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Executiva da UNE reafirma força em suas bases: CAs, DCEs, Executivas e UEEs

13/12/2018 às 16:28, por Cristiane Tada.


Reunidos estudantes planejaram próximos eventos em Salvador e aprovaram resolução que garante que voz dos estudantes não será calada

Aconteceu no último domingo (09/12) em São Paulo na sede das entidades estudantis a reunião da Executiva da UNE. Os estudantes se encontraram para debater a conjuntura nacional e os encontros que acontecerão em Salvador dos dias 06 a 10 de fevereiro, a 11º Bienal e o 15º Coneb da UNE.

A reunião atualizou o diálogo e compartilhou o andamento da Bienal com o conjunto das forças políticas que compõe a pluralidade da UNE.

“Conseguimos chegar a importantes consensos sobre o que a construção da Bienal deve significar para o próximo período. A Bienal será a primeira atividade da UNE no ano que se inicia e a Executiva demonstra muita disposição por não fazer desse um evento protocolar, mas fazer desse festival de estudantes que inclui Coneb e demais atividades da base do movimento estudantil sejam uma grande inauguração da resistência dos estudantes, artistas e dos movimentos sociais”, destacou a coordenadora geral do Cuca da UNE, Camila Ribeiro.

A diretora de Comunicação da UNE, Nágila Maria, também destacou o papel fundamental do Coneb para organizar a nossa luta e resistência do próximo período. “Vivemos tempos de ataques às universidades e censura da liberdade de pensamento. O governo eleito promete aparar as universidades e combater a organização das entidades estudantis. Precisamos manter o movimento estudantil vivo e pujante em cada universidade desse país”, afirmou.

Ao final os estudantes aprovaram uma resolução em que afirma que a entidade não aceitará calada qualquer tipo de ameaça ou silenciamento e manterá a força de suas bases, de seus Centros Acadêmicos, DCEs, executivas de curso, UEEs. Leia abaixo na íntegra:

RESOLUÇÃO DA REUNIÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA DA UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES DO DIA 9 DE DEZEMBRO DE 2018

Na primeira reunião de sua diretoria executiva após o resultado das eleições presidenciais de 2018, a UNE vem a público apresentar suas considerações sobre os desafios dos estudantes universitários brasileiros com a inauguração deste novo ciclo político de nossa democracia.

Nessas eleições presidenciais, Bolsonaro fez do antipetismo sua bandeira, com um falso discurso de combate à corrupção, ao jogo político, aos “vermelhos” e em defesa dos “valores da família brasileira”. Dessa forma, houve pouco espaço para debater um projeto de país e de soluções para os problemas econômicos pelos quais passa nossa nação.

As eleições ocorreram ainda sem a presença do candidato com maior intenções de voto pelas pesquisas, o ex-presidente Lula que teve seu nome impugnado da candidatura pelo TSE e permanece ainda hoje em cárcere.

Em um pleito marcado pelo poder das redes sociais, as chamadas “fakenews” tiveram papel decisivo na disputa. Além disso, foram diversas as denúncias sobre utilização de robôs pagos para envio em massa de mensagens com campanhas negativas ao candidato Fernando Haddad e pró-Bolsonaro, ações que contaram com a omissão do Tribunal Superior Eleitoral que não se posicionou firmemente no combate a essas práticas.

As universidades brasileiras foram terreno de muita mobilização, em especial no segundo turno. Os ataques dos Tribunais Eleitorais à livre expressão dos discentes, à autonomia universitária e à liberdade de cátedra, em especial com a proibição de faixas “antifascistas”, provocou uma reação que potencializou a construção de centenas de assembleias e comitês “antifascismo” nas instituições de ensino superior. Importante ressaltar também o retorno positivo dos estudantes ao chamado da UNE que, no dia 26 de outubro, às vésperas da votação, se mobilizaram em defesa da democracia.

A chapa Fernando Haddad-Manuela D’Ávila obteve mais 47 milhões de votos, superando os 45% do eleitorado brasileiro contra os mais de 57 milhões de votos de Bolsonaro, representando 55% dos votos válidos. Dessa forma, soma-se mais de 89 milhões que não elegeram Bolsonaro e que poderão se somar à resistência democrática. É urgente que busquemos também os apoiaram Bolsonaro e que certamente se chocarão com suas medidas anti-populares.

A implementação do projeto eleito de Jair Bolsonaro coloca em xeque os direitos sociais, a soberania nacional, o papel do Estado enquanto indutor de desenvolvimento e justiça social e os pilares da própria democracia brasileira. Trata-se de um governo ultraliberal na economia, autoritário na política e retrógrado nos costumes.

O anúncio das possíveis medidas do presidente eleito, mesmo sem ter tomado posse, já vem causando desconforto na política nacional e internacional. Estamos diante do fim de um ciclo de uma política externa multilateral de parcerias com países da américa latina, do MERCOSUL, países árabes e da Ásia e a volta de uma política externa ideológica em que o Brasil fortalece seus laços com o maior representante do imperialismo, os Estados Unidos.

A equipe anunciada de Jair Bolsonaro vem também provocando grande repercussão, assim como a reforma ministerial acabando, por exemplo, com ministérios importantes como o Ministério do Trabalho. Conforma-se uma equipe com diversos membros das Forças Armadas em ministérios importantes e também a indicação de diversos suspeitos/investigados/condenados por corrupção. Ressalta-se ainda a indicação ao Ministério da Justiça do ex-juiz Sérgio Moro que, depois de uma absurda cruzada pela prisão de Lula, o principal adversário de Jair Bolsonaro nas eleições, recebeu em troca um ministério no governo do candidato beneficiado.

Entre as medidas anunciadas pelo presidente eleito, uma das mais citadas é a Reforma da Previdência que fará boa parte do povo trabalhar até morrer. A reforma defendida por Bolsonaro sob um argumento de um suposto deficit da previdência negado por especialistas, deixa de lado modificações previdenciárias no salário de políticos, do judiciário, do Ministério Público e da carreira militar. Da mesma forma como derrotamos a reforma defendida por Temer, a UNE se somará às centrais sindicais e movimentos populares para derrotar de vez a Reforma da Previdência.

Diante da resistência, Bolsonaro já fez diversas ameaças às universidades públicas. Chamou os Centros Acadêmicos de “ninhos de rato”, afirmou que não vai respeitar as consultas para reitor pela comunidade acadêmica e já prometeu a cobrança de mensalidade nas universidades públicas brasileiras. É preciso que os estudantes brasileiros fortaleçam suas entidades e os diversos comitês em defesa das universidades, enaltecendo o papel da universidade pública, gratuita, autônoma e democrática em defesa de um projeto de país soberano.

A UNE há tempos denuncia que as eleições presidenciais não ocorreram de forma livre, haja visto a prisão do candidato preferido nas pesquisas, articulada por um setor do judiciário sob a tutela dos militares e da grande mídia. A UNE mantém sua posição de denúncia da prisão política de Lula e mantém com altivez a defesa da liberdade do ex-presidente preso sem provas.

A União Nacional dos Estudantes é um patrimônio do Brasil e não aceitará calada qualquer tipo de ameaça ou silenciamento. A força da UNE vem de suas bases, de seus Centros Acadêmicos, DCEs, executivas de curso, UEEs e dos estudantes brasileiros de forma geral que participam de seus fóruns e fortalecem há 81 anos a rede do movimento estudantil brasileiro. Não nos acuarão com ações judiciais ou perseguições políticas, tampouco construindo outros fóruns artificiais por fora da grandiosa rede do movimento estudantil que hoje legitimam a UNE.

Frente aos desafios que se avizinham, a UNE clama a todo movimento estudantil brasileiro a necessária unidade para efetivação da resistência democrática em defesa dos direitos e da democracia. Vamos de mãos dadas, compreendendo toda as diferenças que são típicas de uma entidade tão diversa, organizar os universitários brasileiros na defesa dos direitos sociais, da soberania nacional, das liberdades democráticas, da universidade pública e gratuita e contra a mercantilização do ensino.

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