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Na Paulista, acampamento do MTST é resistência por direito à moradia

16/02/2017 às 18:23, por Renata Bars Fotos: Débora Neves.


Movimento reivindica a liberação de verba para a contratação de moradias pela faixa 1 do Programa Minha Casa, Minha Vida, que atende famílias com renda mensal de até R$ 1.800

As barracas que ocupam desde a última quarta-feira (15) alguns dos metros quadrados mais caros do país – a Avenida Paulista, já são um marco na luta por moradia na cidade de São Paulo. Acampados em frente ao escritório da presidência, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) reivindicam a liberação de verbas para a contratação de moradias pela faixa 1 do Programa Minha Casa Minha, que atende famílias de baixa renda.

O acampamento se formou após um grande ato realizado na Avenida Paulista, com cerca de 20 mil pessoas, segundo a organização. O MTST critica as mudanças no Minha Casa, Minha Vida, que prejudicam a faixa mais pobre da população e beneficiam a de maior renda. O teto para acessar o programa passou de R$ 6.500 para R$ 9.000 e os limites no valor dos imóveis também aumentaram no caso de contratação da unidade habitacional com o uso do FGTS.

”Quando você coloca o limite de renda familiar em R$ 9 mil e centra o programa nas faixas 2 e 3, que é para a classe média, sendo que 84% do déficit habitacional é de quem ganha menos de três salários mínimos, você liquida o programa social e cria um balcão imobiliário. É isso que o governo Temer está fazendo”, alertou o líder do MTST, Guilherme Boulos, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

A presidenta da UNE Carina Vitral manifestou seu apoio na luta por melhorias nas políticas habitacionais e afirmou que moradia não deve ser privilégio.

”O governo fez uma série de mudanças num programa que era basicamente de construção de moradias populares, para um programa para a classe média, porque privilegiaram as faixas que tem mais renda em detrimento as que tem menos renda. Os movimentos de moradia, as ocupações vão ficar a ver navios com esse novo modelo”, enfatizou.

Para ela, a ocupação dá um novo significado a Avenida Paulista. ” Estamos transformando esta avenida num lugar das reivindicações das causas populares” disse.

O POVO RESISTE

O acampamento do MTST na Paulista conta com uma cozinha coletiva e outras barracas que servem de dormitório. Em meio ao típico trânsito paulistano, as barracas dividem o cenário com pedestres apressados e vendedores ambulantes.

Para a integrante do Movimento, Luciana Helth, a resistência é a palavra de ordem no local. ” Ano passado a gente realizou protestos aqui na Avenida Paulista, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha entrou em contato, disse que iria assinar, mas não assinou. A gente está cansado de esperar e por isso decidimos resistir até o final”, falou.

Luciana faz parte do assentamento Esperança Vermelha, na Cidade Tiradentes,zona leste da capital.

”Depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas, a especulação imobiliária na nossa região foi cruel. Não temos condições de pagar aluguel”, relatou.

Aos 45 anos, o carpinteiro desempregado Antônio Marcos da Silva, sonha em conquistar sua primeira moradia. ” ”Esse acampamento mostra que o povo está unido. O povo acordou. Nós queremos a verba para as nossas moradias, moradias dignas, nada mais. Vamos ficar na resistência para conquistar nossos direitos e seguir com nossos sonhos”, enfatizou.

A ocupação não tem data para acabar. Uma aula pública está marcada para às 20h desta quinta-feira, com a presença de Guilherme Boulos e Ivana Bentes.

 

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