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Há um ano, Beto Richa promovia massacre aos professores do Paraná

29/04/2016 às 15:58, por Vinícius Mendes.

No dia 29 de abril do ano passado, a Polícia Militar – como em uma operação de guerra – deixou 200 professores feridos durante protesto em Curitiba

O Estado do Paraná quase inteiro não funciona desde a meia-noite de hoje. O luto – vestido de paralisação convocada pelos diversos movimentos sociais, entre eles a UNE, e sindicatos de trabalhadores paranaenses – é uma resposta do povo ao que ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente como Massacre do Centro Cívico, que completa um ano nesta sexta-feira (29).

Não à toa, o evento foi batizado de “Dia de Luto e de Luta”. Há um ano, em Curitiba, cerca de 1.661 mil soldados da Polícia Militar do Estado dispararam exatamente 2.323 balas de borracha e 1.413 bombas de efeito moral contra professores e servidores públicos do Paraná que, insatisfeitos com o governo de Beto Richa (PSDB), protestavam há dias na praça que leva o nome, justamente da civilidade.

Duzentos deles ficaram feridos, muitos deles fotografados com marcas ensanguentadas de bala no rosto.

Segundo a organização do evento, aproximadamente 35 mil pessoas estavam no Centro Cívico de Curitiba às 16h de hoje para lembrarem da covardia proporcionada por Richa e seus policiais.Entre elas, muitas estarão com a bandeira da UNE. “Viemos fazer nossa parte e representar os estudantes nesta luta iniciada pelos professores. Nós entendemos e compartilhamos com suas reivindicações e, mais do que isso, somos parte das pessoas que se sentiram envergonhadas com a agressão do governo Beto Richa aos seus servidores no ano passado”, explica o vice-presidente regional da UNE no Paraná, Bruno Meirinho. “Estudantes de várias universidades do Paraná estarão presentes no ato”, completa.

O evento acontecerá o dia todo em vários locais de Curitiba, como a Praça Santos Andrade e a Praça Rui Barbosa. No final do dia, todos se encontrarão no Centro Cívico – palco do massacre – onde haverá shows de Pereira da Viola e da banda de rock Detonautas.

Estão previstos discursos e presenças de diversas lideranças dos movimentos sociais, como a presidenta da UNE, Carina Vitral, e o presidente do Conselho Honorário do Serviço Paz e Justiça na América Latina, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, em 1980.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) vai aproveitar o dia para promover a Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, que vai debater a importância do educador no processo de ensino no Brasil, e haverá um cortejo até a sede do governo do Paraná, o Palácio Iguaçu.

O MASSACRE DO CENTRO CÍVICO

O Massacre do Centro Cívico aconteceu no dia em que os deputados estaduais votavam o Projeto de Lei 252/2015, proposto por Richa, que modificava a Previdência Social dos educadores e reestruturava os fundos previdenciários do Estado. Por meio dela, o governo pretendia migrar os pagamentos de aposentadorias do Fundo Financeiro, custeado pelo Tesouro do Estado, para o Fundo Previdenciário, pago, justamente, pelas contribuições dos trabalhadores vinculados ao governo.

Em outras palavras: o governo estadual deixaria de pagar sozinho as aposentadorias e repassaria parte da conta para os próprios servidores.

> Veja nota de repúdio da UNE no dia do massacre clicando aqui

Enquanto a votação acontecia, os professores se manifestavam do lado de fora do parlamento paranaense, contidos pela truculência da PM. Segundo levantamento da Rede Brasil Atual, 15% do contingente da PM do Paraná participou do ato, disparando uma bomba a cada 24 segundos.

Os servidores ainda permaneceriam em greve por mais 73 dias, não antes da Assembleia do Paraná aprovar o projeto, com 31 a votos a favor e 21 contra. No dia 30 de abril do ano passado, a lei foi sancionada, significando uma derrota dos trabalhos perante o governo de Richa.

Mais do que isso: em março deste ano, a Justiça Militar do Paraná arquivou a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado sobre a operação. O juiz Misael Duarte Pimenta Neto, que analisou o caso, disse que a polícia “teve êxito” nos acontecimentos e que os líderes dos protestos agiram como “facções radicais”.

POSIÇÃO DA UNE

À época, a UNE e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) classificaram o massacre como uma “quarta-feira de horror” e lamentaram o despreparo da Polícia Militar, que agiu como se tivesse em uma “operação de guerra”, além de reiterar solidariedade aos manifestantes feridos.

“A violência da polícia paranaense contra os professores e servidores do estado mostra a face mais desprezível do governador Beto Richa, que não tem absolutamente nenhum respeito pela educação e pelo povo do Paraná. Utilizou-se da violência bruta para tentar acabar com uma mobilização pacífica com pauta justa e democrática, enquanto seus deputados aliados confiscavam a previdência dos servidores dentro da Assembleia Legislativa”, afirmou a presidenta da UNE na ocasião, Vic Barros.

Em novembro do ano passado, sem deixar de acompanhar o caso, a UNE apoiou e esteve presente no 52º Congresso da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Conupes), que debateu largamente o Massacre do Centro Cívico e, desde então, permanece sempre na luta contra os retrocessos dos direitos, como o proposto por Richa e que terminou no vergonhoso massacre dos nossos professores.

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