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Em Pernambuco, UNE Volante defende cultura acessível e universidade popular

27/04/2018 às 13:17, por Alexandre de Melo Edição: Renata Bars.


Caravana debate cultura na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Nesta sexta-feira (27), a UNE Volante promoveu o debate “O papel estratégico da Universidade na Elaboração de Políticas de Cultura”, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

E como bom celeiro cultural que Pernambuco é, antes do debate, os estudantes assistiram a encenação da peça “Parecer da Democracia” que representa de qual forma o golpe tem se estabelecido e propõe a mobilização da juventude.

`Parecer da Democracia em frente ao CAC da UFPE

O debate mediado por Marianna Dias, presidenta da UNE, contou com a presença de Alexandre Santini Diretor do Teatro Popular Oscar Niemeyer, Jessy Dayanne, vice-presidenta da UNE, Manuella Mirella, presidenta da UEP, Camila Ribeiro, Coordenadora do Cuca da UNE, Rafael Alves, Direção Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores, Marcelino Granja, Secretário de Cultura de Pernambuco, Thiago Santos, Advogado e membro da Unidade Popular, Liane Cirne, Professora da Direito da UFPE, Advogada e colunista do Mídia Ninja e Fred Zero Quatro, vocalista e compositor da banda Mundo Livre S/A.

UNE Volante debate cultura em Pernambuco

Cultura como política pública

Marcelino Granja falou do panorama cultural brasileiro.“A gestão de Cultura de Gilberto Gil foi determinante para colocarmos a cultura como uma estratégia de desenvolvimento. Mas estamos vivendo um desmantelamento dessa política pública de cultura. Sem dinheiro, não dá. E precisamos de instrumentos de articulação nos conselhos e afins. Não podemos nos enganar. É nas universidades que se propagam as ideias excludentes e por isso devemos travar esse combate de ideias nesse espaço”, disse.

Além disso, Granja contou que fez a defesa da contratação de artistas ligados à cultura popular regional no Carnaval de Recife e que essa política é importante para preservação cultural.

Em contraposição, Fred Zero Quatro discordou dessa política pública de Cultura.

Fred Zero Quatro defende política de cultura popular sem ser sacralizada. Crédito: Bárbara Marreiros

“Antes de mais nada ‘Fora Temer’ e ‘Lula Livre’. Eu discordo de quase tudo que foi falado aqui sobre cultura popular. Sou formado em Jornalismo aqui na UFPE e fui aluno de Ariano Suassuana. Então, eu tenho muita ressalva de enxergar a cultura popular como algo a ser protegido, sacralizado, distante. Como se em qualquer contato com a babilônia, a cultura fosse contaminada. Tive o privilégio de ter contato com Mestre Salustiano que ilustra bem o que quero dizer. Viajando o Brasil todo e antes do Mangue Beat, antes de Chico Science, poucos conheciam o Mestre Salu. Aí o Mangue Beat estourou e Mestre Salu me disse que a melhor coisa que aconteceu foi o estouro do Mangue Beat. Ele era contratado pra oficinas, como professor de dança e de rabeca, mas os músicos de classe média que até tinham aulas com ele que montava projetos que tocavam na Europa e ganhavam muito dinheiro. Por isso que eu acho errado esse negócio de sacralizar cultura popular. Com o advento do movimento Mangue Beat, o maracatu teve visibilidade no Brasil e no mundo com a abordagem mais pop com relação às tradições. Não tínhamos alfaia de maracatu pra comprar quando começamos. Não tinha produção em larga escala. Depois de “Lama ao Caos” de Chico Science & Nação Zumbi, começamos a encontrar alfaias em vários lugares, até em Brasília. Aquela declaração do mestre Salu me bateu com uma certa ironia. Quando a gente chegava com guitarras nesses lugares que defendiam a cultura de raiz, sempre torciam o nariz pra gente. Baião pé de serra é pop. A gente sacraliza a obra de Luiz Gonzaga. Pra mim, Luiz Gonzaga é pop e para todos, não podemos sacralizar”, defende.

Participação da Universidade

Liane Cirne também apontou que a Universidade precisa de outra postura. “Eu sou professora e sempre digo que temos uma cultura elitista. Explico. Mãe Bete de Oxum proibiu pesquisa no terreiro. Ela é um sujeito, não um objeto. Se fazem a pesquisa e não tem uma devolução para a comunidade, simplesmente não faz sentindo. A Universidade precisa começar a contribuir com políticas públicas com uma postura mais humilde”, disse.

Liane Cirne: “Se a Universidade faz a pesquisa e não tem uma devolução para a comunidade, simplesmente não faz sentindo”. Crédito: Bárbara Marreiros

Manuella Mirella liderou a organização da UNE Volante em Pernambuco e defendeu o papel estratégico de Pernambuco no debate cultural. “Precisamos construir o projeto que nos represente. Não precisa ir muito longe para lembrar que a primeira providência do governo ilegítimo foi acabar com o Ministério da Cultura. Então, é papel estratégico do debate da UNE Volante estar aqui em Pernambuco, Estado forte que luta pela cultura viva. O movimento estudantil está atento para seguir lutando e propor os rumos das políticas públicas em Pernambuco e no Brasil”, disse.

Une Volante

A Coordenadora do Cuca da UNE, Camila Ribeiro apresentou como a UNE Volante pode contribuir na questão cultural. “A caravana da UNE Volante dos anos 60 reivindicava reformas e impulsionou artistas incríveis como Eduardo Coutinho. Agora, nossas possiblidades são ainda maiores. Em Belém encontramos 180 estudantes indígenas que estão inseridos na universidades e querem mostrar a sua cultura. O nosso projeto de regulamentação de festa é para pensarmos para além da sala de aula e incluir a comunidade. E justamente isso é a contribuição que a UNE Volante pode dar para o Brasil. É pensar e colocar em prática uma concepção de Universidade conectada com a sociedade e que não se encerre nos seus muros”, disse.

A Vice-Presidenta da UNE, Jessy Dayane abre a sua fala cantando um trecho de “Minha História”, de João do Vale. O baião  conta as desventuras de quem busca equilibrar trabalho, estudo e arte. “Estamos aqui por uma causa coletiva. Essa possibilidade de escola gratuita, democrática, está ameaçada. Não podemos seguir sem peso na consciência sem pensar nesse futuro de quem ainda não entrou. Cultura é construção e transforma realidade de sujeito a partir que sua realidade. O Carnaval em Recife foi marcado de manifestações contra o golpe. O nosso papel aqui é conquistar consciências com os debates da UNE Volante e com o Festival Inquietações, mas não tiramos do horizonte que precisamos de mobilização para garantir a democracia e ter Lula livre”

Os estudantes fizeram colocações sobre a participação do Movimento Estudantil e da Universidade no formento cultural como agente mobilizador.

Democracia

Marianna Dias encerrou o debate afirmando o papel crucial que a Cultura exerce. “Os golpistas se utilizam do nosso futebol e das coisas que o nosso povo gosta para manipular. A Cultura também é uma forma de dominação. Por isso, os estudantes gritam por uma sociedade livre um País com democracia onde a gente consiga debater as políticas que queremos e que nos representam. Por isso estamos aqui hoje em Pernambuco e vamos percorrer o País. Viva a UNE Volante!

No final, os estudantes pegaram suas alfaias e cantaram músicas dos movimentos sociais.


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