite”, disse.

Já Débora Pereira coordenadora do Centro Acadêmico de Nutrição da UFPA contou sobre pautas reivindicatórias da UFPA contextualizando com a situação brasileira. “Marielle foi assassinada. Não podemos deixar de ter o foco que a luta da mulher também é a sua sobrevivência. A universidade é um espaço importante para debatermos isso, no entanto, não é difícil apenas entrar. É difícil permanecer na Universidade. No entanto, uma vez que estamos aqui devemos permanecer unidas por nossas bandeiras. Na UFPA, tivemos o caso de um professor assediador e foi fundamental a nossa mobilização para que a reitoria tomasse alguma providência. E a segurança aqui no Campus seguirá sendo uma luta importante de todos e todas,inclusive para que continuemos as atividades culturais interrompidas justamente por falta de segurança”, afirma.

No encerramento do ato, a coordenadora do CUCA da UNE, Camila Ribeiro, ressaltou a importância histórica da UNE Volante. “Nos anos 60, também tínhamos um golpe que impedia que João Goulart implementasse reformas, entre elas a reforma universitária. Hoje, estamos novamente percorrendo as universidades do País para debater a universidade que nós queremos. O acesso de mulheres, negros, índios e periféricos melhorou no governos dos últimos 13 anos, no entanto, há muito que ser feito. O golpe é machista e misógino e esse encontro de mulheres dentro das atividades da UNE Volante é vital para que cada uma de nós seja um componente de mobilização e de mudança no País. A UNE Volante pertence a cada um de nós”, finaliza.

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