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Estudantes selecionados do Ceará mostram toda a sua multiplicidade

30/01/2017 às 14:17, por Cristiane Tada.


Artes Cênicas se apresentaram ontem; Literatura e Artes Visuais podem ser vistos neste segunda e terça

Feições animadas de quem crê na arte e fez história na 10ª bienal da UNE. Os estudantes cearenses selecionados para as Mostras de Literatura, Artes Cênicas e Artes Visuais estão que é só alegria.

 

Lúcio Alves Gurgel Jr, estudante da Universidade Federal do Ceará, teve poema concreto selecionado e usou como tema um dos assuntos mais recorrentes na literatura Portuguesa desde Camões: a saudade.

“Meu trabalho está mais voltado na exploração da linguagem, e por ser concreto não tem versos tradicionais. É como se fosse uma metáfora de estar parado numa praia e os acontecimentos serem como ondas chegando a você, nessa relação entre você e quando a água do mar toca a pele é que se revela a saudade”, explica.

E como é que uma poesia concreta poderia tá de certa forma ligada a Fortaleza e ao Ceará?

Para o poeta Lúcio a reinvenção, tema da 10ª Bienal da UNE já tá muito na prática do cearense.

“O ser cearense é estar nessa contradição tremenda entre as raízes e pegar uma via expressa de ônibus. O que eu vejo na arte cearense é não ter esse purismo, hoje as letras de coco falam de homofobia. O meu poema pode não tá dizendo que é da terra da luz ou que gosta de cajuína, mas a terra que a gente anda acaba moldando nossa maneira de se expressar e dentro daquela tristeza do poema, tá o maracatú, o Patativa e essas coisas tudo”, afirma.

O trabalho dele e dos outros selecionados de Literatura poderão ser vistos hoje (30) no Sarau Na lembrança de Patativa do Assaré, às 19h no Espaço Rogaciano Leito Filho. Na terça-feira (31) o sarau começa as 14h na Praça Verde Raimundo Girão.

Artes Cênicas

O espetáculo Descendentes trouxe na tarde de ontem (29) para o palco da Bienal as várias formas de queda do homem ao longo da humanidade desde sua criação. Amor não correspondido, escolhas ao longo da vida e suas consequências a partir da busca excessiva pelo conhecimento, e o avanço da tecnologia foram algumas das questões da peça encenada pelos sete atores da oficina 16 de teatro do Grupo Arte Viver.

Descendentes no palco da Bienal neste domingo

Os jovens são estudantes da UECE e também exercem outros funções além do palco, cenografia, produziu o figurino, alguns sonoplastia e a própria dramaturgia conforme contaram Larissa Rodrigues, Karine Araújo, Alisson Emanoel.

“ A UNE é uma possibilidade da gente conectar esses vários universitários que tem trabalhos e conheçam o processo e a apresentação do outro. Como Vygotsky diz através da troca a gente vai construindo o conhecimento e que através dessa construção a gente saia enriquecido disso e até mesmo tenha novas percepções no nosso próprio trabalho”, disse Larissa.

Já o espetáculo Qual é a sua guerra, fruto do curso de teatro da UFC, encenou neste domingo uma guerra ‘molhada’ com bixigas d’água em plena praça do Dragão do Mar.

Qual é sua guerra? performance dos estudantes da UFC/ Foto: Jardel Gomes | Cuca da Une

As estudantes Erica Cardoso e Suy Mello explicaram que a performance  dialoga com a atualidade, com textos adaptados pelos estudantes baseados em fatos reais com uma travesti assassinada em 2015 em Fortaleza ou a trágica chacina de Messejana quando 13 jovens foram assassinados pela PM.

17 atores em cena incitaram a participação do público provocando “botar pra fora sua guerra”.

O domingo (29) teve ainda o espetáculo “Dança para o menino Ícaro” uma narrativa corporal sobre a violência urbana com os jovens da periferia dos grandes centros urbanos do estudante do Instituto Federal do Ceará Willian Axel.

Artes Visuais

O estudante de cinema da UFC, Allan Gomes quis investigar a produção de imagens em máquinas não usuais para isso em sua série fotográfica selecionada pela 10ª Bienal da UNE.

Ele usou um scanner na ideia de subverter os dispositivos e fez um autorretrado do trabalho ‘Distorções de si’. “ Eu me senti como se estivesse aprendendo a fotografar de novo porque o scanner também tem um modo de operar, se eu me afastasse um pouco a imagem ficava de um jeito, se me aproximasse de outro”, afirmou.

O trabalho dele e todos os selecionados da Mostra Selecionados de Artes Visuais podem ser vistos até o final da 10ª Bienal da UNE na multigaleria Dragão do Mar (embaixo do Planetário) das 10h até às 22h.

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