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Movimentos sociais contra o impeachment, o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha

09/12/2015 às 20:04, por Cristiane Tada com edição de Rafael Minoro.

UNE, MST, CUT, CTB, MTST e outras organizações convocam a sociedade para a defesa da legalidade do mandato da presidenta Dilma Rousseff

Unificados em torno de três pilares essenciais para barrar o retrocesso e fazer o Brasil continuar a avançar, representantes de movimentos sociais convocaram nesta quarta-feira (9) uma grande marcha para o próximo dia 16 de dezembro, que vai mobilizar milhares de pessoas em todo o país. Em São Paulo, o ato sairá do vão livre do MASP, a partir das 17h.

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“São Três os temas aqui que nos unificam: contra o impeachment; não ao ajuste fiscal e fora Cunha!”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, ao abrir a coletiva de imprensa no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no Centro da cidade.

Estavam presentes também a UNE, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Intersindical,Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen). Todos afirmaram que a unidade das entidades demostra a gravidade do momento que o Brasil vive e o amadurecimento da esquerda brasileira que, mesmo com pensamentos e fundamentações ideológicas diferentes, posicionam-se unanimamente pela manutenção do mandato da presidenta Dilma Rousseff.

“A CTB tem convicção da complexidade do momento que estamos enfrentando, e que não há saída para essa situação a não ser pela unidade da esquerda e não somente da esquerda, como com todos os setores progressistas da sociedade”, afirmou Raimunda Gomes, Secretária de Comunicação da CTB.

Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, concordou e afirmou. “Nós não estamos conclamando só os movimentos sociais, mas os democratas desse país, os progressistas, não é uma questão só da esquerda, é uma questão de quem tem bom senso a se mobilizar, seja nas ruas, seja nas via redes sociais, para impedirmos o impeachment”.

Pela legalidade

Já a presidenta da UNE, Carina Vitral, lembrou da história da entidade em defesa da democracia e por isso a importância em se posicionar neste momento.

A UNE foi uma das entidades que liderou o movimento “Fora Collor!” e que derrubou o presidente da República na década de 90. Para ela é preciso que se compare de forma sóbria e justa esses dois momentos.

“Naquele momento, os estudantes foram para as ruas porque o presidente tinha depósitos na conta da esposa, tinha indícios, fatos e envolvimento concreto pessoal em esquemas de corrupção. O impeachment agora não tem base legal e para a UNE é muito importante o tema da legalidade. Nós, do movimento estudantil entregamos vários dos nossos dirigentes na luta em defesa democracia, da legalidade e nós não compactuaremos com qualquer movimento de desestabilização que não tenha base legal, por esse motivo chamamos esse movimento de impeachment de golpe”, explicou.

Contra retrocessos e Fora Cunha!

Representante da Conen, Flávio da Silva, afirmou que para o movimento negro lutar contra o impeachment significa lutar contra o ódio, contra a intolerância e contra o conservadorismo no nosso país. “O retrocesso da possibilidade de impeachment nos atinge diretamente é por isso que estamos aqui, e estamos falando em nome de 53% da população brasileira que é negra e que minimamente tem conquistado alguns direitos a partir da sua luta de quase 500 anos no Brasil”, afirmou.

Já o presidente CUT, Vagner Freitas, argumentou a posição dos trabalhadores. “Porque não há nenhum motivo jurídico, é apenas uma disputa política e uma cortina de fumaça que o Cunha está fazendo para o Brasil esquecer seus próprios crimes e acima de tudo somos contra o impeachment porque ele tira direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiras e da sociedade de maneira geral, um ato capitaneado pelos conservadores”, destacou.

Para o dirigente, quem está fazendo o impeachment são os mesmos que querem o fim da carteira assinada, da CLT, é aquele que quer a redução da maioridade penal, quem é contra o direito das mulheres.

O Secretário-geral da intersindical, Emerson Índio, também afirmou que “o processo de abertura de impeachment não vem para beneficiar a maioria do povo brasileiro, os trabalhadores, é uma manobra para que o Michel Temer possa implementar o projeto que ele negociou com o grande capital”.

As entidades também reafirmam que Eduardo Cunha não tem legitimidade de questionar o mandato da presidenta e que o Brasil não pode ceder a força da chantagem que o presidente da Câmara dos Deputados tem usado no seu exercício de poder.

Por uma nova política econômica

O coordenador do MTST, Guilherme Boulous, ressaltou que o ato é também contra a política econômica. “Este ato não é um ato em defesa das políticas que o governo tem implementado, não é jogar confete no governo, não é um ato chapa branca, não dá dar um cheque em branco ao governo, é um ato claro e categórico contra o impeachment, mas entende que isso não significa defender as políticas atuais”, ressaltou.

Ele destacou que “os mesmos movimentos que estão organizando este ato, estiveram durante todo o ano organizando uma série de mobilizações contra o ajuste fiscal, dizendo que a saída da crise não é atacando direitos sociais e cortando investimentos, mas é taxando o andar de cima, com taxação das grandes fortunas e com reformas populares”.

Leia na íntegra a convocatória:

CONTRA O IMPEACHMENT! NÃO AO AJUSTE FISCAL! FORA CUNHA!

O momento político pede muita unidade e mobilização popular. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou a instalação do processo de impeachment da Presidenta Dilma, numa tentativa de chantagem a céu aberto. Tenta subordinar os destinos do país à salvação de seu pescoço. Não há nenhuma comprovação de crime por parte de Dilma, e o impeachment sem base jurídica, motivado pelas razões oportunistas e revanchistas de Cunha é golpe.

As ruas pedem: Fora Cunha! Atolado em escândalos de corrupção e representante da pauta mais conservadora, Cunha não tem moral para conduzir o processo de impeachment, nem para presidir a Câmara dos Deputados. Contas na Suíça, fortes acusações de lavagem de dinheiro são crimes não explicados por ele. Cunha será lembrado pelo ataque aos direitos das mulheres, pelo PL da terceirização, a proposta de redução da maioridade penal e por sua contrarreforma política. Os que querem o impeachment são os mesmos que atacam os direitos dos/das trabalhadores (as), das mulheres, dos /das negros (as) e disseminam o ódio e intolerância no país.

Ao mesmo tempo, entendemos que ser contra o impeachment não significa necessariamente defender as políticas adotadas pelo governo. Ao contrário, as entidades que assinam este manifesto têm lutado durante todo este ano contra a opção por uma política econômica recessiva e impopular. As consequências da crise econômica mundial estão sendo aprofundadas pelo ajuste fiscal promovido pelo governo federal, que gera desemprego, retira direitos dos trabalhadores e corta investimentos sociais. Não aceitamos pagar a conta da crise.

A saída para o povo brasileiro é a ampliação de direitos, o aprofundamento e o fortalecimento da democracia e as reformas populares. O impeachment representa um claro retrocesso na construção deste caminho.

Seremos milhares nas ruas no dia 16 de dezembro de 2015. Será o dia Nacional de Luta contra o Impeachment, o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha. Convidamos a todos os Brasileiros e Brasileiras a fazerem parte desse bloco contra o retrocesso e por mais direitos.

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