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‘Não vamos aceitar a redução das políticas afirmativas e dos direitos humanos’

06/06/2016 às 18:10, por Cristiane Tada.

Para presidente da UNA LGBT,  Andrey Lemos, o Dia mundial do Orgulho LGBT deve ser uma data de mobilização e conscientização

No mês em que é comemorado o dia do orgulho LGBT, dia 28 de junho, o site da UNE entrevistou o presidente da União Nacional LGBT,  Andrey Lemos.

Criada em meio uma conjuntura reacionária que vem tentando retirar históricas conquistas sociais, com menos de um ano de fundação a entidade já reúne mais de 400 militantes de 20 estados brasileiros. A UNA é uma organização pluripartidária, aberta, laica, democrática, com o intuito de fortalecer a luta LGBT, travando debates sobre direitos civis e os desafios a serem enfrentados para a superação das desigualdades.

Além de entidades de defesa da diversidade sexual o Fórum tem também forte inserção do movimento estudantil como a UNE. Neste período de ameaça aos direitos humanos e do desmantelamento das políticas públicas para as minorias, Lemos falou das necessidades urgentes como uma legislação que criminalize a lgbtfobia, do reforço que a juventude tem dado às reivindicações e das ameaças do governo golpista. Leia na íntegra:

1- Qual a importância de celebrar e dar visibilidade ao Dia do Orgulho LGBT?

O Dia mundial do Orgulho LGBT deve ser uma data de mobilização e luta. Nos últimos quarenta anos, as pessoas LGBT em todo o mundo vem se organizando para denunciar a violação de direitos e lutar por mais respeito e cidadania. Porém a violência contra as pessoas LGBTs ainda é assustadora, ainda temos países que criminalizam a homossexualidade, ainda temos uma grande dificuldade de acesso ao mundo da educação e do trabalho para as pessoas transexuais e uma cultura que reproduz estigma e discriminação. Nesta data é importante responsabilizar a sociedade e gritar para o mundo inteiro que a lgbtfobia não pode ser vista como um problema de poucas pessoas, mas sim de todas e todos.

2- Quais são as principais pautas de reivindicação LGBT no Brasil hoje?

O Brasil, lamentavelmente lidera o ranking mundial de violência contra as pessoas LGBT, travestis e transexuais são vítimas de transfobia. Precisamos de uma legislação que criminalize a lgbtfobia e que garanta o respeito à identidade de gênero; precisamos fortalecer o acesso da população LGBT na educação e na saúde; e precisamos debater que cidade queremos onde as pessoas possam expressar seu afeto e suas identidades.

3- Como é atuação da juventude LGBT nessa militância?

Atualmente temos acompanhado o fortalecimento da mobilização juvenil na luta LGBT, surgiram muitos coletivos universitários, o movimento estudantil tem contribuído fortemente com nossas bandeiras, a juventude é ousada, busca liberdade e está disposta a construir uma nova sociedade, isso vem fortalecendo e oxigenando a luta LGBT no Brasil.

4-  Como estão o andamento das políticas LGBT hoje com a possível extinção da coordenadoria LGBT da Sec.de Direitos Humanos da Presidência da República? Quais são as perspectivas?

A Coordenação Geral de Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República sem dúvida alguma foi uma grande conquista para nosso seguimento, tem a tarefa de articular intersetorialmente políticas para garantir os direitos da população LGBT em todo âmbito do governo federal. Se for extinta por este governo ilegítimo do golpe, provará a ausência de compromisso deste governo com o enfrentamento às desigualdades. Não vamos aceitar a redução de políticas afirmativas necessárias para enfrentar a violação dos direitos humanos que com certeza contribuirá para o aumento da exclusão social, por isso temos grupos, redes, coletivos, comitês de LGBT em todo o Brasil na luta contra o golpe, em defesa da democracia. Sabemos as conquistas que tivemos nos últimos quatorze anos, mas precisamos de muito mais, para isso precisamos de um sistema de promoção dos direitos dessas pessoas, precisamos de políticas e ações afirmativas para o enfrentamento às lgbtfobias.

5- Quais as ameaças iminentes de retrocesso que o Governo Temer representa para o movimento?

Um governo ilegítimo e golpista, que não teve voto, que não teve programa político escolhido pelo povo, que não tem compromisso popular com a democracia, não pode nos representar. Esse governo ilegítimo e golpista do Michel Temer tem compromisso com a pauta mais atrasada desse país, faz alianças com o patronato para caçar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, estão aliados ao setor mais fundamentalista da política, tem um perfil extremamente conservador, busca negar direitos de mulheres, negras e negros e povos e comunidades tradicionais, consequentemente não se preocupa com violência contra as pessoas LGBT nem tão pouco com inclusão social. Esse governo já extinguiu o MINC, a SECADI no MEC, tem um ministério de machistas, racistas e políticos envolvidos com processos de corrupção, esse governo não tem nenhum compromisso com a luta contra o preconceito nem com a cidadania de mulheres lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais e homens gays, bissexuais e Transexuais. Fora Temer!!!

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