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Juca Ferreira: ‘’A cultura é soberana e complexa’’

30/01/2017 às 16:48, por Renata Bars.


Ex-ministro da cultura participou do primeiro dia da 10ª Bienal da Une em Fortaleza e concedeu entrevista ao site da UNE

A reinvenção da cultura na defesa da democracia foi o tema do encontro que o ex-ministro da cultura Juca Ferreira participou na tarde de domingo (29), em Fortaleza, durante a 10ª edição da Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Antes do debate, o ex-ministro concedeu entrevista ao site da entidade e falou sobre cultura e transformação social, a quase extinção do MinC e a importância da cultura cearense.

‘’ A cultura é uma dimensão que muitas vezes é subestimada, muitas vezes até invisibilizada nas análises, mas de qualquer jeito ela é soberana e se afirma permanentemente como uma instância complexa que se relaciona com todas as outras dimensões’’,disse.

Confira na íntegra:

A cultura é elemento indissociável ao processo de transformação social?

A cultura é parte desse processo. Não é indissociável. Não há como você pensar em transformação sem pensar em transformação de valores, projetos, perspectivas. Toda a dimensão subjetiva e cultura está presente em qualquer projeto político, em qualquer momento histórico da sociedade. A cultura é uma dimensão que muitas vezes é subestimada, muitas vezes até invisibilizada nas análises, mas de qualquer jeito ela é soberana e se afirma permanentemente como uma instância complexa que se relaciona com todas as outras dimensões.

Neste período em que a cultura está sendo tão ameaçada, tivemos até uma tentativa de extinção do MinC, como podemos resistir e reinventar a cultura?

A cultura não depende do MinC para existir. A cultura é uma dinâmica complexa, a sociedade produz cultura em todas as condições sociais e políticas. É uma complexidade enorme do sistema cultural, ainda mais num país como o Brasil, com uma diversidade enorme, a cultura tem desde as manifestações tradicionais, as manifestações urbanas, as linguagens, é realmente uma complexidade muito grande. Contudo, é evidente que na sociedade contemporânea o Estado tem um papel importante no sentido de criar as condições para o pleno desenvolvimento cultural e para o acesso pleno por parte de todos. Isso é o que está prejudicado: as políticas de fomento, de incentivo, de financiamento, os processos de disponibilizar uma infraestrutura para os criadores e para a população ter acesso à arte, isso está muito prejudicado. O atual ministro é defensor da extinção do MinC, já declarou que o Brasil não precisa de ministério da cultura, por aí podemos ver a dificuldade que ele tem de compreender o momento que a humanidade vive, a importância pra um país como o Brasil de fomentar o desenvolvimento cultural e disponibilizar meio para que a cultura seja acessível para todos.

A cultura cearense é uma das grandes homenageadas dessa Bienal. O que você acha dessa escolha?

O Ceará é um estado importante no nordeste, tem um governo progressista e sempre teve uma cultura muito ativa. Toda vez que eu venho aqui, a primeira coisa que eu lembro quando saio do avião é que antes da abolição o Ceará já tinha acabado com a escravidão. O gesto de se negar a colaborar com a escravidão foi importantíssimo. A cultura cearense tem uma importância grande como toda cultura nordestina, então acho que a homenagem é justa e cabe à UNE ir assumindo a diversidade cultural brasileira.

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