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Maracatu e coco de umbigada agitam Festival Inquietações em PE

28/04/2018 às 11:39, por Alexandre de Melo.


Inquietações em PE

Achou que não iria ter mais som? Achou errado, jovem!

Direto do Ceará para Recife, o Festival Inquietações sacudiu a estudantada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), estacionamento do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH),nesta sexta-feira (27).

O melhor da tradição e da efervescência de Pernambuco estiveram presentes no som do Maracatu Nação Estrela Brilhante, Dirimbó, Atroça, DJ Libra Crux e Coco de Umbigada (Mãe Beth de Oxum).

Manoella Mirella prometeu mobilização dos estudantes em Pernambuco e cumpriu. Crédito: Bárbara Marreiros

Você já sentiu a potência de uma alfaia tocada em Pernambuco? Se você estiver lá, não importa o que você estiver fazendo, vai sentir no peito o peso do maracatu. Assim, convocando a todos para a alegria, o  Maracatu Nação Estrela Brilhante realizou seu cortejo do Centro de Artes e Comunicação da UFPE até o estacionamento do CFCH. Nos cantos e nas falas, os percussionistas, as passistas e todos do Maracatu Estrela Brilhante prestaram um homenagem a Mestre Afonso, um dos grandes expoentes do maracatu de baque virado que morreu neste mês de infarto. Afonso foi um grande organizador do maracatu tradicional pernambucano nos espaços públicos. Seguindo com o show, tal qual uma escola de samba, os músicos devidamente uniformizados atendiam o comando do mestre em paradinhas de tirar o fôlego e coreografias surpreendentes. Porrada!

Maracatu Nação Estrela Brilhante treme o chão do CAC da UFPE. Crédito: Bárbara Marreiros

Em seguida, convocados para subir ao palco pelo público presente, Diomedes Júnior, músico e formado em Edificações na UFPE e Netinho Batista, poeta e estudante de medicina veterinária na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)soltaram o verbo com poesias e cantos de protesto. Eles se conheceram em uma viagem, perceberam a afinidade com música e poesia e passaram a se apresentar.”O sertão do Moxotó é o berço da poesia metrificada e nossa fonte de inspiração. Um remédio para a vida”, conta Netinho. “Infelizmente, a gente está em uma onda conservadora que respinga na Universidade. A gente não pode fazer uma serie de coisas na Universidade por conta das proibições que limitam o nosso fazer cultural. Isso não é Universidade. É uma fábrica de robôs. Por isso que a gente valoriza e muito o Festival Inquietações”, conta Netinho. “Se a gente consegue passar a energia para as pessoas, transmitir nossa mensagem nem que seja para poucas pessoas, já vai ter valido a pena nossa caminhada”, afirma Diomedes. DJ Libra Crux veio com um set ‘fervo’ que sacudiu o público entre as apresentações das bandas. O ápice da noite foi o coco de umbigada que mobilizou centenas de estudantes na dança.

Estudantes também se apresentam no Inquietações: Diomedes Júnior e Netinho Batista da UFRPE. Crédito: Bárbara Marreiros

Comandando a festa do coco estava Mãe Beth de Oxum , uma artista única no Brasil. O grupo formado por seus filhos nas vozes e percussão  (Oxaguian, Daniel Luiz, Ilaodê, Maira Carê e Inaê) e por seu marido na percussão (Quinho Caetés) entoam cocos como mantras. O público presente se aproximou do palco e em duplas começaram a brincadeira do coco de umbigada dança de movimento rápido, sensual e de profunda interação com o parceiro. A brincadeira segue criativamente até uma nova dupla pedir licença para entrar na roda.

Mãe Beth de Oxum instiga os estudantes para reagir ao golpe: ‘Tá na hora do pau comer!’. Crédito: Bárbara Marreiros

Não falta história e militância para  Mãe Beth de Oxum. Ela fundou em Olinda o Afoxé Filhos de Oxum, um dos primeiros a incluir mulheres na percussão. Antes disso, ela tocou percussão nas bandas de Lia de Itamaracá e Selma do Coco. Militante na luta por democratização da comunicação e pelo fim do preconceito religioso, ela criou  o Cineclube Macaíba direcionado às culturas de matriz africana e a Rádio Amnésia.

Coco de Umbigada. Crédito: Bárbara Marreiros

“Essas são as minhas lutas. Existe algo doentio dos gestores de rádio que nunca tocam o nosso coco que tem mais de 100 anos. Quem pauta a mídia? Esse monopólio de comunicação que aí está precisa mostrar e respeitar a nossa cultura secular tão rica: maracatu de baque solto, maracatu do baque virado, do frevo, do coco e todas as suas vertentes, salão, rojão, furada, quebrada, embolada, umbigada. São tantos e não são conhecidos. O Brasil precisa ser desescondido. Tá na hora do pau comer e a Universidade precisa ajudar reconhecendo a oralidade e dando uma devolução de seus estudos para as pessoas. Abaixo a intolerância das religiões de matrizes africanas. O Estado é laico. Eu estou aqui junto da juventude na luta”, defende Mãe Beth de Oxum.

Depois da apoteose de coco de umbigada, Atroça veio elegantemente fazer a moçada pular e formar rodas de rock no gramado já úmido e com lama da UFPE. O frevo alternativo ou como eles costumam dizer frevo de repente rock foi apresentado com muita competência pelos músicos

Atroça e o seu frevo de repente rock. Crédito: Bábara Marreiros

Dirimbó encerrou as apresentações da noite fazendo todo mundo chegar mais perto de um par para dançar lambada. A versatilidade da banda olindense chamou a atenção. O som do Dirimbó é um  encontro da malemolência paraense com guitarrada, carimbó e lambada, sem deixar de ter a mistura de pegada tradicional olindense e urbana recifense.

A UNE Volante e o Festival Inquietações seguem para Brasília já com saudade da noite especial que os pernambucanos propiciaram na UFPE

Tchau, Recife. Bora pra Brasília! Crédito: Bárbara Marreiros

 

 

 

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