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Jully Anne – candidata a vereadora pelo PCdoB em Anápolis (GO)

13/09/2016 às 17:15, por Cristiane Tada.

Meu nome é Jully Anne, mas muitas pessoas me chamam de Anne, tenho 27 anos e milito no movimento estudantil desde 2001. Na época eu não sabia, de fato, o que era o movimento estudantil. Contudo por ser filha de professor da rede de ensino estadual em Goiás, com certeza meu lugar não seria outro senão nas manifestações grevistas por melhores condições de trabalho, salário digno e plano de carreira e formação.

Encerrei as atividades no movimento estudantil secundarista em 2008, quando com muita alegria comecei a estudar licenciatura em Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás. Nesse ano foi que conheci o Partido Comunista do Brasil e passei a me aproximar da União da Juventude Socialista. 2008 foi o ano das expansões das universidades, o PROUNI também estava em seu início. Como estudante de baixa renda, que tinha que pegar 3 ônibus, no mínimo, para chegar à capital e então me direcionar ao bairro onde está localizada a universidade, via essas políticas como possibilidades. Outras jovens, assim como eu, poderiam conquistar espaços na sociedade e condição para viver com um mínimo de dignidade.

Fazer parte do movimento estudantil nessa época não era nada fácil. O REUNI não era uma política muito popular e várias vezes fui humilhada, criticada, rechaçada por defender uma “medida populista”. Isso não me desmotivou, sabia de minhas origens e da carência que o povo brasileiro tinha de oportunidades.

Hoje estudo Políticas Públicas na Universidade Federal de Goiás, pensar o desenvolvimento através de políticas sociais foi o que me inclinou a escolher essa nova graduação. Atuo no movimento estudantil como Diretora de Cultura da União Estadual de Estudantes, uma gestão que começou no início deste ano após 6 anos de abandono. É uma missão complexa, mas faremos o que for preciso para que Goiás tenha a UEE que precisa.

Por que você é candidatA?

Quando, em minha adolescência, comecei a questionar as ações dos governos de meu estado também pude perceber a ausência de representação de tudo aquilo que pertencia minha vida e formação. Durante as inúmeras lutas encampadas como mulher, pobre, jovem, estudante e periférica o que estava no meu horizonte e de meus pares era desesperança pois mesmo que estivéssemos com as soluções em nossas mãos, não tínhamos para quem recorrer e vê-las sendo postas em prática.

É necessário que jovens e mulheres estejam nos espaços de decisão e estejam em consonância com as necessidades da população.

Qual sua proposta para juventude?

A juventude precisa ser ouvida, respeitada, ter espaços de sociabilização adequados, precisa inescrupulosamente exercer seu direito de ir e vir livre de taxas para a execução de seus direitos. Precisa experienciar os espaços da cidade e fazer destes palcos para novas ideias.

As pautas para a juventude têm de ser pensadas de forma transversal, pois a juventude passa por entraves em todos os setores.

Meu compromisso com a juventude é de garantir que esses desejos se tornem realidade através da criação da Secretaria Municipal de Juventude em conjunto com o fundo municipal de políticas públicas para a juventude.

Tenho muito orgulho de ter participado da criação do Conselho de Juventude em minha cidade, este conselho precisa ser fortalecido, precisa de visibilidade na cidade para crescer e se consolidar.

O jovem deseja contribuir com o desenvolvimento do país e se entende enquanto consumidor por isso quer entrar para o mercado de trabalho e precisa de formação qualificada e continuada. O governo tem de se comprometer com esta formação à garantindo em todos os níveis, seja através da descentralização dos programas seja com a garantia a acessibilidade aos programas de formação.

A compreensão aqui deve ser de que essa contribuição não se dá somente nas formas tradicionais da economia, vinculadas hoje tão somente ao comercio e a indústria. Portanto expandir o que se entende como ações fundamentais para o desenvolvimento social faz parte dessa compreensão assim como dar aos jovens a condição de se pensar novas formas do fazer econômico e social.

Qual a sua proposta para Educação?

O jovem deve estar em espaços adequados para sua socialização e esta é imprescindível a sua formação.

A ideia é abrir seus portões das escolas compreendendo o que a juventude já entendeu (e deu uma aula durante a primavera secundarista), a escola é o melhor espaço para o jovem, entretanto os espaços de ensino que temos hoje não transmitem essa ideia, pelo menos não ainda.

Precisamos da aprovação de um Plano Municipal de Educação que não seja excludente, misógino, que respeite os debates de gênero e diversidade. Que incentive o livre pensamento e a criticidade.

Sem esquecer daqueles que são os mediadores desse conhecimento, a eles todo meu compromisso com a valorização de seu trabalho.

Além de democratizar os espaços é preciso pensar na organização dos mesmos, uma das formas são as praças das ciências, experiência já realizada em outros estados que pretendo pôr em prática em minha cidade.

Ampliar a biblioteca municipal.

Incentivar e dar continuidade ao projeto realizado pela SEMCTI robótica educacional o ampliando para o ensino formal.

Construir mini praça de skate nas escolas, possibilitando assim a realização do projeto Loop nas Escolas. Escrevi esse projeto no ano de 2012, consegui sua aprovação na conferência de juventude municipal, mas ainda não saiu do papel. O seu objetivo é ampliar a prática esportiva, desmitificando o olhar preconceituoso e colocando em ação as ações do currículo informal.

A Educação é muito mais que a escola. É o principal instrumento de transformação de uma sociedade e, portanto, não pode estar limitada a um espaço apenas.

É central que os cidadãos possam ocupar os espaços da cidade. Parques, praças, teatro, cinema, centros esportivos, galerias de arte, museus, entre outros também são espaços de aprendizado onde o cidadão deve fazer uso para se formar e para isso é preciso que tenha a garantia do acesso a esses locais.

Acesso é um dos principais termos que precisamos garantir. Hoje as políticas realizadas pelo governo municipal, embora sejam de qualidades, somente se atem ao ensino básico e não a todos os estudantes residentes na cidade. É preciso garantir que todos os estudantes tenham condições de chegarem a seus espaços de ensino, em todos os níveis. Isso faz parte do nosso compromisso com a erradicação do analfabetismo.

A favor ou contra o Escola sem Partido?

Sou completamente contra. A escola sem partido nasce em um momento aonde a sociedade brasileira carece emergencialmente de compreender seu papel. Negar a realidade, não a torna melhor. É vital que nossos jovens possam compreender todas as instâncias de poder para transformar aquilo que ainda está atrasado. Eu quero ver jovens, mulheres e todas as minorias representadas, acredito que a escola sem partido não dialoga com essa ideia.

Tem alguma proposta para mobilidade? Qual?

Tenho sim. Acredito que a cidade de Anápolis ainda é pouco desenvolvida no que diz respeito as boas práticas que facilitariam os fluxos de transito.  Temos que incentivar o uso das ciclovias e lutar para a ampliação das mesmas, criar um sistema de bicicletas de uso coletivo em diversos setores da cidade.   Somos a terceira maior cidade do estado e ainda não contamos com uma rota de ônibus inteligente e livre de furtos e roubos na madrugada. Isso precisa mudar. Passe livre irrestrito e universal para todos os estudantes.

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