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Mackenzie tem mais um caso de racismo

08/10/2015 às 18:17, por Yuri Salvador.

Outra pichação contra negros e nordestinos já havia sido encontrada em agosto deste ano.

A história se repete. Mais uma vez pichações racistas são vistas nas paredes da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Lugar de negro não é no Mackenzie. É no presídio.”, dizia a citação encontrada no banheiro masculino do prédio 3 da universidade na última terça (6).

Com 145 anos de história, ocupada em sua maioria pela dita “elite branca” da cidade de São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, assim como a maioria das universidades privadas do Brasil, teve de se adaptar a uma nova realidade. Seus corredores e salas são ocupados hoje (também) por um novo perfil de estudantes: negros, pobres, cotistas… Junto á essa realidade vieram também atitudes de ódio e intolerância por parte de alguns alunos.

Em agosto deste ano, já havia sido encontrada dentro de um banheiro de uma praça de alimentação situada fora da universidade, uma pichação com os dizeres: “O Mack não deveria aceitar negros e nem nordestinos”, em outra clara atitude racista e xenofóbica.

Primeira negra a assumir a diretoria do Centro Acadêmico de Direito do Mackenzie, a 2º vice-presidenta da UNE, Tamires Gomes Sampaio divulgou em seu perfil do Facebook uma nota de repúdio ao ato racista. “É difícil pra mim, como estudante negra, desse mesmo prédio, escrever sobre essa imagem, por que ela é a representação do pensamento racista que eu sei que passa na cabeça de muitos que permeiam pelo Mack.”, declarou.

O Diretor de Combate ao Racimo da UNE, Rodger Richer disse que tal pichação evidencia a tônica racista presente numa sociedade, em que ainda tem gente dizendo onde é ou não é lugar de pretos e pretas. “Não podemos tolerar o ódio racial, É crime. É necessário punir os responsáveis por essa atitude nefasta e lutar para acabar com o racismo em todos os espaços em que ele se manifesta”, concluiu.

Em nota, a direção da Faculdade de Direito do Mackenzie repudia qualquer ato, ação ou manifestação de cunho racista em seu ambiente.

A direção da universidade ainda não sabe quem é o responsável pelo ato racista, mas disse que a denúncia foi feita aos órgãos responsáveis e, internamente, os fatos já estão sendo apurados.

RACISMO EM DEBATE

Em entrevista concedida ao site da UNE na tarde desta quarta (8) Tamires relatou que, apesar de se tratar de mais um caso de ódio, o fato serviu para levantar a discussão nas salas e corredores da instituição: “Hoje aqui [no Mackenzie] não se fala em outra coisa. Os professores estão aproveitando para debater o tema, os alunos também, afinal o racismo é, na maioria das vezes, velado. Aqui o negro sente o olhar diferente, o modo como é tratado. Por isso podemos aproveitar este fato lamentável para debater”, disse.

O coletivo negro Afro Mack, do qual Tamires faz parte, também divulgou nota de repúdio à atitude. E vai protocolar um manifesto na reitoria pedindo providências concretas como medidas efetivas para combater o racismo na universidade.

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