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Fascismo e machismo nas ruas: estudantes são atacadas durante protesto em SP

29/04/2016 às 16:12, por Renata Bars.

Episódio chama atenção para o crescimento da intolerância e o ataque à liberdade de expressão

Em tempos em que sair com uma camiseta vermelha na rua tornou-se motivo para agressões físicas, mais um episódio chama a atenção para o crescimento do fascismo e do machismo nas manifestações de rua. Na noite da última quinta-feira (28), a diretora de comunicação da UEE-SP e presidenta do DCE da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Emanuelle Thomaziello e a estudante de Direito da FMU, Natália Miranda, foram agredidas durante uma manifestação em defesa da democracia, na Avenida Liberdade, centro da capital paulista.

O protesto fazia parte do ”Dia Nacional de Paralisação das Universidades”, e contou com uma aula na rua com panfletagem, jogral e até mesmo o fechamento da rua em frente à FMU. Durante uma das intervenções no megafone, Natália teve o instrumento tomado de suas mãos e foi alvo de pontapés, direcionados também à diretora da UEE-SP. O agressor – um homem – saiu correndo após o ocorrido.

”É bem complicado. Saímos às ruas para defender a democracia, nos manifestamos de maneira democrática e somos agredidas. Essa é a arma da direita: o ódio, a agressão”, lamentou Natália.

Questionada se sente vontade de desistir da luta, a estudante foi enfática.

”Ao contrário, me dá mais vontade de lutar contra o golpe, contra o machismo e contra todas as opressões principalmente dentro da universidade”, disse.

Machistas não passarão!

Há quase 6 anos algumas das principais entidades estudantis brasileiras são presididas e dirigidas em sua maioria por mulheres. UNE, UBES, UEE-SP e ANPG acreditam que apenas na democracia as mulheres avançam e por isso, não toleram o machismo, fascismo e misoginia.

A violência contra a mulher foi tema de um dos debates do 7º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE (EME) que aconteceu de 25 a 27 de março na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.

“Quem já sofreu violência dentro da universidade?” A pergunta diante de uma das mesas mais concorridas do EME constatou a realidade de quase 70 % das estudantes brasileiras de acordo com recente pesquisa do Instituto Data Popular e Instituto Avon. Um plenário cheio de mãos erguidas mostrou ao que estão expostas as estudantes.

Na ocasião, a presidenta da UNE, Carina Vitral reafirmou a urgência em se pensar uma campanha de enfrentamento de violência contra a mulher nas universidades.

“Precisamos convencer as universidades que elas precisam ter responsabilidade sobre vida das mulheres. 42% das mulheres tem medo de estar na universidade, isso significa que toda essa luta para estarmos na universidade nos últimos anos, vai por água abaixo. Isso é desempoderamento, isso é retrocesso”, disse.

Emanuelle Thomaziello já havia sofrido agressões verbais por suas convicções políticas dentro da universidade dias antes do episódio da quinta-feira.

Para ela, o fascismo e o machismo estão estritamente ligados. ”Infelizmente isso é algo que está posto na sociedade nos tempos atuais. Essa grande intolerância, essa onda conservadora só traz o desrespeito e desmascara o machismo. Mas nós não vamos nos intimidar. A luta segue com toda certeza”, enfatizou.

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