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Estudantes ocupam reitoria da USP por cotas e são violentamente reprimidos

17/06/2016 às 16:57, por Redação .

PM  jogou bombas de gás dentro das moradias estudantis do Crusp

Nesta quinta-feira (16) centenas de estudantes grevistas organizados da USP ocuparam  a reitoria da instituição pela inclusão da política de cotas raciais e sociais na maior universidade do país, que ainda resiste à democratização do ensino.

A ocupação não chegou ao prédio e se limitou ao espaço do fundo da reitoria. Lá os estudantes realizaram uma assembleia para decidir os rumos do movimento e decidiram desocupar o espaço. Uma parte dos manifestantes rumou para os Blocos K e L do CRUSP, o espaço de moradia estudantil. Os blocos em questão estão vazios, e a reivindicação era da devolução dos blocos para a moradia dos estudantes.

Por volta das 22h, a PM atacou os estudantes que tentaram ocupar os blocos. Parte dos alunos correu para o conjunto residencial, e a PM lançou bombas de gás dentro das moradias estudantis e disparou balas de borracha violentamente contra os manifestantes e qualquer um que estivesse no recinto.

A presidenta da UEE-SP, Flávia Oliveira estava lá. “Hoje presenciei uma das maiores demonstrações de autoritarismo do Reitor Zago e do Governador Geraldo Alckmin. Bombas foram distribuídas na Universidade de São Paulo dentro do Crusp sem respeitar nem o bloco das mulheres mães, na festa na prainha da ECA, independentemente de onde esteja ou o que esteja fazendo hoje a PM decidiu que é BOMBA”, contou.

crusp

Luta por cotas

A UNE defende todo e qualquer tipo de cotas nas universidades porque acredita que os jovens historicamente marginalizados e impedidos de entrar nas universidades, tem direito a uma educação pública de qualidade e por isso devem ingressar e permanecer nas universidades públicas brasileiras.

A adoção de cotas sociais e raciais já ocorre nas universidades federais desde 2012 através do Sisu. A USP porém resiste e mantém o processo de ingresso na instituição através do vestibular da Fuvest, porém definiu que cada uma das suas unidades tem liberdade para oferecer até 30% das suas vagas pelo Sisu. Este mês a Escola de Comunicação e Artes (ECA) decidiu adotar o sistema e para o próximo vestibular de 2017 e todos os cursos de comunicação vão separar 81 das 270 vagas, onde 34 destas 81 serão para pretos, pardos e indígenas.

“A ocupação da reitoria da USP por adoção de cotas raciais é pauta legítima do movimento estudantil e imprescindível para que a universidade se torne popular. A UNE se solidariza com os estudantes que resistem aos desmandos de Geraldo Alckmin”, afirmou a presidenta da UNE, Carina Vitral.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) divulgou nota na madrugada de hoje (17) em repúdio à truculência da Polícia Militar contra os universitários. Na nota publicada através do Facebook, o DCE afirma que a ação da PM é injustificável.

“É completamente injustificável a ação bárbara da PM na noite de hoje (ontem). É essa a resposta que Alckmin e (Marco Antonio) Zago (reitor da USP) dão ao movimento social da universidade que reivindica sua democratização, em especial no acesso através das cotas raciais e sociais. Essas ações merecem todo o repúdio”, escreve.

Leia a nota na íntegra:

REPRESSÃO DA PM NO CRUSP – Moradia Estudantil

Para os moradores do CRUSP essa noite não tem fim. Há cerca de duas horas a Polícia Militar segue ininterruptamente reprimindo os moradores de maneira arbitrária. Após manifestação reivindicando a devolução dos blocos K e L do CRUSP – blocos vazios que poderiam servir de dezenas de apartamentos para estudantes sem condições de pagar aluguel nas redondezas da universidade – a PM cercou o CRUSP e implementou um verdadeiro estado de sítio.

Com a truculência da tropa de choque e da Força Tática, invadiu os corredores dos blocos jogando bombas de gás lacrimogêneo e atirando balas de borracha. Cenas lamentáveis estão ocorrendo com os moradores do CRUSP, que já sofrem diariamente com o descaso da reitoria e da SAS – Superintendência de Assistência Social. Além disso, há notícia de que três estudantes que estavam na QiB – uma confraternização semanal – foram presos pela PM também de maneira arbitrária.

É completamente injustificável a ação bárbara da PM na noite de hoje. É essa a resposta que Alckmin e Zago dão ao movimento social da universidade que reivindica sua democratização, em especial no acesso através das cotas raciais e sociais. Essas ações merecem todo o repúdio.

Toda a solidariedade aos moradores do CRUSP e aos estudantes detidos. É importante divulgar essa ação bárbara no máximo de meios possíveis.

O movimento estudantil não tolerará esse tipo de ação. Eles que se preparem, iremos arrancar nossas vitórias.

Assista ao vídeo que a página Por que a USP não tem cotas? explica melhor sobre isso:

 

 

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