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Festival contra a redução esquenta o Capão Redondo

16/08/2015 às 12:20, por Bruno Huberman e Suevelin Cinti.

Evento contou a com a participação de movimentos sociais e shows de Leci Brandão, Z’Africa Brasil e Pequeno Cidadão

Encravado no coração do Capão Redondo, bairro da zona sul de São Paulo berço de grandes artistas nacionais como o escritor Ferréz — autor de Capão Pecado — e do grupo Racionais Mc’s, o campinho do Pantanal recebeu a edição paulistana do Festival Amanhecer Contra A Redução neste sábado, 15/08.

A comunidade local apareceu em peso para prestigiar o festival que contou com aula pública sobre a redução da idade penal e diversas atrações musicais como Leci Brandão, Z’Africa Brasil e Pequeno Cidadão. “Tem que dar educação e saúde para a nossa juventude, não encarcerá-la”, declarou a sambista e deputada estadual Leci durante a sua apresentação.

O guitarrista Edgard Scandurra, da banda Pequeno Cidadão, engrossou o coro dos artistas. “A redução é uma forma muito maligna de se punir o jovem. Antes de se punir, precisa entender o que fez esse menor cometer um crime. Não adianta prender os nossos pequenos cidadão”, afirmou o músico.

As entidades estudantis também marcaram presença no evento. “A juventude quer apenas ser livre, estudar, se divertir. A redução, já está provada, não é solução nenhuma para a violência que nós vemos aqui no nosso país”, afirmou a diretora de Universidades Pública da UNE, Graziele Monteiro, durante a aula pública.

CAPÃO CONTRA A REDUÇÃO

A organização do evento no bairro aconteceu por meio da parceria do movimento Amanhecer Contra A Redução, que já havia realizado uma primeira edição do festival no Rio de Janeiro em junho, com a ONG Capão Cidadão, que realiza um trabalho social com a população da comunidade há mais de uma década.

O ambientalista, engenheiro florestal e professor da Capão Cidadão, Clodoaldo Cajado, explica que a ONG tem um histórico de defesa dos jovens, dos negros e das mulheres da periferia. “A Capão Cidadão sempre esteve na luta contra a violência contra o jovem negro. Esse festival veio somar a nossa luta”, afirma.

Clodoaldo conta que no passado, a ONG realizou a ação “Áreas de Conflito Em Transformação”, projeto que buscou fazer intervenções culturais em oito locais na periferia paulista que foram alvo de chacinas — como a que aconteceu esta semana em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, deixando 18 mortos, entre eles um garoto de 16 anos.

“Nós que somos da periferia, não temos dúvida: a redução, com essa polícia que nós temos, só vai piorar a situação do jovem. É só ver o que aconteceu em Osasco e Barueri”, conta Clodoaldo.

MOVIMENTOS SOCIAIS MARCAM PRESENÇA

Movimentos sociais de diversos segmentos estiveram presentes para colaborar com a organização e se somar à luta contra a redução.

O presidente estadual da Nação Hip Hop Brasil, Marcelo Freitas, abriu a aula pública defendo a mudança social através da cultura.

“Acredito na mudança, mudança que vem através da cultura, com mais escolas, menos cadeias. É uma vergonha o que o Estado está querendo fazer, privatizando os presídios segundo os interesses estrangeiros. O Hip Hop está aí como sempre esteve, isto é uma ação social. Se cada quebrada tivesse um ponto de cultura que fomentasse de verdade o que é a raiz do preto, pobre da periferia, a violência iria diminuir, porque não é com cadeia que vai diminuir!”, afirma.

A presidenta da União Popular de Mulheres do Campo Limpo, Neide Abatti, não quer ver retrocesso nos direitos da criação e do adolescente, campo que ela ajudou a construir.

“Não dá para aceitar o que pode acontece com a nossa juventude nessa tentativa de reduzir a idade penal. Somos da luta que construiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veio melhorar um monte de coisa. Queremos ver outro filme, aquele em que os jovens cantam, dançam e andam livres”, diz.

Para Rafael Vilela, dos Jornalistas Livres e do Fora do Eixo, a disputa de narrativas com a mídia tradicional sobre a realidade nas periferias com mostra a importância da realização do festival na periferia.

“Há uma lavagem cerebral feita pela mídia nas periferias,. Ao mesmo tempo, o Capão Redondo é um lugar de grande resistência dos movimentos, onde também há a realidade da violência, e quanto mais violento, mais medo, maior aprovação da redução. Fazer o festival é trabalhar o lúdico, esses encontros nos fazem entender que a cultura é o meio de debate. O objetivo agora é que mais festivais aconteçam no país, como já aconteceu no Rio de Janeiro, no interior de São Paulo e em Florianópolis”, defende.

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