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‘O funk é político desde sempre’, diz MC Carol

27/05/2018 às 0:46, por Alexandre de Melo.


Funkeira é candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e afirma que identificação é importante para o cargo 

A niteroiense Carolina de Oliveira Lourenço, Carol bandida ou simplesmente MC Carol tem 24 anos e poderia ser mais uma das jovens mulheres negras e pobres que entraram na universidade pública nos últimos anos por meio de cotas. No entanto, Carol precisou largar a escola para trabalhar

“Eu já pensei em voltar para os estudos, mas hoje em dia seria algo como engravidar, entende? Eu sou sozinha e tenho que trabalhar”, conta Carol para a reportagem da UNE Volante. Isso não quer dizer que a MC não defenda o acesso aos estudos. “Cara, eu acho que tem que ter cotas porque se não será sempre homem branco e rico dominando”, defendeu.

Carol trouxe o funk do morro para dentro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) nesta sexta-feira (25). Confira o papo que funkeira teve com a reportagem da UNE Volante sobre cotas, Marielle, representatividade, preconceitos e carreira política.

MC Carol se apresenta na UERJ. Foto: Bárbara Marreiros

você é oficialmente candidata?

Sim. Eu sou candidata a deputada estadual pelo PCdoB.

Recentemente, você lançou a música Marielle Franco dedicada a toda mulher negra que sofre violência. A sua candidatura também é inspirada na luta de Marielle?

Quando eu pensei em me candidatar, conversei com algumas pessoas para saber se realmente era isso que eu queria. Eu tive dois encontros com Marielle.

Marielle Franco e Talíria Petrone inspiram MC Carol. Reprodução Facebook

O primeiro encontro foi na minha casa e a Talíria Petrone (vereadora PSOL) também esteve com a gente.  O segundo encontro com a Marielle foi na Câmara de Niterói. Nesses dois encontros conversamos muito, Marielle era muito forte. Nas pequenas coisas que ela fazia e me contava, ela me inspirava.  Desde o salto que ele colocava, até o lance de colocar um turbante com orgulho na Alerj. Ela também dizia que não é fácil. Uma mulher negra e periférica na Alerj não é uma parada fácil, saca? Ela falava muito desse negócio de “botar o pé na porta”. A conversa com Marielle me fortificou e isso é importante porque eu sou tímida para discursos. Eu sou forte em cima do palco nos shows.

Hoje você está fazendo um show para um público universitário que está lotando o teatro de arena da UERJ para te ver. Qual a sua relação com escola pública?


Eu não tenho ensino completo porque tive que trabalhar. Eu já pensei em voltar para os estudos, mas hoje em dia seria algo como engravidar, entende? Eu sou sozinha e tenho que trabalhar. Foi assim quando eu parei e é assim hoje. Inclusive, eu fiquei insegura no começo da minha carreira e agora na candidatura pensando que eu teria que falar com pessoas que estudaram mais. Mas até nisso as conversas com  Marielle foram boas. Ela me dizia que o lance não é apenas a inteligência, mas também a identificação que as pessoas têm com a gente.

Abaixo, assista o clipe dedicado a Marielle Franco

Qual a sua opinião sobre cotas para negros e pobres?

Cara, eu acho que tem que ter cota. Porque se não será sempre ambiente para homem branco e rico dominar. A gente precisa garantir mais índios, mais mulheres pretas aqui dentro.

MC Carol e Baile do CUCA na UERJ. Crédito? Bárbara Marreiros

Você espera que seu trabalho com funk e as suas propostas como candidata cheguem mais na Universidade?


Na verdade, eu não esperava chegar até aqui. Estou muito satisfeita e feliz, mas quanto mais a gente avançar, melhor. O meu funk entrou em lugares inimagináveis. Há uns 3 anos minha família não acreditava. Eu entrei no funk para beber, zuar, dançar. Quando ficou mais serio e eu passei a ser paga para poder fazer aquilo, quando eu tive mais de 4 milhões de acessos no YouTube, aí eu entrei em lugares diferentes e os meus pais reconheceram. Na época que eu comecei tinha as “mulheres frutas”, mulheres gostosonas. Eu não usava roupa curta e não passava batom. Mas aí eu preparei a minha cabeça e fui. No começo jogavam latinha de cerveja e um monte de coisas em mim durante os shows. Só que eu nunca desisti e a vida foi melhorando.

O funk é a música mais engajada no Brasil hoje já que trata assuntos como sexualidade e feminismo?


Cara, o funk já é muito político desde de sempre. Mas o funk político era chamado de funk proibidão porque falava do tiroteio, da morte e também música de duplo sentido sobre sexo. Eu canto sobre eu ser mulher pobre e preta. Se o funk de comunidade fala da vida real das pessoas, então funk é política.

Confira abaixo pequenos trechos do show da MC Carol dentro do Festival Inquietações da UERJ:

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