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Estudantes ocupam 961 escolas e universidades contra retrocessos na educação

14/10/2016 às 17:05, por Renata Bars.

MP do Ensino Médio, PEC do congelamento e o avanço de propostas alinhadas ao movimento ”Escola Sem Partido” impulsionam nova Primavera Secundarista no país

Com início no mês de setembro, as ocupações de escolas Brasil afora são uma clara resposta dos estudantes contra a proposta do governo golpista de reforma do ensino médio, a PEC 241 e o avanço da proposta ”Escola Sem Partido”. No total, já são 961 escolas e universidades ocupadas. O maior número de protestos está no Paraná, com 210 estabelecimentos estaduais, um colégio da Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), dois campi da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o IFPR da cidade de Cascavel e Coronel Vivida e a Universidade Federal da Fronteira do Sul (UFFS), em Laranjeiras do Sul.

Em Pernambuco, foram ocupadas dependências da Universidade de Pernambuco no campus da cidade de Petrolina e da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf). Em Minas Gerais foi ocupado o campus Januária do Instituto Federal, quanto campi da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e o campus de Diamantina da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). No Rio de Janeiro, o campus Realengo do Instituto Federal do estado também está ocupado. No Rio Grande do Sul, segue ocupada a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

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Thalisson Silva, secretário geral do DCE da UFCSPA, conta que por serem da área da Saúde, os estudantes estão preocupados com os rumos do país diante da PEC 241. ”Estamos fazendo uma reflexão sobre a PEC, programando uma aula pública, pois sabemos muito bem que ela afetará em cheio a saúde e a educação”, falou.

A reitoria da UFCSPA está ocupada desde a tarde da última quinta-feira (13), para exigir também mais assistência estudantil e espaços de convivência que faltam na universidade.

”Querem transformar o único espaço de convivência que temos, a sala do DCE, em estacionamento. Não temos restaurante universitário, nem moradia. Isso precisa mudar”, falou Thalisson.

Em Petrolina, a presidente do DCE da UPE, Ranielle Vital participa da ocupação da universidade.

”Nossa ocupação vem sendo organizada com muita luta e responsabilidade contra os desmanches na educação e contra a PEC 241, estamos ocupados e construindo atividades diárias, atividades que nos trazem debates importantes pra esse momento”, disse.

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A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Camila Lanes, acredita que a energia e luta dos estudantes são fundamentais para derrubar as reformas que o governo Temer insiste em impor.

”Nós estamos ocupando nossos espaços para mostrar que mesmo que essa medida provisória passe, nós iremos continuar fazendo das escolas um espaço de luta, de resistência e de conscientização. Precisamos disso já que o governo quer que os estudantes de escolas públicas virem apenas mão de obra barata ao invés de fazer com que a consciência cidadã desses jovens aumente cada dia mais”, disse.

A UBES tem acompanhado de perto as ocupações, prestados solidariedade a todos os estudantes e divulgado balanços diários sobre o número de escolas ocupadas. O objetivo da entidade é garantir a seguranças dos jovens e também incentivar que pais e comunidade ao redor das instituições doem alimentos, aulas e apoiem a luta dos alunos.

PRIMAVERA SECUNDARISTA – O INÍCIO

Em novembro de 2015 os estudantes secundaristas de São Paulo iniciaram ocupações vitoriosas que culminaram no adiamento da reorganização escolar de Geraldo Alckmin – proposta que fecharia 94 escolas em todo o estado que atingindo 311 mil estudantes e 74 mil professores.

Ao todo, segundo o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) foram 213 escolas ocupadas por quase 30 dias.

Na ocasião, a então presidenta da União Paulista do Estudantes Secundaristas (UPES), Angela Meyer, afirmou se tratar de um momento é histórico.“É muito importante porque é a primeira derrota do Estado de São Paulo em anos e é o momento principal que os estudantes secundaristas vão poder debater de verdade a escola dos nossos sonhos. É pela primeira vez que vamos ter espaço para dialogar e defender as nossas propostas”, disse.

Em março deste ano, estudantes cariocas também ocuparam escolas no estado para reivindicar melhorias na educação. O movimento se estendeu por quatro meses, com cerca de 80 escolas ocupadas.

A diretora de universidades públicas da UNE, Graziele Monteiro, lembra que os movimentos secundaristas simbolizam a resistência estudantil.

”Essa geração que ocupa escolas é uma geração que viveu uma era de mais investimentos no ensino e o sonho de poder alcançar o ensino superior. Por isso as ocupações mostram que essa PEC e essa reformulação no ensino médio não correspondem aos anseios dos estudantes. Resistir, lutar e ocupar universidades é importante para garantir os nossos sonhos que os golpistas querem tirar”, alertou.

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