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Grupo Nóis de Teatro traz questões e dissensos da periferia para a Bienal

26/01/2017 às 17:27, por Cristiane Tada com edição de Artênius Daniel e fotos de Yuri Salvador.

 “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” será encenada em Fortaleza no próximo dia 30, segunda-feira, às 20h

A saga de Natanael, a infância infância vilipendiada e juventude de poucas escolhas de um menino negro da periferia que, de oprimido, passa a opressor. Esse é o enredo de “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”, da companhia fortalezense Nóis de Teatro que se apresenta na segunda-feira (30) às 20h dentro da mostra convidada de artes cênicas da 10ª Bienal da UNE.

A dramaturgia é assinada pelo coordenador do grupo Altemar Di Monteiro e recortada pelas narrativas e vivências dos atores durante o processo de pesquisa que incluiu trocas com comunidades quilombolas, com o movimento negro e com o movimento pela desmilitarização da polícia. A direção do espetáculo é de Murillo Ramos.

De acordo com Altemar o espetáculo surgiu em 2013 pela própria experiência comunitária do grupo. O Nóis nasceu há 14 anos e desenvolve projetos culturais na Grande Bom Jardim, região com mais de 200 mil habitantes que tem um dos maiores índices de violência do país e por isso foi integrada ao Território de Paz, projeto do governo federal que atua com políticas de inclusão e prevenção de crimes.

“Estamos há 15 anos aqui, todos vivemos essa realidade de Bom Jardim e dentro das nossas pesquisas, formações poéticas, de engajamento político pessoal, também começamos a entender essa periferia que é construída por uma população negra e marginalizada”, explica.

Para ele a periferia no Ceará difere de outras no Brasil pelo que chama de certo sentimento “recalcado” da população negra, devido à formação cultural de matriz indígena. “Nossa grande referência é o índio e não o negro, diferente de São Luís, Salvador e outros lugares”, afirma.

A partir dessa reflexão o diretor conta que o grupo começou a se perceber como grupo negro. “Nos reconhecemos nesse lugar. Dos 9 integrantes, a maioria somos negros. E a partir disso passamos a nos inquietar para montar um espetáculo. Ganhamos o Prêmio Funarte de Arte Negra e passamos o ano 2014 inteiro em processo de montagem”.

O resultado é um espetáculo de 2 horas com 12 atores em cena em uma dramaturgia que conta uma história comum entre muitos brasileiros, um retrato da periferia da vida real, questionando os conceitos de mocinho e vilão. A peça nunca tem um final igual, porque depende também da interação com o público expectador.

As opressões no centro da reflexão

As Mostras Selecionada e Convidada de Artes Cênicas do festival têm mostrado consonância nos temas e revelado engajamento e posicionamento político sem lugar em cima do muro. “A coisa está muito complexa, estamos tentado rever o mundo e a juventude está muito engajada nesse empoderamento identitário. Isso tem produzido um levante de força que é muito novo na história, vai levar um tempo para refletirmos sobre isso com profundidade, mas temos que aproveitar esse momento de empoderamento negro, da mulher, do gay”, defende Altemar.

Ele acredita que o movimento estudantil é um espaço de produção do pensar. “Se a gente for ver a história dos anos 70, 80 as mudanças estavam na mão do movimento estudantil. Estamos vivendo uma mudança estrutural no mundo e a galera está sacando e levando para a universidade. Muita coisa boa pode acontecer”.

A expectativa em relação a participação na 10ª Bienal da UNE é grande: “Estamos ansiosos por essa experiência de troca com estudantes do Brasil todo e ter um espaço de vitrine, porque nosso espetáculo vai ser visto por muita gente de lugares distintos. Acho muito importante também por conta desse contexto que estamos vivendo, porque fortalece um movimento de cultura, agrega os estudantes da cidade. Estamos muito felizes”, diz.

Serviço

Todo camburão tem um pouco de navio negreiro

Quando? Segunda-feira (30) das 20 às 22h.

Onde? Praça Verde Historiador Raimundo Girão.

Quanto? Entrada livre.

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