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‘Ocupa tudo’ é palavra de ordem em ato em SP no Dia Nacional de Greve

11/11/2016 às 22:09, por Natália Pesciotta, Sara Puerta e Jéssica Moraes.

Estudantes e trabalhadores encheram o centro de São Paulo para denunciar ataques à educação e outros direitos

“A verdade é dura, a PEC sucateia a educação e a cultura, gritaram as milhares de pessoas que se reuniram no centro de São Paulo, assim como na maioria das capitais brasileiras, em protesto contra os retrocessos promovidos pelo governo golpista de Michel Temer. O principal alvo das mobilizações é o Projeto de Emenda Constitucional 55 (antigo 241), que congelará os investimentos em áreas sociais, como Educação e Saúde, pelos próximos 20 anos. Isso prejudicará, segundo especialistas, os avanços estipulados pelo Plano Nacional da Educação para as escolas públicas, além de afetar outros direitos adquiridos pela população.

Na capital paulista, o ato começou no fim da tarde da sexta-feira (11), em dois pontos: avenida Paulista e praça da República, região central. Depois, os movimentos se encontraram na praça da Sé, onde chegaram a cerca de 4 mil pessoas.

> Confira imagens de atos de outros lugares pelo Brasil

Para Josiel Rodrigues, diretor da UNE, a PEC é “um dos maiores ataques que a educação já sofreu nos últimos tempos”. Ao microfone, ele defendeu: “O Brasil que queremos é o Brasil onde o pobre, o filho do trabalhador, pode entrar numa universidade”. Hoje, mais de 200 instituições de ensino superior, públicas e privadas, estão mobilizadas com ocupações de estudantes.

“O Brasil que queremos é o Brasil onde o pobre, o filho do trabalhador, pode entrar numa universidade”

“O Brasil que queremos é o Brasil onde o pobre, o filho do trabalhador, pode entrar numa universidade” Josiel Rodrigues, diretor da UNE

“A palavra de ordem agora é ‘ocupa tudo’ contra todo o retrocesso deste governo que nem foi eleito e quer congelar verbas para a educação”, discursou Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), pouco antes de anoitecer.

Camila foi veemente: “Por 20 anos este País vai parar caso a PEC 241, agora 55, entre em vigor”.

E ressaltou a importância da luta dos secundaristas, que ocuparam mais de mil unidades pelo Brasil: “Nós não somos vagabundos e nem alienados, e temos o direito sim de ocupar as escolas”.

 

Estudantes, presentes

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“Dentro das faculdades particulares, os estudantes já estão sentindo, com atraso do Fies, o que um ataque destes significa”, disse Natália Miranda, diretora de Universidades Particulares na União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP). “Vamos sofrer muito com a diminuição de investimentos em Fies e Prouni, que certamente acontecerá ainda mais com o congelamento dos gastos”, acrescentou.

Para Cristopher Ravena, que estuda História na Uninove e também foi se manifestar na Sé, já existe uma disputa de ideias dentro das faculdades: “Tem muita gente que tranca o curso por falta de continuidade de programas sociais. Precisamos conversar com todo mundo pra conscientizar. Não foi este o projeto eleito nas urnas”.

Lucas Souza e Silva, estudante de Turismo no Instituto Federal, concorda com a importância do debate de ideias: “Nós, que fizemos parte de ocupação, temos alguns minutos para passar nas salas e dar opinião. A mídia tem 24 horas por dia. Mas temos que colocar os argumentos”.

Além dos universitários, muitos estudantes secundaristas estiveram no protesto, vários até vindos de cidades próximas à capital. Eder Henrique Prestes veio de Paraguaçu Paulista e lembrou também da luta contra a Medida Provisória que reforma o Ensino Médio: “Somos a favor de uma reforma feita com articulação e diálogo”.

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 “Somos a favor de uma reforma feita com articulação e diálogo”,
diz o estudante Eder Henrique Prestes,
sobre a MP do Ensino Médio

Vinda de Osasco, Jéssica Carvalho explicou que, sendo aluna de uma escola estadual, já conhece a dura realidade do ensino: “Se já sofremos com falta de qualidade das escolas hoje, com a PEC que congela os gastos isso será ainda mais acentuado. Esta medida não representa a nós, os estudantes, e não representa a minha mãe e meu pai, que são profissionais do ensino”.

A estudante fez ainda uma provocação ao presidente ilegítimo Michel Temer, que afirmou que muitos estudantes que ocupam escolas nem sabem o que é um Projeto de Emenda Constitucional e uma Medida Provisória: “Temer, compareça a uma escola pública e assim vai saber que os alunos sabem muito sobre política e inclusive que estão aprendendo mais nas ocupações do que costumam aprender na escola durante as aulas normais”.

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“Se já sofremos com falta de qualidade das escolas hoje, com a PEC que congela os gastos isso será ainda mais acentuado”, diz a secundarista Jéssica Carvalho, de Osasco

Só o começo

A mobilização nacional deste dia 11, que ganhou gás com as ocupações de secundaristas e universitários, foi articulada pela  União Nacional dos Estudantes (UNE), juntamente com frentes, entidades e movimentos populares.

O dia de luta, que teve paralisações e greves em todo o Brasil, é o começo de um movimento maior, acredita Josiel Rodrigues, da UNE: “Vamos ter agora uma reunião com a diretoria plena da UNE e o encontro com ocupações e entidades, em Brasília, para alinhar este calendário de lutas que só vai crescer até o dia 29, quando a PEC é votada no Senado”.

A movimentação na Sé seguiu com música, batucada e palavras de ordem até o começo da noite.

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