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Laura Capriglione: Por vida nova no jornalismo brasileiro

12/06/2015 às 18:17, por Bruno Huberman.

Entrevista com a fundadora do Jornalistas Livres, que esteve presente no 54º Congresso da UNE, em Goiânia

A repórter Laura Capriglione fez da sua escrita uma trincheira de defesa de direitos dentro da imprensa. Veterana da luta contra a ditadura militar, ela registrou o avanço da igualdade de gênero no Brasil, denunciou o caos no sistema carcerário, apontou arbítrios de agentes da lei.

Em 2013, com a mídia comercial cada vez mais antidemocrática, Laura abriu um caminho próprio na Ponte.Org, um canal de informações sobre segurança, justiça e direitos humanos. Hoje soma esforços na rede Jornalistas Livres, um sopro de ar fresco na paisagem da mídia independente do Brasil.

Esse pessoal chega com a proposta de fazer um jornalismo plural, que desafia clichês e limites das corporações de mídia. Laura dividiu experiências com os estudantes no 54º Conune e trocou outras ideias com o Nossa Voz especial do congresso:

O que é o Jornalistas Livres?

Uma rede de coletivos de mídia que se reuniram a partir de São Paulo, quando vimos que estava vindo uma maré de muito conservadorismo. Reunimos um grupo de jornalistas para fazer a contra-narrativa do que a mídia tradicional noticiava sobre aquele ato da avenida Paulista, em março. Um ato golpista, mas que estava sendo noticiado como um encontro da família brasileira pela democracia. Percebemos que precisávamos continuar, pois a grande mídia faz um trabalho de manipulação que criminaliza e torna os movimentos sociais invisíveis.

Como tem sido fazer um jornalismo mais militante?

É engraçado, porque fica parecendo que somos militantes e a outra mídia não é militante. Partimos do pressuposto que a mídia tradicional tem um ponto de vista, nós também temos e queremos que as pessoas escolham qual é o melhor. Agora achar que a Veja é uma revista que faz jornalismo isento beira a ingenuidade infantil.

Como estão buscando modelos de financiamento?

Estamos fazendo financiamento coletivo online pelo Catarse (catarse. me/jornalistaslivres). Chamamos os leitores, pessoas que se sentem representadas pelos Jornalistas Livres, para ajudar com pequenas doações, como R$ 10 ou R$ 20, e gerar um caixa para criarmos um site, custear uma sede e comprar equipamentos básicos para o exercício do jornalismo.

O caminho para democratizar a comunicação é por meio das redes?

O Guilherme Boulos, do MTST, faz uma analogia legal: “Somos trabalhadores sem-teto e precisamos de moradia. Poderíamos ficar esperando a reforma urbana, mas enquanto isso não acontece vamos ocupar os imóveis vazios e realizá-la na prática”. Os Jornalistas Livres começaram a fazer isso. Queremos a regulamentação de uma mídia democrática, mas não vamos ficar parados. Vamos ocupar os espaços vazios.

Qual a importância do debate sobre a democratização da comunicação no Congresso?

É fundamental porque a juventude é mais sensível do que qualquer outro setor à questão das novas tecnologias e a democratização das mídias passa muito pelas novas tecnologias. E também é o setor mais sensível às demandas de direitos humanos, democracia e direitos sociais. É muito bom falar de mídia livre para quem tem mais necessidade de se expressar, que são os jovens.

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