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Isa Penna – candidata a vereadora pelo PSOL São Paulo (SP)

13/09/2016 às 17:12, por Renata Bars.

Meu nome é Isa Penna, tenho 25 anos e sou advogada trabalhista formada pela PUC-SP, especialista em casos de assédio contra as mulheres. Comecei a me interessar por política aos 15 anos, quando comecei a ajudar a editar o jornal dos estudantes do meu colégio, o Sagrado Coração de Jesus, porém passei a atuar mais cotidianamente quando entrei na PUC-SP em 2009, onde estudei até 2014.

Durante os 6 anos de PUC-SP, fui da gestão do Centro Acadêmico 22 de agosto nos anos de 2010 e 2013 com o grupo “Construção Coletiva”. Também participei por alguns anos da Federação Nacional dos Estudantes de Direito (FENED), além de ter sido uma das criadoras, em 2010, do coletivo feminista Yaba (Direito da PUC-SP), um dos primeiros coletivos feministas universitários a surgir e que hoje, felizmente, são bastante comum nas universidades.

Durante todo meu período universitário, lutei contra a forte elitização que a PUC-SP passou, através de campanhas pela abertura de editais de bolsas de ensino, contra o aumento da mensalidade, por restaurantes mais baratos dentro da instituição e pela laicidade do ensino, combatendo as influências da Igreja Católica na universidade. Creio que o momento mais marcante desta trajetória foi durante a greve geral que organizamos em 2012, contra a intervenção do Vaticano na eleição da reitoria a partir da nomeação para o cargo da candidata derrotada (Anna Cintra). Construimos uma greve que durou mais de 2 meses e que paralisou completamente a universidade.

1) Por que você é candidata?

Vivemos em uma sociedade extremamente desigual e opressora, que traz sofrimento todos os dias para a população mais pobre, especialmente para as mulheres, LGBTs e a negritude. É a vontade de transformar esta realidade que fez eu me engajar primeiramente no movimento estudantil e em seguida no movimento feminista e outros movimentos sociais.

Ser candidata partiu da leitura de que a luta que travarmos todos os dias nas ruas se fortalece quando temos parlamentares alinhados com ela. É necessário que as mulheres e a juventude ocupem todos os espaços da sociedade, inclusive as câmaras de vereadores, e estejam construindo cotidianamente seus mandatos coletivamente para sermos vitoriosos. Creio que não podemos ver a luta nas ruas e as eleições como coisas opostas, mas ser candidata só faz sentido se for para fortalecer os movimentos sociais, sem esperanças de que ser parlamentar deslocada destes movimentos possa fazer alguma mudança significativa para a população.

2) Qual sua proposta para juventude?

A juventude hoje, especialmente a negra que vive nas periferiais das cidades, tem como desafio prioritário se manter viva, já que vivemos um verdadeiro extermínio feito pelo Estado e, dessa forma, uma luta prioritária é pela desmilitarização da Polícia e das Guardas Civís Metropolitana. Além disso, precisamos buscar medidas que façam os jovens se sentirem valorizados na sua condição social, a partir do incentivo para a cultura periférica; de uma educação comprometida com a realidade dos estudantes e com o passe-livre nos transportes permitindo que possamos circular livremente pela cidade, por exemplo.

Mais especificamente para as mulheres jovens, que é meu maior foco de campanha, creio que precisamos ter duas propostas centrais: a primeira é o combate à violência contra a mulher, a partir de uma PL que amplie o investimento nessas políticas com campanhas preventivas e com a ampliação e qualificação da rede de acolhimento para as vítimas de violência; e a segunda é a de medidas que visem garantir tempo para que possamos aproveitar melhor a cidade, participar da política, praticar esportes ou produzir arte e isso só é possível a partir de responsabilização do Estado pelo trabalho doméstico, a partir de mais creches públicas, restaurantes coletivos e lavanderias comunitárias.

3) Qual a sua proposta para Educação?

Existem dois pontos importantes da educação que são de âmbito municipal. O primeiro dele são as creches: São Paulo hoje vive hoje uma defasagem de quase 100 mil vagas nesta fase de ensino. Esta falta de vagas prejudica a socialização das crianças e afeta concretamente as mães destes bebês, que vêem sua dinamica de vida completamente prejudicada com a dificuldade de achar locais para seus filhos e filhas ficarem quando vão ao trabalho, para a universidade ou em algum evento cultural. Isso se torna ainda mais grave quando essa responsabilidade, que quando não é coberta pelo Estado é geralmente dada apenas à mãe da criança, a impede de estabelecer uma independência financeira para estar fortalecida caso precise sair de um relacionamento abusivo ou de se divorciar após um caso de violência doméstica. Precisamos cobrar a prefeitura para acabar com este triste quadro.

O segundo ponto é que também é de competência municipal a maneira pela qual a escolas se organizam. Por isso estamos proponto a campanha “Escola Sem Polícia”, tentando criar uma batalha para as escolas sejam um local de liberdade e emancipação e não de repressão e de pensamento único. Nossa ideia é contribuir com a luta secundarista, que ocupou mais de 300 escolas em São Paulo no ano passado, combatendo e denunciando a presença física de policiais nas escolas e a lógica policialesca de educação, existente tanto no ambiente escolar quanto no próprio projeto pedagógico das escolas.

4) A favor ou contra o Escola sem Partido?

Completamente contra. Como já dito, a escola não é local de pensamento único como propõe a lei “Escola Sem Partido”. A suposta “neutralidade” defendida por alguns dos partidários do projeto é, na verdade, uma escolha de fortalecer um lado que já é o mais forte. É por isso que, mesmo com o projeto sendo barrado em âmbino nacional no Congresso, o nosso debate continua. Não basta deixar a escola como está hoje, onde elas mais se parecem com um depósito de crianças ou com uma prisão. É preciso reformulá-la para que os estudantes vejam nela um local de liberdade. É nesse sentido que construímos essa campanha, da “Escola Sem Polícia”, fazendo uma contraposição à esse projeto conservador de educação.

 

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