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Famosos rompem “cortina” midiática e defendem Reforma Política

30/04/2015 às 17:30, por Artênius Daniel.

Figuras da música, literatura, do humor e da dramaturgia se mostram contrárias ao financiamento de empresas nas campanhas eleitorais

Infelizmente, não é da televisão que saltam os temas mais urgentes Brasil de hoje. Não é entre diálogos das novelas, na pauta dos programas de domingo ou nas entrevistas semanais da manhã que se ouve sobre o PL da terceirização, areforma agrária ou a democratização dos meios de comunicação. Não foi na programação especial de 50 anos da Rede Globo – aquela que apoiou a ditadura – que coube o tema da desmilitarização da Polícia Militar, da luta contra o machismo, a homofobia e a transfobia. Não está lá a denúncia do extermínio da juventude negra, não estão lá as greves dos professores de São Paulo ou dos garis do Rio de Janeiro.

Apesar da cortina alienante criada por uma mídia centralizada e pouco plural, alguns assuntos cruciais têm ganhando visibilidade do grande público a partir dos posicionamentos individuais de artistas e outras figuras de grande popularidade. É o caso da Reforma Política popular, uma das maiores necessidades do país, ainda desconhecida de grande parte da população, mas que começa a ser multiplicada nos meios de comunicação e nas redes sociais por meio dessas manifestações.

O músico Tico Santa Cruz, conhecido por promover o debate e a reflexão social nas redes, publicou um vídeo na sua página do Facebook em que levanta a necessidade de combater a corrupção lutando contra o financiamento privado de campanhas eleitorais. A medida, defendida pela UNE por meio do projeto de iniciativa popular da Coalizão pela ReformaPolítica, é apontada pelo músico como uma forma de enfraquecer o “artifício” utilizado pelas grandes empresas para alcançarem seus interesses no Congresso Nacional. “Afinal de contas, o deputado no Congresso vai votar para quem? Para o povo ou para a empresa que botou dinheiro na sua campanha?”, questiona. Assista ao vídeo aqui.

O escritor Luis Fernando Veríssimo também tocou no assunto em sua coluna no jornal Estado de S. Paulo. Comparando o sistema brasileiro ao norte-americano, ele afirmou que “a questão maior por trás de todas as lambanças sendo investigadas atualmente é a do financiamento de partidos e campanhas”. Veríssimo afirmou que os maiores interessados para que a reforma não saia são aqueles que têm acesso aos “bolsos mais fundos da nação”, em referência aos poderosos financiadores e seus interesses. Leia a íntegra aqui.

Em janeiro, durante a última edição da Bienal da UNE, o cantor e compositor Alceu Valença proferiu um discurso improvisado e severo contra o financiamento empresarial e pela reforma. Diante de 10 mil pessoas na praça dos Arcos Lapa, Rio de Janeiro, ele afirmou que o Brasil não vai pra frente com as mesmas regras desse jogo. “Eu sempre fui contra essas eleições à base do dinheiro”, protestou.

Já a atriz Letícia Sabatella, conhecida pelo apoio às lutas populares e às bandeiras dos movimentos sociais, tocou no tema em entrevista recente ao Estado de S. Paulo. Ao criticar a recente onda de manifestações no país, que incluiu expressões de ataques à democracia e pela volta da ditadura militar, Sabatella elencou os motivos que a levariam às ruas: “Claro que tem pelo que se lutar. Por exemplo, uma reforma política urgente”.

O humorista Gregório Duvivier, que é colunista do jornal Folha de S. Paulo, também vinculou esse debate diretamente ao tema da corrupção no país. Em um dos seus textos, afirmou que a legislação permite a situação existente. Leia a íntegra aqui.

“Quem poderia mudar a legislação é quem mais lucra com ela. Não é de se espantar que Eduardo Cunha (PMDB) –o homem-amianto–, que arrecadou (declaradamente) milhões de mineradoras, faça tudo para impedir um novo código da mineração e o fim do financiamento privado de campanha”, criticou. E arrematou: “Enquanto os políticos forem eleitos por empresas, vão continuar governando para elas”.

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