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Março de 2018: 13 anos do primeiro Encontro de Mulheres da UNE

07/03/2018 às 15:46, por Renata Bars.

Alessandra Terribili, diretora de Mulheres da UNE em 2005 se formou em Comunicação e Ciências Sociais

Diretora de Mulheres da entidade em 2005, Alessandra Terribili relembra a construção do maior encontro de estudantes feministas do Brasil

É muita alegria saber que a expectativa para este 8º Encontro de Mulheres da UNE é de 3 mil estudantes e porque não dizer orgulho por ter feito parte dessa história, por estar entre aquelas que naquele momento mataram no peito, encararam o desafio e iniciaram essa jornada do EME. Saber dessa expectativa me dá uma sensação de dever cumprido”, afirma a assessora sindical Alessandra Terribili. Ela foi a diretora de Mulheres da UNE, quando estudava Ciências Sociais na USP em 2005, ano em que foi realizado o primeiro Encontro de Mulheres Estudantes da UNE em São Paulo.

O primeiro EME foi realizado às véspera do 8 de Março na capital paulista. “Acho que teve 200 estudantes, foi uma batalha conseguir tudo. Estávamos apenas começando, saber que hoje é movimento consolidado na agenda da UNE é muito bom”, afirma.

Em 2005 a agenda era especial por ser uma ação internacional que aconteceu simultaneamente em vários países. O plano era colocar milhares de mulheres na Avenida Paulista e o EME se somou a esse esforço. Muitas estudantes que foram para São Paulo para o participar do encontro, ficaram para ir às ruas no 8 de Março de 2005.

O momento era de ascensão de um olhar progressista sobre as relações sociais, o país sob o terceiro ano do governo Lula, já indicava alguns avanços.

Ascenso não significa que estávamos resolvendo todas as questões, mas sim que estávamos disputando hegemonia na sociedade com mais força do que o habitual. São nessas ocasiões que se ampliam direitos, conquistam vitórias para a classe trabalhadora e é nesse contexto também que vem a luta das mulheres, num momento em que as forças progressistas estão organizadas e alcançando vitórias, é que as mulheres também conseguem estabelecer seu programa e alcançar suas reivindicações, algumas delas históricas”, explica.

Alessandra recorda que fazia muito tempo que as mulheres exigiam que a questão da violência fosse tratada com política pública, uma construção desde o pós regime militar. Ela afirma que o movimento de mulheres se reorganizou no Brasil depois da ditadura com a pauta da violência com o “Quem ama não mata”, entre outras insígnias que foram usadas.

Então foi um acúmulo de décadas que resultou na lei Maria da Penha, que foi sancionada no ano seguinte do nosso EME. E sim era um processo que a gente via acontecer desde o início quando foi criada a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, as discussões em torno a ela, a disputa da agenda política dentro dessa Secretaria, as forças se organizando. E nós fomos parte dessa construção também, porque nós no espectro político fomos parte da vitória do Lula em 2003 e parte da aplicação desse programa”.

Auto-organização e uma Plataforma Feminista para a universidade

Ela relembra que na época havia apenas algumas universidades que tinham um trabalho consolidado de feminismo entre as estudantes, como a Universidade de Caxias do Sul e a Universidade Federal da Bahia.

“ Na USP nós estávamos engatinhando. Era uma coisa nova para a maioria e então a gente buscava construir a legitimidade dessa agenda. Tínhamos muitas dificuldades que hoje não há mais, e não há mais porque a gente matou no peito e seguiu adiante”, destaca.

Para Alessandra a questão da auto-orgarnização foi uma polêmica “chata”, porque elas queriam fazer um encontro de mulheres e não sobre mulheres.

Tivemos que bater o pé e encarar essa disputa. No final das contas abrimos os painéis formativos para a participação de homens, o que foi ruim porque não era esse perfil que queríamos, mas apareceram dois ou três só para dizer tá vendo? Essa foi uma disputa que fizemos e acho que hoje é mais pacífica dentro do feminismo e das universidades, que as pessoas entenderam que a auto-organização é necessária e não exclui os espaços mistos”, afirma.

Registros de 2005 durante o 1º EME da UNE

A ex-diretora da UNE ressalta que hoje os coletivos de mulheres nas universidades são uma realidade “ era uma meta nossa fortalecer os coletivos, então estou vendo que isso certamente aconteceu, a organização das mulheres dentro dos cursos, das universidades, as professoras, funcionárias, tudo parte dessa jornada que começamos”.

A construção de uma plataforma feminista para a universidade também era uma meta das mulheres estudantes em 2005. “Não sabíamos muito como fazer, a gente queria que o encontro fosse uma ocasião da gente acumular para isso. Tinha as lutas gerais do feminismo, combate a violência, as cotas nas instâncias de direção, mais mulheres na política e todas essas pautas clássicas do movimento de mulheres, mas a gente queria fazer isso mais com recorte para a universidade”, afirma.

Ela conta que a experiência de alguns poucos espaços que já acumularam vivências como a Universidade de Caxias do Sul foram muito importantes.

Destacou-se a pauta da assistência estudantil e a questão das creches dentro da universidade para as mães estudantes”.

Dever cumprido

Hoje a mesa diretora da UNE é composta por duas mulheres e na diretoria executiva elas são praticamente 50%. “É uma vitória muito grande daquele movimento que todas começamos. Não é justo dizer que foi ali que tudo começou, mas foi ali que começou a se organizar, por assim dizer. Já existia gente fazendo trabalho em algumas universidades tinha havido iniciativas, houve dois encontros de mulheres da UNE antes de 2005, se não me engano foi na década de 80 e não conseguimos achar nenhuma documentação, na verdade tudo se perdeu enquanto construção política”.

Mas já havia sensibilidade para o tema, o que Alessandra afirma que foi uma certeza que os estudantes deviam se debruçar sobre ele, que tinha que ser tema da UNE e uma preocupação dos estudantes e das estudantes.

A partir de 2005 que conseguimos organizar de tal forma que estamos indo para a 8º edição, foi um trabalho que conseguiu se consolidar porque coletivamente as forças políticas entenderam essa importância e fizeram essas construções nas universidades e nas entidades estaduais e locais que se organizaram e deixaram de lado algumas disputas”, afirma.


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