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Ingryd Fraga – candidata a vereadora pelo PSOL em Nilópolis (RJ)

13/09/2016 às 17:07, por Renata Bars.

Meu nome é Ingryd Fraga, tenho 19 anos e curso Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social na UFRJ. Sou moradora de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Iniciei minha militância a partir do PSOL Nilópolis em 2014, após conhecer a luta dos militantes locais numa cidade desigual e que sofre com as amarras do coronelismo e do clientelismo. A juventude daqui me fez acreditar que é possível um mundo mais justo e igualitário. Iniciar minha militância na periferia me ensinou a não perder o tato, a ser didática e horizontal nos debates, mas me ensinou, principalmente, a reconhecer as especificidades das mulheres periféricas, tornando-se então uma das pautas prioritárias na minha atuação política.

Em 2015, entro na UFRJ e sinto a necessidade de uma organização que seja além da partidária, que tenha base na realidade cotidiana dos cursos e mobilize na luta por uma educação superior inclusiva, gratuita e de qualidade, prezando também o combate às opressões e a saúde mental dos alunos. Assim ingresso no coletivo RUA Juventude_Anticapitalista e no DCE Mário Prata.

Com a expansão do ensino universitário pelo REUNI e o surgimento de cursos novos sem a devida estrutura e garantia orçamentária, o CaGesP (centro acadêmico do meu curso) passa a cumprir uma importante agenda de lutas na UFRJ, sendo o primeiro curso a aderir a greve de 2014. Este cenário o credencia como referência no movimento estudantil da universidade, e então já inicio o curso reconhecendo a importância de construir sua gestão.

Atualmente, estou secretária de combate às opressões no PSOL Nilópolis, construo o RUA em diversas instâncias; a plataforma de cidade “Por Uma Nilópolis Nossa” e minha candidatura à vereança no município.

Por que você escolheu ser candidata?

A construção desta candidatura foi uma decisão coletiva do campo político que construo no PSOL, após avaliarmos as dívidas históricas do município de Nilópolis com a sociedade, sendo uma delas a inserção das mulheres na política. Começar este projeto no município – principalmente sendo localizado numa periferia do Rio de Janeiro, que é a Baixada Fluminense – virou um desafio, mas um desafio motivador. Como muitos de nós construímos outras entidades (coletivos, correntes, movimentos estudantis, sociais e populares), sabemos que para atuar aqui é necessário ter cautela e pedagogia. Ao levantarmos a pauta das mulheres, que é o eixo da minha campanha, estamos alegando que existe um outro jeito de se fazer política: pautando a importância da representatividade, contando com a participação popular e mostrando que aquilo que tratam como jogo de interesses, deveria ser, na prática, ações que geram um bem estar comum.

Qual sua proposta para juventude?

Numa proposta mais geral, queremos fazer com que a juventude se sinta parte das decisões políticas. Um dos caminhos é promover debates em praças públicas, seja sobre temas sociais, seja sobre o orçamento municipal da cidade e em quais setores os investimentos devem ser prioritários. Esta aversão que a maioria massacrante dos jovens têm pela política, é justamente por não se sentirem representados.

Mas a juventude também possui especificidades. Na Baixada Fluminense, por exemplo, o extermínio da juventude negra é o maior do Estado do Rio de Janeiro, assim como os casos de violência contra as mulheres e contra os LGBTs, geralmente seguidos de morte. Portanto, é muito necessário desenvolver programas de proteção aos jovens destes setores, para que preservemos suas saúdes mentais, suas integridades físicas e reduzamos os índices de homicídio e suicídio. Devemos priorizar também a criação de políticas públicas para o combate às opressões.

Além de:

Incentivar programas esportivos contando com suas devidas estruturas, especialmente para a juventude, que deposita no esporte e no lazer as suas perspectivas e também é uma ferramenta de auxílio para a formação cidadã;

Promover e estimular atividades culturais, preferencialmente em espaços públicos, para que a população tenha acesso e valorize a diversidade das muitas camadas sociais, regionais, raciais e religiosas. Este acesso à informação, principalmente na juventude, expande a criatividade, a empatia e as relações interpessoais;

Propor programas integrados de esporte e cultura voltado aos jovens, para que suas práticas/criações sejam formas de geração de renda, e que este investimento venha através do fundo municipal de esporte e cultura;

Garantir o passe-livre irrestrito para a juventude. A mobilidade urbana é fator essencial para o acesso aos recursos urbanos, integrando o direito à educação, saúde, cultura e lazer.

Qual a sua proposta para Educação?

Priorizar uma educação pública, gratuita, de qualidade, emancipatória e inclusiva.

Lutar pela garantia mínima de 35% do orçamento do município para a educação.

Direito ao debate! Em Nilópolis, o projeto “Escola Sem Partido” tem outro nome e já é realidade há tempos nas escolas públicas municipais. Abordar o debate de gênero é proibido por lei e o único veículo informativo municipal é totalmente parcial, com direito a agradecimento para esta iniciativa.

Democratização das escolas: eleições diretas para os cargos de direção nas escolas municipais (em Nilópolis funciona por indicação); estimular os estudantes a se organizarem em grêmios, sem o aparelhamento dos setores da gestão municipal.

Estrutura para quadras poliesportivas nas escolas municipais e, caso não haja possibilidade, efetivo direito ao uso das quadras poliesportivas nas praças públicas durante os horários de aula de Educação Física.

Aulas extra-curriculares, as quais os alunos possam optar pela sua preferência: dança, ioga, lutas, libras, xadrez, línguas estrangeiras etc

Programas de educação ambiental, que pautam a preservação, a sustentabilidade e o cuidado com os bens naturais.

Valorização do funcionalismo público: um novo plano de cargos e salários para professores e demais funcionários da educação; melhores condições de trabalho, de infraestrutura e equipamentos para os profissionais da área.

Ampliar a rede de creches. Em Nilópolis, contamos com apenas duas creches. Somos o segundo município do Rio de Janeiro com a maior densidade demográfica. Possuímos 15 bairros, faixas-etárias relativamente jovens, sobretudo de mulheres que se inserem cada vez mais no mercado de trabalho. Estas deslocam-se para o centro econômico do Rio de Janeiro e ficam desamparadas sobre com quem os filhos ficarão aos cuidados.

A favor ou contra o Escola sem Partido?

Contra. O projeto, que tramita nas diversas esferas institucionais, justifica-se supondo “doutrinações” e carrega consigo a censura de determinadas correntes de pensamento. Isto acarreta a quebra da multiplicidade de ideias nas escolas, empobrece, precariza e transforma o ensino em algo estático. Evidentemente a tendência de pensamento da direita conservadora e excludente é privilegiada neste caso. Acredito que em todo o espaço que nos inserimos, a análise das nossas vivências e realidades possuem um tensionamento: nada é neutro, seja explícito ou velado. A ciência, a religião, a educação… se não forem pensadas de forma absolutamente democrática, participativa e plural, acabam perdendo seus propósitos.

Apresentar as diversas visões de mundo que temos é uma necessidade para a formação e discernimento de todo e qualquer cidadão. O projeto “Escola sem Partido” é um ataque ao livre pensar, que retira o direito ao debate para aplicar somente uma ideia, indo na contramão do fomento a autonomia e crítica, pilares de uma educação verdadeiramente democrática.

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