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LUGAR DE MULHER É … NO RAP!

30/04/2015 às 11:47, por Renata Bars.

“É mulher que sofre violência doméstica, é mulher que sofre violência estética, é mulher que sofre violência do dia-a-dia. Você é branco e hétero, não sabe qual que é a da minoria”. Apelidada de ‘’Sweet’’ (doce em inglês), Bárbara Bretas Coelho, a MC mineira de 28 anos foi quem proferiu as palavras acima citadas.

Quando fez essas rimas, Bárbara Sweet respondia ao MC Pasquim, na famosa Batalha de Santa Cruz, realizada em São Paulo, em setembro do último ano. O episódio fez com que a MC estourasse nas redes sociais e abriu caminho para a discussão sobre o papel feminino num ambiente ainda tão dominado pelos homens.

Em um bate-papo com a coluna “Lugar de mulher é… onde ela quiser!”, a MC conta um pouco sobre suas inspirações, o feminismo, os desafios dentro do rap e dá seu recado para as meninas que se interessam em ingressar na rima”Venham! Busquem conhecimento sobre a cultura Hip Hop que é maravilhosa e vem somar na linha frente!’’

O ÍNICIO

“Meu interesse (pelo rap) surgiu em 99 quando eu ainda tinha uns 13 anos. Comecei ouvindo racionais, Wu Tang, Visão de Rua, Naldinho… Enfim, logo estava viciada. Foi amor à primeira ouvida. A partir daí eu comecei a buscar e aprender sobre a cultura Hip Hop. Já cantava, mas num esquema voz e violão e comecei a improvisar com o rap.”

Bárbara afirma que também se inspirou em diversas figuras femininas.

“Dina Di foi a primeira mulher que eu ouvi mesmo, no Visão de Rua. Tinha as gringas também, LadyBug, Rah Digga, Lauryn Hill no Fugees. Mesmo de longe todas essas mulheres me apoiaram’’, contou.

MACHISMO NO RAP

O rap é um gênero musical constantemente acusado de ser machista. Contudo, Bárbara avalia que embora a tradição feminina no hip-hop venha sendo garimpada com dificuldades, mais mulheres têm tido espaço na cena. “Isso é fruto de muito, muito, muito trabalho e também de uma rede de contatos que se multiplicou, pelo menos no meu ponto de vista. Hoje temos mais mulheres produtoras, b.girls e dançarinas, grafiteiras e djs. Não é o ideal e nem o suficiente, nunca. Mas acho que ver mais mulheres nesses espaços, traz maismulheres pra esses espaços’’, disse.

Sua participação na Batalha de Santa Cruz hoje serve como inspiração para outras mulheres.

‘’Acho que a visibilidade virtual (depois da batalha) aumentou muito, também a discussão sobre o feminismo, o espaço da mulher no rap deu uma fervilhada’’, avaliou.

Sobre o que mudou em sua vida, após o sucesso do vídeo Bárbara diz que recebeu muito apoio. ‘’Tive as caixas lotadas de mensagens lindas de pessoas que me encheram de amor, sororidade… E alguns me fritando, ameaçando e chamando pra batalha’’, divertiu-se.

FEMINISMO

Com um perfil no Facebook recheado de declarações assumidamente feministas, a MC afirma que sempre acreditou na união dasmulheres.

‘’Acho que o feminismo está na gente. Sempre acreditei que juntas éramos mais fortes e com esse pensamento, antes mesmo de me intitular como feminista eu e a MC Paula Ituassu fizemos em Belo Horizonte a ‘’h2grrls’’ uma festa onde só mulheres eram atração. O feminismo me atingiu mesmo em 2012 quando sai de uma relação bem abusiva, e lendo textos sobre isso eu encontrei uns blogs bem legais de feministas. Isso me ajudou em tudo. Eu que inclusive tinha parado de rimar, retomei meu sonho e entrei pras batalhas. O feminismo me libertou’’, destacou.

Mãe de uma garotinha de 6 anos, Bárbara apoia pautas como a luta por mais creches na universidade, defendidas pela UNE.

‘’Fiquei solteira minha filha tinha 1 ano. Foi bem difícil, eu trabalhava várias horas no shopping e não tinha como encaixar uma faculdade no meu dia. Nem a música e nada. Gastei caro com escolinha, creche, e deixei de lado meus sonhos, projetos… Só consegui retornar ao rap quando ela fez 5 anos. Acho que esses projetos são fundamentais para empoderamento das mulheres e estímulo para não desistir do que for, seja estudar, trabalhar, o que for’’, falou.

NOVOS HORIZONTES

Além de uma agenda de shows em várias cidades e um projeto intitulado “Mina no Mic”, com o objetivo de aumentar a participação feminina no hip-hop, Sweet também está gravando seu disco de estreia.

‘’Estou em processo de criação do meu primeiro disco D.O.C.E ( Dose Ostensiva de Caligrafia Explicita) e estou me dedicando para fazer um disco amplo que discuta, divirta e emocione. Acho que é a expectativa de todo artista né?’’, ponderou.

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