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Estudantes pedem Fora Temer por um ensino gratuito de qualidade

01/08/2016 às 10:07, por Cristiane Tada.

Manifestação em SP com a presença da UNE reuniu milhares de jovens preocupados com o futuro

Neste domingo (31/7) milhares de pessoas tomaram as ruas de todo o país em atos que pediam o fim do governo ilegítimo de Michel Temer. As manifestações Fora Temer convocadas pela Frente Povo Sem Medo, iniciativa que a UNE integra ocorreram nas principais cidades do Brasil.

Em São Paulo o cortejo se reuniu no Largo da Batata, Zona Oeste da cidade. Em meio a quase 60 mil pessoas milhares de jovens preocupados com os seus direitos e o futuro da nação.

A diretora de Universidades Públicas da UNE, Graziela Monteiro, destacou que a luta histórica do movimento estudantil foi uma educação de qualidade para todos e quando qualquer coisa ameaça esse direito ele está ameaçado diretamente a juventude. “Precisamos ocupar as ruas, as universidades porque essa é nossa luta histórica e depois da democratização queremos ampliar cada vez mais vagas consolidar uma universidade popular pública para todos”, afirmou.

Presente na manifestação o estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alagoas, David Tenório, falou que está ciente que estamos passando por um processo golpista nesse país e que o governo ilegítimo está cortando todos os direitos estudantis que conquistamos ao longo dos últimos anos.

“Perdemos uma série de bolsas de cotas, do Ciências sem Fronteiras, o ProUni, cortes do Fies e em diversos programas que beneficiam nós estudantes universitários. Estamos passando por um sucateamento da educação como um todo, professores mal pagos sem reajuste salarial, programas desfeitos, cortes em bolsas que precisamos para continuar estudando, principalmente os estudantes do interior, que precisam de transporte e por conta dos cortes não estão indo para as aulas. Estamos vivendo uma crise educacional, política , econômica. E para isso melhor precisamos derrubar esse governo golpista e estabelecer de volta a democracia. Fora Temer “, bradou.

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David Tenório, estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alagoas.

Já a estudante de Letras da USP , Lilian Ruth Herrera, afirmou que é preciso juntar forças para mostrar que não estamos calado com o que está aí. “Estamos vivendo o desmonte da universidade pública, muito mais forte na área das humanas, dou aula de idiomas dentro da Faculdade de Economia, então eu vejo bem o que falta na Fefelest ( Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) o que sobre na faculdade de economia”, destacou. E ela afirma: “A cobrança de mensalidade é uma coisa prestes a acontecer na USP”.

Querem impedir a gente de crescer

O estudante de pré-vestibular, Tarike Mazarelo Gonçalves, tem 17 anos e ainda está decidindo sua carreira entre algumas opções da Faculdade Cásper Líbero ou da USP. Junto com os amigos secundaristas no ato ele explicou que  caso a escolha for a faculdade privada vai precisar “trampar, conseguir uma bolsa e me esforçar pra caramba”.

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O estudante de pré-vesttibular Tarike Gonçalves

Ele também se preocupa com a ameça de cobrança de mensalidade nas públicas.

“Tudo isso é para acabar com a educação. Acho que eles não entendem que a educação é que faz o país avançar. Um país com bastante educação é um país bem informado, crítico, tecnológico. Está sendo tirada a oportunidade da classe trabalhadora de estudar. Tirar nossa oportunidade de crescer e evoluir na vida, é isso que eles querem”, afirmou.

A estudante da ETEC de Itaquera, Daniela Azeredo dos Santos, de 17 anos, falou sobre outra ameaça que o governo tem encorajado como o Projeto da Escola Sem Partido, uma iniciativa “totalmente irregular” para a jovem. “A escola serve pra ensinar pra gente os dois lados, ensinar a gente a opinar, com com certeza a Escola Sem Partido não vai ajudar em nada a gente a crescer”, ressaltou. Daniela também quer prestar vestibular para uma universidade pública no curso de cinema.

“Mais uma vez o governo deles querendo privatizar, a cobrança de mensalidade em universidades públicas só vai segregar ainda mais a população, o ensino público já é difícil para a periferia entrar agora privatizada então só vai piorar para a população”, destacou.

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A estudante da ETEC de Itaquera, Daniela Azeredo dos Santos

Do extremo Sul de São Paulo, Luana Santos, 17 anos, do Colégio Davi Zeguer, vai fazer o ENEM no final do ano e quer entrar na USP. Ela faz parte de um coletivo secundarista da sua região. “Acho que a gente tem que se politizar e acabar com essa cultura do jovem ser apolítico. Tem que entender que a política tá em todo lugar e temos que nos unir Fora Temer”, destacou.

Para a jovem o golpe nada mais foi do que uma medida tomada para acabar com uma pequena ascensão que o povo teve. “Este governo é um retrocesso total, um cara totalmente escroto, machista, a gente não pode aceitar isso, principalmente os estudantes secundaristas depois de 2013, não podemos ficar nessa inércia”, destacou.

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Luana Santos do Colégio Davi Zeguer

Não permitiremos retrocessos!

A marcha foi até a Praça Panamericana, na Zona Oeste e terminou pacificamente.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, falou em nome dos estudantes entre as demais entidades que compõe a frente Povo Sem Medo. Ela explicou que o golpe travestido de impeachment “não passa de uma eleição indireta de um presidente sem volto, eleito por um Congresso desmoralizado para aplicar um programa que o povo rejeitou nas urnas, e agora querem nos obrigar a aceitar, para tirar direitos da classe trabalhadora, para tirar direito a moradia, a educação, a aposentadoria”.
E assegurou que os estudantes não vão permitir retrocessos no nosso país. “Estamos há mais de um ano lutando contra esse golpe porque sabemos que o que está em jogo não é só o mandato da presidenta Dilma, mas também os nosso direitos, a nossa democracia”, afirmou.

Reunidos no 64º Coneg da UNE, realizado em Julho, os estudantes brasileiros aprovaram que esgotada todas as possibilidades de luta contra o impeachment a consulta popular é a melhor saída e defendem a realização de um plebiscito sobre novas eleições. Leia aqui o documento de Conjuntura aprovado.

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Presidenta da UNE, Carina Vitral. Foto: Dani Rebello do Cuca da UNE

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