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Estudantes querem debate intenso sobre segurança nas universidades

30/07/2015 às 18:37, por Sara Puerta .

DCEs se posicionam após anúncio de novo modelo de policiamento nos campi

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo divulgou que será implantado um novo modelo de policiamento no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP). A proposta também deve ser estender a Unesp e Unicamp.

O projeto que estava em discussão entre a secretaria e a comissão de direitos humanos da USP desde o início do ano foi anunciado após mais um caso confirmado de estupro próximo à Praça do Relógio, na USP.

Inicialmente a previsão era que o programa, que terá polícia comunitária especializada e a instalação de mais de 600 novas câmeras pelo campus, fosse iniciado em dezembro, porém após confirmação do crime ocorrido em junho deste ano, o projeto foi antecipado. Segundo informações divulgadas pela secretaria, até setembro, o policiamento vai contar com cerca de 120 agentes. As câmeras estão previstas para janeiro de 2016.

O secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, anunciou que a partir de Agosto fará reuniões com os diretórios de estudantes, sindicatos de funcionários e de docentes, para apresentação do novo modelo, de acordo com ele para que seja implantado com adesão da comunidade. Ele ressaltou que o treinamento dos policiais e sua ação será diferente e específica para as universidades.

O policiamento comunitário proposto para os campi das universidades estaduais é inspirado no modelo japonês chamado Koban, que prioriza mais prevenção, do que abordagens e rondas. Nele, os policiais, que são especializados, atuam fixamente para conhecer as necessidades do local e terem mais proximidade da comunidade.

Mais diálogo

Segundo o presidente do DCE Unicamp, Cris Grazina, a entidade estudantil irá debater o modelo com a Secretaria e lembrou que a reivindicação por uma segurança preventiva e humanizada, não é apenas para os estudantes.

“Qualquer tentativa de melhora é bem vinda, porém o tratamento especial deve ser para todos. Mas precisamos, ainda assim, de medidas mais profundas e estruturais para sanar o problema de segurança do estado de São Paulo”, declarou.

Já Gabriela Ferro, diretora do DCE Livre da USP, disse que a proposta está em debate dentro da entidade. De acordo com texto veiculado pelo Diretório, os estudantes da USP ressaltam a necessidade de ouvir as entidades e os diversos grupos dentro da instituição, para a criação e implantação de um programa realmente eficiente de segurança.

Os estudantes questionam a idealização do projeto de José Gregori, atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP indicado ao cargo após o afastamento da Professora Heloísa Buarque, que fez críticas à maneira como a instituição de ensino tratava o assunto da violência.

Confira um trecho do texto do DCE: “… Pensar um modelo de segurança eficaz não é tarefa fácil e, por isso, a USP vem errando ano após ano. Fato é que a universidade precisa ouvir os estudantes e todo o acúmulo de grupos como a Frente Feminista da USP para se aproximar de um projeto que funcione. Se Zago é incapaz de ouvir o que as mulheres historicamente estudam e propõe, em nome da manutenção de uma tradição conservadora irracional, de que serve a USP ser considerada a maior “produtora de conhecimento” do país?” (DCE Livre da USP)

Histórico

A USP, maior instituição pública do país, tem sido espaço de muitas denúncias de crimes recentemente. Em decorrência destas denúncias principalmente de abusos sexuais, discriminação e racismo, em 2014 o Ministério Público Estadual abriu inquérito para investigar alguns casos na Faculdade de Medicina (FMUSP). Uma CPI dos Trotes também foi instaurada na Assembleia Legislativa (Alesp) e apontou 112 possíveis casos de estupro na Faculdade nos últimos dez anos, bem como alguns casos na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). Algumas jovens que prestaram depoimento afirmaram ainda tentativa da instituição de abafar alguns casos.

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