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Estudantes protestam no 65° CONEG e dizem que não são apenas números

21/03/2017 às 11:00, por Natália Pesciota / Edição: Rafael Minoro / Fotos: Guilherme Silva - CUCA da UNE.

Ganância e irregularidades de parte do ensino superior privado foram alvo de críticas durante o debate “Educação Não é Mercadoria”

 

Aumentos abusivos de mensalidade, excesso de matérias à distância, falta de investimento na estrutura e taxas abusivas abrem uma grande lista de problemas do ensino privado apontados por estudantes que participaram neste sábado (18), do debate “Educação não é mercadoria”, no 65º CONEG da UNE.

“Querem nos tratar como números, mas somos gente”, resumiu Gladson Reis, presidente do DCE da universidade FUMEC, em Belo Horizonte.

Para Mateus Weber, diretor da UNE e prounista do Mackenzie, faculdade particular em São Paulo, os líderes estudantis precisam pressionar nos donos de universidades: “Eles precisam abrir as planilhas! Não há investimento, só lucro. Precisamos combater a mercantilização, seja no ensino público, seja no privado”.

Segundo Victor Grampa, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni (CONAP), a finalidade de escolas de curso superior é pública, ainda que sejam iniciativas particulares. Programas como o ProUni e Fies precisam ter aparatos fortes de fiscalização para que não aconteçam situações como as relatadas por estudantes.

Ensino à distância e filantrópicas

Sala da Zumbi dos Palmares lotada durante o debate “Educação não é mercadoria”

Dalmare Sá trouxe uma experiência positiva do Conselho Nacional da Saúde, do qual ele faz parte e que conseguiu barrar cursos 100% à distância na área.

“Ano passado houve milhares de vagas abertas de enfermagem nesse formato. Como formar profissionais sensíveis? O cuidado não é virtual. Precisamos de profissionais atentos às necessidades da população especialmente nesta, mas também em todas as áreas”.

Ele contou que o conselho também conseguiu evitar que universidades públicas cobrassem por cursos de extensão, o que poderia ser a porta de entrada para cobrança na educação pública. Há um projeto no Senado, ele lembra, que ameaça autorizar mensalidades na universidade federal e precisa ser barrado.

Na sua fala, Liliane Pellegrini, do Fórum Nacional de Instituições Filantrópicas, lembrou do risco que essas universidades correm, sendo ameaçadas com uma medida da reforma da Previdência que pode extinguir a isenção fiscal de empresas que revertem verbas para essas entidades.

Cenário internacional

Victor Grampa, da CONAP, disse que a educação é um direito que não pode ser questionado 

Luis Acosta, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), afirmou que a mercantilização do ensino é universal. “Grupos empresariais de educação são conglomerados mundiais com ações na bolsa de valores, enquanto as universidades federais sofrem contingenciamentos. A Universidade Federal do Rio de Janeiro, por exemplo, ainda não começou o ano letivo por falta de verbas e salário dos professores”, relatou.

Victor Grampa ressaltou a necessidade de lutar pela garantia da educação como direito, previsto na Constituição Federal. Segundo ele, não se pode deixar que a educação seja um direito questionado no Brasil.

“Está em vigor um projeto de Brasil que perde nas urnas desde 2002, mas que foi retomado à força, sem apoio popular. É um projeto de nação subserviente ao capital internacional, com a implosão do modelo social e ameaça de estado de direito”, disse.

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