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Carta feminista contra o golpe circula na internet

22/03/2016 às 13:51, por Redação.

Ativistas feministas de todo o Brasil, entre elas Stephanie Ribeiro e Marcia Tiburi, assinam uma carta contra o golpe e em defesa da democracia, publicada em 21 de março.

“Há que se pensar que no plano simbólico seria lamentável que a primeira mulher eleita presidenta no Brasil fosse derrubada injustamente por homens que são, comprovadamente, corruptos”, escreve o documento.

Confira a íntegra:

Carta feminista contra o golpe

Vivemos uma crise profunda. Somos bombardeadas diariamente com notícias sobre a operação Lava-Jato, a incerteza política, a instabilidade econômica. Em meio ao caos descrito pela imprensa e repercutido nas redes, a legalidade do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, bem como a do ex-presidente Lula, são questionadas.

Neste contexto, nós feministas, decidimos nos manifestar contra a possibilidade de um golpe de Estado. Um golpe que, diferente do último que o Brasil experimentou, não será protagonizado pelas Forças Armadas. Um golpe que consiste na ruptura com as práticas democráticas e com a ordem constitucional. Engendrado por forças articuladas para tirar de modo ilegítimo a Presidenta Dilma de seu cargo. Salvo comprovação de crime comum ou de responsabilidade, somente pelo voto deve se dar a alternância de poder.

Nosso posicionamento contra o golpe não significa apoio incondicional ao Partido dos Trabalhadores ou à gestão da Presidenta. As políticas públicas conduzidas pela atual administração muitas vezes negligenciaram os nossos direitos bem como os de outras minorias: negros, a população indígena e pessoas LGBTs, dentre outros grupos. Contudo, entendemos que o retrocesso contido na possibilidade de ascensão do ideário conservador constitui um grave risco e fragiliza nossas conquistas dos últimos anos, especialmente no caso de mulheres negras e de baixa renda. Conquistas como o Bolsa-Família, do qual mulheres são 93% dos titulares do cartão. As cotas, o PROUNI e o FIES, que não só aumentaram o números de pobres e negros nas universidades, como o números de mulheres. Como a Lei Maria da Penha, sancionada pelo ex-presidente Lula em 2007 e considerada uma das três melhores do mundo do tipo pela ONU Mulher e um exemplo pra outros países. Tal como a PEC das domésticas, que assegurou direitos trabalhistas para os trabalhadores domésticos, na sua maioria mulheres pobres e/ou negras. Como o programa Minha Casa Minha Vida, que prioriza mulheres como titulares e tem 94% de mulheres entre os beneficiários das residências para baixa renda.

Os meios de comunicação se aliaram aos golpistas. Em sua programação, se dedicam a pautar o governo federal e a propagar citações não comprovadas de crimes que ainda estão sendo investigados e que deveriam correr em sigilo absoluto. E blindam os políticos aliados, como é o caso do escândalo da merenda no governo de São Paulo, comandado pelo PSDB.

Alertamos que, em contextos de crise econômica mundial, a História nos mostra que não é novidade o avanço da extrema direita na arena política nacional. Foi assim que Hitler emergiu e é neste contexto que ascendem na Europa e nos EUA líderes de extremadireita e conservadores como o empresário Donald Trump. Isso mostra os rumos que o país pode seguir caso não nos mobilizemos e nos coloquemos radicalmente contra esta ameaça. Eduardo Cunha e Bolsonaro, dentre outros representantes, seguem uma cartilha ultraconservadora e ameaçam os direitos individuais e as vida das mulheres. Cunha, inclusive, quer implementar leis que dificultam o aborto até em casos de estupro!

Finalmente, há que se pensar que no plano simbólico seria lamentável que a primeira mulher eleita presidenta no Brasil fosse derrubada injustamente por homens que são, comprovadamente, corruptos.

São 54,5 milhões de votos num país de maioria de mulheres, negros e pobres. E é por eles que defendemos que essa escolha seja mantida, independente dos quereres de uma elite, mídia e políticos corruptos. Queremos que a jovem democracia brasileira sobreviva e possa amadurecer. Não admitiremos retrocessos.

Não ao golpe! Vai ter luta!

#FeministaspelaDemocracia

#NãovaiterGolpe

(Foto: Mídia NINJA)

 

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