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Fórum dos Movimentos Sociais nasce como alternativa à política conservadora

14/05/2015 às 14:49, por Cristiane Tada.

O governo paulista liderado pelo tucano Geraldo Alckmin (PSDB) terá um novo cenário no próximo período, o de enfrentamento e de lutas unitárias contra as políticas neoliberais e conservadoras adotadas pelo partido nos últimos 20 anos no estado. Esta foi a tônica do lançamento do Fórum dos Movimentos Sociais de São Paulo nesta terça (13), na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, no centro da capital.

Em reconhecimento aos professores estaduais, por seus mais de 50 dias em greve, os militantes aplaudiram de pé a resistência da categoria frente ao descaso e a falta de negociação do governo estadual, em uma realidade onde existem salas de aulas superlotadas e educadores pouco valorizados.

Os movimentos, na ocasião, leram uma carta compromisso. “É urgente e necessário um projeto político para São Paulo, que se enraíze nos problemas e propostas e se nutra da vontade que o povo tem de provocar as mudanças necessárias”, aponta o documento, que indica a construção de um projeto popular para um estado de São Paulo inclusivo, justo e solidário.

Técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Miguel Matteo lembrou de um senso comum – uma espécie de lenda – que permeia a ideia de que São Paulo é uma ilha no Brasil, a locomotiva do país. “Quando vemos os dados econômicos, percebemos que São Paulo é o Brasil, não uma ilha, com os mesmos índices de desigualdade de outros estados, ainda que exista mais gente rica, já que há uma população maior”, afirmou durante a primeira mesa que expôs um diagnóstico estadual.

Segundo Matteo, o estado é desigual. O pesquisador mostrou que há grande concentração de pessoas somente na região metropolitana de São Paulo e exemplificou como a renda é mal distribuída. “Os 50% dos mais pobres não chegam a ter 5% da renda do estado paulista. Os 10% dos mais ricos de São Paulo têm 50% da renda do estado. Esse é o desequilíbrio”, apontou.

Para a vice-prefeita da cidade de São Paulo, Nádia Campeão, não existe luta e disputa política nacional sem levar em conta a realidade de São Paulo. “Há dificuldade de alinhamento entre municípios, governo estadual e federal, o que tem prejudicado o estado. Não se consegue replicar em São Paulo os principais programas exitosos em políticas públicas, nem de inclusão social e renda”, explicou.

Sobre isso, Matteo, também autor do livro São Paulo, da Coleção Estados Brasileiros, acrescentou que apenas seis municípios têm metade do Produto Interno Bruto (PIB) do estado de São Paulo. E dos 645 municípios, 445 dividem apenas 5% da renda de São Paulo. “É justo ou não?”, questiona.

Nádia destacou que esses dados revelam o bloqueio em torno do poder que se alojou em São Paulo. “Querem [as elites] um estado como um centro importante das forças conservadoras, das forças econômicas comprometidas com o setor financeiro e totalmente diferente do projeto de desenvolvimento popular que vai ajudar o Brasil avançar”, disse.

A vice-prefeita acredita que o desafio é mostrar para o povo paulista e de todo o Brasil qual o real tamanho da insuficiência do governo nas últimas décadas. “É mostrar que esse governo de São Paulo, em vez de ser alavanca para o desenvolvimento das cidades e da qualidade de vida, tem sido um peso, um ônus para esses municípios e sua população”, alerta.

Ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e diretor do Instituto Lula, Paulo Vannuchi reforçou que o estado paulista é a contramão do Brasil.

“São Paulo representa, acima da tragédia da falta de água, o colapso na educação, na saúde, na segurança pública e nos transportes. Tivemos mais de 60 colapsos no sistema de metrô e trem e o partido da mídia blindou”, pontua.

Para Vannuchi, parte-se de uma percepção de que é hora de redinamizar os movimentos sociais, dentro da diversidade que existe, para que compreendam, juntos, a importância da participação popular.

Além do debate político e organizativo, o lançamento também foi marcado por uma mística de abertura que homenageou o povo negro com espetáculo formado por diferentes coletivos teatrais, em memória aos 127 anos de abolição inacabada.

A violência contra as mulheres também foi apresentada, para ressaltar a importância da Lei Maria da Penha e, ainda, a ampla jornada de trabalho a que estão submetidos os trabalhadores no país.

Flaviana Serafim e Vanessa Ramos da CUT

Foto: Anju

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