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João Leonardo da Silva Rocha? Presente!

24/08/2017 às 19:17, por Redação.


Advogado assassinado pela ditadura terá corpo exumado Palmas de Monte Alto (BA) em processo de reparação

Depois de 42 anos nesta segunda-feira (28) inicia mais uma passo no reconhecimento da história do advogado e militante dos movimentos sociais João Leonardo da Silva Rocha, perseguido e morto pela ditadura militar em 4 de novembro de 1975 aos 36 anos.

Na data peritos da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) chegam a cidade de Palmas de Monte Alto no interior da Bahia para iniciar os trabalhos de exumação do corpo do militante.

“Desde a finalização dos trabalhos da Comissão da Verdade que nós não tínhamos mais a exumação específica sobre um ex-preso político da ditadura. Isso faz justiça à luta dos militantes pelo direito a memória e a verdade que são fundamentais nesse processo de jogar luz sobre esses fatos como no caso de Ivan Seixas que foi essencial na descoberta desse caso; aos familiares do João Leonardo como o Mário Rocha e a comunidade sertaneja da Região do interior da Bahia que tem agora a oportunidade de conhecer melhor esse caso”, destacou Wanderson Pimenta, advogado encarregado da Comissão da Verdade para tratar desse caso.

Às 19h a programação prevê a realização de um ato público de abertura dos trabalhos da semana no salão principal da Câmara dos Vereadores de Palmas de Monte Alto.

Túmulo onde está enterrado João Leonardo na cidade de Palmas de Monte Alto (BA)

Para que nunca se esqueça e nunca mais aconteça

Para o diretor de movimentos sociais da UNE e estudante de Arquivologia da UFF, Caio Teixeira, “a exumação é muito importante para o resgate da verdadeira história do lutador que morreu e foi enterrado como um pistoleiro”.

João Leonardo foi um dos militantes contrários à ditadura militar que mais se destacou no período. Ele participou de um dos episódios mais famosos da resistência: foi um dos 15 presos políticos libertados em setembro de 1969 em troca do embaixador dos Estados Unidos no Brasil sequestrado.

Enviado ao México, ele foi oficialmente banidos do país. Data deste período, o último contato com seu irmão Mario Rocha Filho. O então militante da Movimento de Libertação Popular (Molipo) retornou ao Brasil em 1971 e tentou permanecer no país de maneira clandestina, estabelecendo-se em São Vicente, na Zona rural de Pernambuco. Lá raspou totalmente a cabeça e era conhecido como Zé Careca. Mesmo assim, passou a desconfiar que poderia ser identificado naquele local. Fugiu então para o interior da Bahia, onde terminou sendo localizado e morto em 1975, em um choque com agentes da Polícia Militar, no município de Palmas do Monte Alto, em praça pública num confronto que virou lenda na pequena cidade. Foi enterrado no cemitério do mesmo município com o nome falso de José Eduardo Lourenço e difamado como um perigoso pistoleiro.

Com o passar dos anos, a verdade foi vindo à tona e as pessoas da região perceberam que, na verdade, ali foi morto um dos heróis da resistência brasileira à ditadura do período de 1964 a 1985. Dessa forma, aqueles que presenciaram o seu enterro passaram a dar informações sobre a localização de sua sepultura.

A vida de João Leonardo já foi registrada em reportagem especial feita pela TV Record, que reconstituiu o cerco e sua execução. Assista:

 

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