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Nas ruas de novo contra o machismo

09/06/2016 às 13:35, por Cristiane Tada com fotos dos Jornalistas Livres .

Primavera feminista mostra que não tem hora para acabar e manifestantes estão cada vez mais jovens

Nesta quarta-feira (8/6) mais uma vez a Avenida Paulista em São Paulo foi palco da segunda manifestação Por Todas Elas ll em solidariedade a menor carioca estuprada e por mais respeito para as mulheres.

“Nós, mulheres voltamos às ruas para dizer que não aceitamos mais um minuto de silenciamento. Nós dizemos não a cultura do estupro, a violência contra mulheres”, repetiam em coro no jogral.

Eram milhares de mulheres que marchavam no frio de 11º graus com cartazes, faixas, com corpos pintados com tintura vermelha que lembrava o sangue milhares de mulheres que sofrem com violência todos os dias.

No cartaz de Isabeli Passos, 19, estudante de Artes Visuais na FAAP de um lado tinha escrito “Não vai ter silêncio” e do outro uma pintura de uma vulva.

Ela conta que tem vindo em todos os protestos e afirma que é inadmissível que as pessoas compartilhem um vídeo de estupro no twitter e na internet e ainda culpem a mulher.

“A gente vai mudar essa situação quando a cabeça das pessoas mudarem, então a gente vem pra rua chamar atenção para esse assunto e fazer as pessoas pensarem sobre isso. A mudança em si não vai vir na manifestação, ela vai vir no pensamento das pessoas quando elas perceberem que mulher também tem que ser respeitada”, afirma.

Por todas elas

Despertar da Primavera Feminista

As manifestantes estão cada vez mais jovens e no exercício das músicas com conteúdo feminista, na reafirmação de sua liberdade e sua soberania sobre os seus corpos elas estão cada vez mais empoderadas.

Como Pamela Rodrigues, 16, estudante do Colégio Pedro Fonseca, no Jardim Monte Kemel em São Paulo.

“Estou aqui para mostrar para o governo e para o patriarcado que as mulheres estão na rua para lutar e tem muito para desconstruir ainda e acabar com a cultura do estupro e a violência contra a mulher que rola no dia a dia, não só o assédio sexual” afirmou com propriedade.

Outra certeza afirmada no grito das manifestantes: é preciso debater gênero nas escolas.

Pamela conta que no seu colégio ainda não tem muitas meninas femininas e que essa semana enquanto a professora de Português debatia o assunto do estupro coletivo teve que ouvir vários meninos da sala fazendo piadinhas. “Me senti meio impotente”, lamentou.

Para ela tem muita coisa para evoluir ainda e essa luta passa pela manifestação na rua. “A mídia passa na TV outra coisa, que não é o que realmente acontece, então temos que ocupar a rua. A mídia é deles, mas a rua é nossa”, afirmou.

A internet também se mostrado um excelente veículo de propagação das ideias igualitárias. Para as manifestantes as mulheres estão abrindo os olhos e percebendo coisas que atingiam a vida delas e elas não perceberam antes que era machismo.

É o ponto da mudança.

A vestibulanda de Rádio e TV, Gabriela Moura, 19, acompanhava tímida a marcha passar na calçada da Paulista e num golpe de coragem, pegou na mão das amigas e incorporaram o cortejo.  Logo logo a timidez passou e ela passou a repetir junto às outras com convicção: “ A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria”.

“Vim pela menina que foi estuprada, e para acabar, chega, dizer que não dá mais. Quero poder andar na rua suave, sem medo”, explica.

A jovem de Barueri, conta que teme andar sozinha em alguns horários.

E desabafa: “Sinceramente não sei se manifestação na rua resolve, mas to aqui, não custa tentar”.

Assista ao vídeo dos Jornalistas Livres da marcha:

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