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Estudantes esquentam ruas paulistanas no dia mais frio do ano

19/07/2017 às 16:18, por Natália Pesciotta da UBES.

Protesto foi do Masp até a Prefeitura de São Paulo
(Cuca da UNE)

Em 4 horas e 2,5 km de marcha, jovens exigiram revogação de cortes no passe livre estudantil

Quanto tempo demora uma ambulância para casos de emergência? No serviço público de São Paulo, maior cidade do país, 40 minutos. Foi o tempo que centenas de estudantes aguardaram para socorrer uma mulher covardemente ferida por um policial durante manifestação estudantil. Fazia 12 graus e os jovens protestavam havia quase quatro horas contra cortes no passe livre dos estudantes pela Prefeitura nesta terça-feira (18/7).

Um grupo se reunia desde às 17h no vão livre do Masp, com palavras de ordem e discursos contra a ação do prefeito João Dória (PSDB). Foi o segundo ato da juventude contra a medida, publicada no Diário Oficial na primeira semana das férias de inverno. Antes, os estudantes podiam fazer 8 viagens diárias nos ônibus durante as 24 horas. Agora, a gratuidade se resumirá a 4 horas: 2 para ir e 2 para voltar da instituição do ensino. Para os jovens, insuficiente para vivenciar a cidade e ter acesso aos espaços de cultura e lazer.

Ainda na avenida Paulista, discursos de estudantes ao microfone intercalavam-se com palavras de ordem. “O passe livre não vai ter corte / Tira a mão do meu transporte” e “O passe livre não é esmola/ O filho do prefeito vai de Uber pra escola” eram alguns dos gritos, além do tradicional “Não tem arrego / Você tira o passe livre e eu tiro seu sossego”.

Nas falas, jovens lembraram que o direito à cidade já foi conquistado com muita luta, naquele mesmo vão do MASP, em 2015. Aproveitaram para criticar a gestão do prefeito, adepto à privatizações, e as prioridades municipais. “Dória usa a desculpa esfarrapada de economia para diminuir nossas viagens, porém gasta mais de R$ 100 milhões com a publicidade do seu governo, para dizer que a cidade é linda. Desse jeito, não é”, disse ao microfone Nayara Souza, presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).

“Essa cidade não é seletiva nem vai ser. São Paulo não vai virar modelo de nenhum engomadinho. Frio nenhum congela nossos sonhos”, afirmou muito aplaudida Juliana Correa, da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES).

 

Marcha

Todos os grupos da Paulista se uniram para marchar até a Prefeitura. Durante o trajeto de 2,5 quilômetros, diversas baterias e gritos empolgavam os moradores e passantes no entorno. Próximo ao destino, no Centro da cidade, a violência policial a uma moradora de rua fez os manifestantes pararem a marcha em uma vigília. Quando enfim a mulher foi atendida pelo Samu, o ato seguiu até o final, completando mais de 4 horas.

Ainda houve violência dos seguranças estaduais na saída pela estação Sé do metrô. Defensores do passe livre irrestrito foram duramente repreendidos pelos seguranças. Houve quem lembrasse que, em manifestações pelo impeachment, as catracas eram liberadas para manifestantes de verde e amarelo. “Boi, boi, boi, boi da cara preta / Se não tem passe livre a gente pula a roleta”, adaptavam.

Terminava a missão do dia. Mas a batalha continua. Na sexta, representantes dos estudantes farão reunião com secretário dos Transportes, Sergio Avelleda. E sábado uma assembleia com todos definirá os próximos passos, na Casa do Povo.

Ainda não entendeu o que está por trás da decisão do Prefeito de São Paulo, João Dória, em reduzir o Passe Livre? Aperte o play:

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