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Haddad: universidade tem que responder à sociedade

16/06/2017 às 17:53, por Natália Pesciotta / Foto: Henrique Silveira / Francisco Proner | CUCA da UNE.

Reforma universitária foi tema do debate
Foto: Henrique Silveira

Em mesa sobre democratização do ensino superior e nova universidade, ex-ministro da Educação e prefeito de São Paulo debateu o futuro da educação

“Sou o primeiro da minha família na faculdade.” O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad diz que acostumou-se a ouvir esse mesmo relato de algum jovem, em todos os encontros estudantis dos quais participa. Não foi diferente nesta sexta-feira (16), em auditório lotado e heterogêneo na UFMG. A democratização do Ensino Superior e a nova universidade foram tema de debate no 55° Congresso da UNE.

Além de retomar a história do ensino superior no Brasil, a conversa se voltou para o que ainda falta na reforma universitária. O consenso é: quem entrou na universidade quer ficar e ter sua identidade reconhecida na graduação, pesquisa e extensão.

Projeto de nação

“Impossível pensar no ensino superior público deslocado de um projeto de nação”, afirmou o ex-presidente da UNE e ouvidor de Minas Gerais Wadson Ribeiro. A ex-diretora da entidade e ex-consultora da Unesco Juliana de Souza concordou, recuperando a luta do movimento estudantil pela reforma universitária ao longo do século 20. Com projeto neoliberal dos anos 1990, a educação sofreu diversos ataques.  Já a partir de 2003, os estudantes tiveram voz para construir projetos e terem suas reivindicações ouvidas. “As cotas, por exemplo, são um dos projetos mais marcantes para a nossa geração. Sou fruto disso”, diz a jovem, que foi cotista em uma universidade federal.

No entanto, Juliana colocou os desafios ainda presentes para transformações nos currículos e na gestão da universidade brasileira.

“Estávamos construindo isso quando tivemos o baque do golpe. Além de resistir, queremos dizer para onde ir depois que derrotarmos o projeto golpista. Ainda temos o sonho de uma nova universidade a serviço do povo brasileiro”.

Geyse Anne Silva, do coletivo Enegrecer, também ressaltou que os negros e negras que entraram na universidade querem mais mudanças na estrutura e “disputar o conhecimento dentro dela”. Para isso, segundo ela é preciso fortalecer referência negras, ter professores como parceiros, ter os não negros como aliados e “enegrecer” a formação e a produção de conhecimento.

As instituições e os anseios da sociedade

Muito aguardado pelo auditório, Fernando Haddad avaliou o atual cenário do país para a ecuação: “A situação de hoje dá clareza de que governos importam. Faz diferença um governo A, B ou C. Depois de ter vivido uma década de abertura do sistema educacional, temos risco de uma barreira para uma pauta que já estava dada como elementar, como o acesso à universidade”.

“Vivemos dois anos de crise e não temos notado presença da universidade, como instituição, nos debates sobre assuntos do País”

Haddad lembrou que os três governos que seguiram à Constituição de 1988 não demonstraram interesse em levar a Carta adiante, o que só aconteceu a partir de 2002, quando a UNE teve êxtase em sua jornada de lutas pela democratização do ensino. Mas destacou que, ainda assim, nem os governos de Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor foram tão radicais na agenda contrária à Constituição como o atual, que classificou como não democrático, não interessado na soberania nacional e nem voltado à área social.

Por fim, o ex-ministro fez questão de cobrar uma postura mais ativa da academia brasileira: “Vivemos dois anos de crise e não temos notado presença da universidade, como instituição, nos debates sobre assuntos do País. A nova universidade tem que refletir a democratização, como fez nos anos 1980, na primeira ‘Diretas Já’. Lembro disso quando era do movimento estudantil, neste período. E a universidade tem que refletir o coletivo que hoje ela representa, as aspirações da gente brasileira que chegou nas cadeiras para fazer a diferença”.

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