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Mulheres do MST trancam a produção da Samarco-Vale

09/03/2016 às 11:43, por Comunicação MST.

Ação integrou a agenda da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas

No dia internacional da mulher, 1500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da região sudeste, ocuparam as dependências da mineradora Samarco-Vale, travando as estradas, os trilhos e toda extração do Complexo de Mariana. A manifestação ocorre nos arredores da Barragem de Germano, Fundão que rompeu e derramou um mar de lama, devastando cidades e todo o leito do Rio Doce.

No último dia 5 de março completaram quatro meses do crime ambiental cometido pela empresa. A maior parte das famílias atingidas ainda segue sem qualquer tipo de assistência e as cidades abastecidas pela água do Rio Doce continuam sofrendo com a contaminação por metais pesados. A ação foi organizada em conjunto com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração, e integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas.

As mulheres são as principais afetadas pela mineração

O trabalho doméstico ainda é visto pela sociedade como função das mulheres, que consequentemente são as que sofrem com a sobrecarga de trabalho quando há falta de água ou quando há o aumento da poluição causada pela exploração minerária. São elas que convivem dia e noite com a chegada de milhares de trabalhadores nas comunidades, homens multiplicadores da violência e da prostituição, do assédio, do estupro e até da exploração infantil. São elas que cuidam dos familiares adoecidos, com asma, bronquite, silicose, ulcerações nasais e câncer, entre outras doenças causadas pela mineração.

No âmbito do trabalho, este é o setor que mais tem causado mortes, mutilações e adoecimento mental às trabalhadoras e trabalhadores. E quando chega, subordina outros setores da economia nas cidades exploradas, gerando o desemprego entre as mulheres e a queda da renda familiar. Minas Gerais, por exemplo, é o segundo estado mais minerado do Brasil e tem apenas 7% do PIB vinculado a esta atividade. Um percentual mínimo, se considerarmos os impactos sociais e ambientais gerados.

O crime de Mariana não é um evento isolado

O rompimento da barragem de Mariana estava anunciado, precedido por outros sete eventos em barragens, que já haviam causado danos imensuráveis à sociedade e ao meio ambiente em Minas Gerais. O impacto do maior crime ambiental na extração de minério de ferro do mundo não é apenas sobre a vida das mulheres em Mariana, mas na extensão de todo o Rio Doce.

Cidades como Governador Valadares, Colatina e Linhares, no Espírito Santo, consomem água comprovadamente contaminada por Arsênio, Chumbo, Mercúrio, Manganês e Cromo. O Arsênio é utilizado principalmente na extração de ouro, ou seja, é um indício de que poderia haver extração ilegal nestas minas.

 Propostas

Neste 8 de março as mulheres em luta, organizadas nos movimentos sociais propõem um projeto popular de mineração. O que significa implantar um modelo não predatório, regulado pela necessidade social, com a participação das comunidades, maiores e mais eficazes instrumentos de fiscalização e prevenção de desastres.

A legislação deve ser mais rigorosa, prevendo a demarcação de áreas livres. Atualmente, nenhuma lei resguarda Reservas Ambientais já constituídas, áreas de quilombolas, assentamentos, reservas indígenas, etc. Mesmo com solo preservado, todos estes territórios estão sujeitos à extração, isto porque o Estado justifica a exploração do subsolo afirmando que se trata de interesse da união. Ironicamente, desde a privatização da Vale do Rio Doce, o Brasil não possui nenhuma empresa estatal no setor, que só favorece interesses privados, do capital internacional.

Mulheres em Luta!

Contra a Lama que Violenta e Mata!

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