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Mulheres clamam pelo fim da cultura do estupro

02/06/2016 às 11:31, por Cristiane Tada.

Marcha na Av. Paulista em SP lembra menor violentada no Rio de Janeiro e exige respeito

Uma vida sem violência é um direito de toda a mulher. Foi o mantra da noite de quarta-feira (1/6) na Avenida Paulista em São Paulo no ato Por todas elas que reuniu milhares de mulheres de todas as idades.

A manifestação que partiu do vão livre do Masp trouxe secundaristas, universitárias e mães com cartazes que clamavam respeito: “Sóbria ou chapada, vestida ou pelada, nenhuma mulheres merece ser estuprada”; pintura nos corpos que reforçavam a autoridade sobre seus corpos: “Presta atenção o corpo é meu e a minha roupa não é problema seu”; jograis e alegorias ao estupro da menor carioca violentada coletivamente.

Lágrimas, gritos de basta, e muita dor ao se colocar no lugar da jovem que acordou com 33 homens se revezando sobre seu sexo. “Eles achavam que seriam 33 contra uma, mas são 33 contra todas”, entoava Maria das Neves, da União Brasileira de Mulheres, no megafone.

A jovem Ana Beatriz, de 21 anos, carregava sua pequena Luna de 4 meses nos braços junto com diversas outras mães no início da marcha. Ela conta que pensa no futuro da filha. “Estamos aqui para sermos vistas inclusive pelo governos, como mulher, como gente. Nossos direitos estão sendo cada vez mais retirados, estão dificultando tudo”, afirmou.

Durante o trajeto as manifestantes não esqueceram dos representantes políticos inimigos das mulheres: Cunha, Bolsonaro, Feliciano e Michel Temer. O presidente da República em exercício foi lembrado como golpista, que destituiu ilegitimamente a primeira mulher no cargo máximo do país.

No Brasil a cada 11 minutos uma mulher vira estatística de estupro, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG que formula estatísticas sobre violência no país. Como apenas 30% a 35% dos casos seja relatado é possível que a relação seja de um estupro a cada minuto. Em 2014 foram 47,6 mil casos registrados. Apesar dos números alarmantes, um projeto encabeçado pelo deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro do ano passado, dificulta o atendimento a quem sofreu violência sexual. O projeto prevê que a vítima de estupro deve ser obrigada a fazer um exame de corpo de delito para que seja autorizada a interromper a gravidez.

Universitárias organizadas

Na marcha estavam diversas estudantes universitárias que afirmam que carregam todo dia junto com livros e cadernos o medo e a certeza que que não estão seguras independente da instituição de ensino que estudam ser pública ou privada.

Ana Luísa cursa direito do Mackenzie e participa da Frente Feminista Mackenzista. Ela conta que são inúmeros os casos de machismo, professores que assediam alunas, fazem piadinhas. “Temos que primeiro tocar no assunto, é importante que todas as faculdades tenham uma frente feminista, para que caso aconteça alguma violência, as estudantes tenham onde buscar apoio. Estamos trazendo mais e mais meninas para o nosso lado. Temos que nos importar umas com as outras”, afirma.

Já Aline Silva Sá, estudante de Licenciatura em Ciências, na Unifesp, ressaltou que é preciso melhorar coisas básicas como ter seguranças que “façam alguma coisa” e melhorar a iluminação na universidade. “No meu campus não tem nenhum tipo de iluminação, é cheio de mato, não tem como andar sozinha a noite”, destacou.

Ela também já ouviu relatos de mulheres que foram assediadas em festas da universidade. E foi enfática: “Estamos aqui para mostrar que não vamos mais ficar caladas com as coisas que acontecem com a gente”.

A estudante de Engenharia Ambiental da UFABC, Marina Antonelo, contou que já teve vários casos de estupro perto da universidade e demorou muito para começar ter um policiamento.

Para ela a educação dos homens precisa mudar antes de tudo “eles não podem achar que tem direito sobre os nossos corpos”.

Marina afirma que na UFABC acontecem debate e assembleias sobre o assunto, e ela nunca ficou sabendo de homens estudantes de lá cometerem violência contra as mulheres, os casos são no geral de homens de fora.

A estudante de administração na USP, Bárbara Brandini, concorda que o o problema é estrutural, e afirma que “precisa melhorar desde o começo a educação dos nossos filhos”. Ela conta que mesmo após os inúmeros problemas que a USP teve com denúncias de violência ocorridas ano após ano não há segurança. “No meu campus não andamos sozinhas, mulher ainda, é muito perigoso, ninguém se sente seguro”. Ela ressalta ainda que é muito contra a PM no campus. “ Não resolve, só vai piorar. A PM não está preparada para atender as mulheres e já não atende no centro imagina no campus”.

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