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Fies para quem? Mudanças no financiamento reduziram as chances dos estudantes

13/02/2017 às 18:45, por Redação.

No primeiro semestre de 2017 foram reduzidas em 29% as bolsas concedidas em relação ao ano passado
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta segunda-feira (13) os resultados do primeiro semestre do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Estão disponíveis a lista dos pré-selecionados e a lista de espera. Os estudantes classificados terão até o dia 20 de fevereiro para concluir a sua inscrição no SisFies. Os que ficaram na lista de espera têm até o dia 3 de março para finalizar o cadastro.

O corte em 29% das bolsas concedidas pelo Fies neste semestre atingiu diretamente os estudantes de baixa renda. A medida também diminuiu o limite de financiamento por curso de R$ 42 mil para R$ 30 mil a cada semestre, piorando a vida de quem busca o financiamento para cursos mais caros como os de medicina e odontologia.

Assim como propõe a reforma do ensino médio, aprovada este mês pelo Senado, na prática o MEC tem deixado as escolhas cada vez menores para os estudante brasileiros de baixa renda, ao priorizar áreas mais tecnicistas.

Para o diretor de Universidades Privadas da UNE, Josiel Rodrigues, são questões um pouco diferentes. “A reforma do ensino médio surge num contexto de mecanização e de tecnicização da estrutura da formação. Já a priorização de vagas no FIES vinha em contexto de ampliação do acesso em determinadas áreas – tanto que a defesa da UNE era de que a priorização seria bem-vinda desde que não houvesse restrição nas outras áreas. E não é isso que Mendonça Filho está fazendo”, ressaltou.

Para ele a reformulação do FIES de 2015, que previa novas regras para oferta e contratação como a priorização de determinadas áreas (engenharias, saúde e licenciaturas) hoje é usada como justificativa para cortar em outras áreas.

“Isso está acarretando no aumento da concorrência das bolsas em muitas universidades, pois o estudante que sonhou em ingressar em outra área que hoje não tem FIES, se vê obrigado a tentar bolsa em outro curso, tendo suas chances reduzidas pelo número de estudantes que contam com o FIES para entrar no ensino superior”, explicou.

Como o caso da estudante da Universidade de Sorocaba (Uniso), Ingrid Teixeira Tangerino de 36 anos. Ela tentou pela primeira vez o financiamento para conseguir terminar o curso de Direito em que ela já está no 3º semestre, graças a uma bolsa da própria universidade que dá desconto em 50% da mensalidade- hoje ela paga R$591,00. A bolsa termina no 6º semestre e ela não esconde o medo de não conseguir pagar o valor integral. “Já está preocupante a situação e não quero parar. Mas já vou vendo o sonho ficar mais distante”, desabafou.

Ela fez 580 pontos no Enem e quando se inscreveu no sistema constava que só o primeiro lugar teria acesso ao financiamento no curso dela na Uniso. “ A minha frustração é que não fiquei tão longe. Eu pensei que o Fies era mais acessível. Mas ou você fica em primeiro lugar ou não tem uma chance. Eu não estou pedindo que o governo pague todo o meu curso, é apenas o financiamento de um curso caro”, disse ela.

Menos chances para os mais pobres

A presidenta da UNE, Carina Vitral, chegou a comentar que quem mais precisa do programa será a maior vítima. “O impacto maior será na vida dos mais pobres, sem o financiamento não há possibilidade desse jovem acessar o ensino superior”, alerta.

O Fies é o principal programa de financiamento de ensino superior do Brasil para a maioria das pessoas. Atualmente, existem mais de 1,5 milhão de estudantes no Brasil com contratos de financiamento de cursos de graduação em universidades e faculdades particulares.

O programa não financia mais 100% das mensalidades. O percentual depende do curso e da renda do aluno. Podem receber o benefício estudantes que tenham participado do Enem (a partir da edição de 2010), obtido média superior a 450 pontos e que não tenham zerado a redação. O candidato também deve comprovar que possui renda familiar mensal de até 3 salários mínimos.

Como a estudante desempregada, Mirella Vieira de Souza de 17 anos. Recém saída do emprego na rede de lojas Pernambucanas, através do Programa Menor Aprendiz ela mora sozinha e é responsável pelas próprias contas. Mirella começou o curso técnico de enfermagem este ano como bolsista e por isso paga o valor de R$207,00 mensais. Agora ela tenta um financiamento para faculdade de Enfermagem. “ A remuneração para um enfermeiro é muito melhor do que para um técnico, mas só conseguiria pagar com o Fies”, destaca.

Em 2017 os estudantes tiveram problemas ainda na renovação do financiamento. Antes, estudantes que já eram beneficiados podiam renovar o Fies e obter um novo financiamento desde que não fossem inadimplentes. Este ano tiveram prioridade estudantes que nunca participaram do programa.

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