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Fernando Morais : “Programa Temer é privatizar tudo. Vão começar pelo pré-sal”

29/04/2016 às 22:40, por Rafael Minoro.

Durante Congresso de jornalistas mineiros, escritor anuncia que vai “se dedicar integralmente a infernizar a vida dessa gente”; site da UNE acompanhou o debate

O escritor Fernando Morais participou na noite da sexta-feira (29/4), em Belo Horizonte, da abertura do 14° Congresso Estadual de Jornalista de Minas Gerais, e como vem fazendo em diversos pronunciamentos Brasil afora e pela internet, fez um duro discurso contra o golpe que está em curso no Brasil.

Jornalista com passagem pelos principais veículos do país e três Prêmio Esso na bagagem, ele se disse frustrado por ter o privilégio de ser testemunha de umas das maiores revoluções dos últimos tempos, que é a digital, e ao mesmo tempo presenciar um momento dramático para o país.

Um golpe de Estado como nunca se tinha visto aqui no Brasil mas que tem se tornado moda na América Latina. Igual foi no Paraguai, muito parecido com o de Honduras. É o golpe das mãos limpas, golpe sem tanques na rua, sem baioneta, mas que certamente trará à nacionalidade um prejuízo infinitamente maior do que trouxe a ditadura militar mesmo com todos os mortos, perseguidos e exilados. Isso, porque essa gente esta aí para entregar o Brasil “, disse.

Morais denunciou o programa anunciado por Michel Temer. “É para privatizar tudo. Vão começar por onde? Vão começar pelo Pré-sal. Estão querendo forçar que a Petrobras seja vendida na bacia das almas para o capital internacional”, disse.

Com a propriedade de ser um dos principais pesquisadores e conhecedores da política brasileira, com a publicação de obras como “Chatô” e “Olga”, Fernando Morais fez um rápido histórico e afirmou que quem está por trás do golpe “são os arquitetos de outrora”.

“Os mesmos que levaram Getúlio [Vargas] ao suicídio em 1954 e que tentaram impedir a posse de Juscelino [Kubistcheck] em 1955 e que depois de empossado tentaram dar-lhe outros golpes. Os mesmos que na renúncia do Jânio [Quadros] tentaram impedir a posse do vice João Goulart e depois o derrubaram”, explicou.

Um golpe nas virtudes

O escritor destacou ainda que a presidenta Dilma Rousseff é só um obstáculo.

Eles querem derrubar o projeto de nação. Com todos os defeitos que governo tem, não é pelos defeitos que eles querem derrubar, é pelas virtudes do projeto que tirou milhares da miséria e deu condições ao povo de viver e comer“, disparou.

“Estamos perdidos?”, perguntou. Para ele, não. “Quem tem a verdade nunca está perdido, quem esta do lado do bem e da democracia nunca está perdido.”, disse e convocou todos os presentes para a luta.

“Assumo o compromisso de me dedicar em tempo integral a infernizar a vida dessa gente. Tudo o que eu puder fazer eu farei para não dar um minuto de sossego a esses golpistas”, prontificou-se.

Internet contra o golpe

Entusiasta da rede mundial de computadores, Fernando Morais falou mais de uma vez durante a sua aula sobre a importância deste instrumento para o jornalismo atual de combate.

“Não acabou o jornalismo, acabou o modelo de jornalismo que está aí. Quem tem um celular pode ser o seu próprio Roberto Marinho. A internet brasileira que abriu os olhos dos grandes meios internacionais para dizer que o que estava acontecendo aqui era, sim, um golpe. Nós temos que utilizar a internet para enfrentar os golpistas.”, disparou, tecendo ácidas críticas à Globo e ao Estadão, segundo ele, organizações que golpeiam o país e conspiram há anos.

Morais disse que ele já está preparado. Atualmente, publica freneticamente em sua página no Facebook e, em breve, vai inaugurar o seu blog chamado Nocaute, sugestivo nome para quem está na linha de frente liderando a tropa e contaminando as pessoas ao seu redor para cada vez mais terem forçar e derrubar os golpistas.

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Na mesa, além do palestrante, estavam o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Lopes, o presidente da Casa do Jornalista, Mauro Werkema, e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT). Antes da palestra, Werkema leu o manifesto “Jornalistas em defesa da democracia”.

Nós, jornalistas, denunciamos a articulação reacionária que afronta a lei e convoca a estratégia ilegítima do golpe, cassa o voto popular, defende ações entreguistas e busca solapara direitos […] Em nome da democracia brasileira, das conquistas sociais, do patrimônio nacional, do respeito à alteridades, da aliança com os trabalhadores e da defesa das instituições, oferecemos nosso compromisso com a verdade e o empenho em não abandonar a busca da palavra exata, da ação justa, da interpretação mais rica. Nossa força é nossa voz. Contra as tentativas de amordaçamento, deve se erguer o grito em defesa da liberdade. Golpe nunca mais. Democracia sempre“, diz trecho do documento que estará disponível no site do Sindicato.

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