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Estudantes se unem à luta contra cortes do governo no Rio Grande do Sul

09/09/2015 às 11:43, por Cristiane Tada.

Com crise financeira, governo do Rio Grande do Sul quer criar pacotes de reestruturação que ameaçam estudantes, professores e servidores

Depois do Paraná, agora é o Rio Grande do Sul que de economia próspera chega à situação crítica em uma crise sem precedentes em toda a sua história. O governo de José Ivo Sartori (PMDB) tem passado maus bocados e afirma que, sem dinheiro no caixa, já não consegue mais pagar os salários do funcionalismo em dia. Sartori chegou a parcelar em mais de 3 vezes o pagamento mensal dos servidores estaduais.

Desde terça-feira (08/9), diversas barracas ocuparam a Praça da Matriz em frente ao Palácio Piratini em Porto Alegre. São servidores públicos, sindicatos, entidades do movimento social e estudantes que estão acampados sem data para sair, com o intuito de pressionar e impedir a aprovação de um pacote de projetos de lei do governo do Estado que começará a ser votado na Assembleia Legislativa nesta semana.

O pacote traz medidas como a criação de previdência complementar para futuros servidores públicos, além da extinção de três fundações estaduais, entre outras medidas. Esta é a terceira parte das ações de “reestruturação do Estado”, e entre eles está o PLC 206, um projeto de lei específico para os professores que permite o congelamento de salários.

A aprovação impossibilita o pagamento de 13% exigidos pelos educadores e impede o pagamento do Piso Nacional, mesmo se o governo estiver com dinheiro em caixa.

A União Estadual dos Estudantes – Dr. Juca, a UBES e a UNE acampam no local junto aos professores e argumentam que a saída para a crise não é atingindo os servidores e muito menos a educação. “As atitudes do atual governo vão na contramão das conquistas e posicionamentos do ultimo período, onde havia diálogo com os setores da sociedade e o Rio Grande obtia crescimento em diversas áreas”, afirma uma das coordenadoras da UEE, Thaís Berg.

Leia a entrevista em que ela explica melhor o que está acontecendo no seu Estado:

Qual é a atual situação financeira do Rio Grande do Sul?

Thaís Berg: O Rio Grande do Sul passa por uma crise decorrente da dívida pública que hoje supera os 50 bilhões de reais, adquirida durante o governo Britto (PMDB – 1995 a 1998). Seus reflexos tornaram-se mais visíveis no ultimo período quando o governador Sartori assumiu o governo, aplicando medidas de austeridade e cortes em áreas fundamentais, como educação e saúde, utilizando a dívida como justificativa para o sucateamento do estado.

Como isso tem refletido na educação gaúcha?

Thaís Berg: Uma das áreas mais afetadas pelo pacote de cortes do governo é a educação. No último mês servidores tiveram salários parcelados e já existe sinalização para a privatização da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e cortes de verba no passe livre estudantil intermunicipal, grandes conquistas obtidas pelo movimento estudantil no ultimo período.

O que o atual governo tem feito para combater a crise? Existe diálogo do governo com a sociedade?

Thaís Berg: As atitudes do atual governo vão na contramão das conquistas e posicionamentos do ultimo período, onde havia diálogo com os setores da sociedade e o Rio Grande obtia crescimento em diversas áreas. Além disso, durante o governo passado a dívida pública foi renegociada, apontando um novo horizonte para a economia do estado. O governo Sartori utiliza medidas de austeridade e estado mínimo, cortando de áreas fundamentais com a justificativa do abatimento da dívida e não estabelecendo diálogo mínimo com a sociedade e movimentos sociais.

Para os estudantes qual a solução para essa crise no Estado?

Thaís Berg: Apesar da situação do estado, existem medidas que poderiam ser adotadas pelo governo em contrapartida as atuais, como a taxação de heranças e o combate á sonegação fiscal, que hoje ultrapassa os 30 bilhões de reais, muito deste já irrecuperável pela inexistência de órgãos fiscalizadores.

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