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Especial Eleições 2016: UNE pede cidades mais sustentáveis

28/09/2016 às 16:44, por Natasha Ramos.

Propostas da UNE para o meio ambiente visam à qualidade de vida para a população nas cidades

Uma cidade sustentável, onde haja políticas públicas comprometidas com questões ambientais, é uma cidade que oferece qualidade de vida a seus habitantes. Por isso, a plataforma eleitoral da UNE, aprovada em seu 64º CONEG, realizado em julho, em São Paulo, reúne algumas demandas do movimento estudantil na área de Meio Ambiente para os candidatos e candidatas às eleições municipais 2016.

O documento contém ainda propostas em outras seis áreas fundamentais, que vão desde a defesa da Educação até aspectos ligados ao direito da juventude de viver plenamente nas cidades.

“O cuidado com o Meio Ambiente é uma das preocupações nos governos progressistas. Exemplos de grandes cidades onde acontece o recolhimento adequado dos resíduos sólidos, conscientização e educação ambiental da população à respeito da reutilização são Goiânia (GO), São Paulo (SP), Maricá (RJ), João Pessoa (PB) e Rio Branco (AC)”, diz Samara Santos, diretora de Meio Ambiente da UNE.

A compreensão do meio ambiente como um fator estruturante para as cidades e a discussão sobre os Planos Diretores municipais que pensem na mobilidade e desenvolvimento da cidade em sintonia com a preservação ambiental são propostas apresentadas pela UNE em sua plataforma eleitoral.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 92% da população mundial respira ar inadequado. Ainda segundo a OMS, uma das medidas que poderiam ser adotadas para a redução de poluição nas cidades seria uma maior adoção de “transportes sustentáveis”.

Assim, as ciclofaixas e ciclovias instaladas nos últimos anos em diversas cidades brasileiras são iniciativas que vão ao encontro da proposta de mobilidade urbana em sintonia com a preservação ambiental. “Ambos aumentaram a qualidade da mobilidade das pessoas e trazem o benefício da preservação ambiental por reduzir a emissão de gás carbônico, ruídos e, a longo prazo, promover um menor uso de matéria-prima, com a redução do uso do carro”, diz João Nistch, engenheiro em uma empresa de consultoria ambiental estratégica.

“O uso da bicicleta também contribui para a qualidade de vida nas cidades por ser uma atividade física e por, na medida em que cada vez mais pessoas deixam de usar carro, há menos trânsito, o que contribuiu para menos estresse”, acrescenta Nistch.

Por um melhor ordenamento do ambiente urbano

A implementação de coleta seletiva, criação de planos de resíduos sólidos, saneamento básico eficiente e que alcancem todas as regiões de cada cidade é outro desafio posto pela plataforma eleitoral da UNE.

“A correta destinação dos resíduos sólidos é uma condição primordial para uma cidade sustentável. Buscar um melhor ordenamento do ambiente urbano priorizando a qualidade de vida da população é trabalhar por uma cidade sustentável”, diz Samara.

Já existe uma política em vigor, diz Nitsch, que é a Política Nacional de Resíduos Sólidos que contempla assuntos como a coleta seletiva, e apoia cooperativas que realizam esse trabalho. “Também estimula a logística reversa, que é a preocupação das empresas com os próprios resíduos”, diz o engenheiro ambiental.

A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Dentre os objetivos do plano imposto aos municípios estava o fechamento dos aterros sanitários, popularmente conhecidos como “lixões”, até agosto de 2014. Nem todas as cidades atingiram a meta.

No entanto, a cidade de Maricá é uma das que conseguiram encerrar as operações do único aterro sanitário do qual dispunha no prazo. “Com isso, todos os resíduos, recicláveis ou não, passaram a ser coletados e enviados diretamente ao Centro de Tratamento de Resíduos de Itaboraí, que dispõe de instalação e equipamentos capazes de fazer a separação do material”, informou a prefeitura de Maricá.

O cuidado com o meio ambiente

Na questão do cuidado com a biodiversidade, por meio da ampliação das áreas naturais protegidas e dos espaços verdes urbanos, pauta defendida pela UNE, o engenheiro ambiental explica a importância da preservação de mananciais e corpos d’água. “Nas cidades grandes, como São Paulo, acabamos afunilando os rios, o que traz riscos à população. Isso é visível em rios como o Tietê e o Pinheiros, que inundam quando chove – antes mais do que agora,mas ainda há esse problema. Isso acontece muito por conta do manejo indevido do meio ambiente”, diz Nistch.

Essa questão da preservação do meio ambiente também está ligada ao incentivo à agricultura familiar e sustentável, com uso correto da água e do solo, outra pauta da plataforma eleitoral da UNE.

Em consonância com essas propostas, a secretaria municipal adjunta de Agricultura de Maricá desenvolve um plano de manejo permanente junto aos pequenos produtores para o uso correto da água e do solo. Também atua, através da secretaria municipal adjunta de Meio Ambiente, no sentido de promover o reflorestamento da cidade e das áreas necessárias à proteção de mananciais.

“Recentemente, a Prefeitura apresentou uma área degradada, agora recuperada, onde foram plantadas 800 mudas de Mata Atlântica para a recomposição. O programa também atua nas escolas, promovendo o plantio dentro das unidades e incentivando os alunos a serem os multiplicadores da iniciativa em casa e no bairro. O objetivo é chegar a 300 mil mudas plantadas”, informou a coordenação de comunicação de Maricá.

Segundo Nistch, existem também outras iniciativas que visam um melhor uso da água e do solo no plantio. “A Fazenda da Toca, por exemplo, trabalha com permacultura e agrofloresta, técnicas que tem uma relação mais sustentável com o meio ambiente. Não é uma coisa extensiva, que só planta uma coisa, e acaba com a terra. Em São Paulo, a venda de alimentos orgânicos vem ganhando muita força. Esses produtos são oriundos de agricultura familiar da grande São Paulo”, explica.

Consciência Ambiental

A questão do meio ambiente nas cidades passa também pela conscientização da população sobre seu papel na preservação ambiental. Para isso é importante a implementação de políticas públicas que eduquem as pessoas nesse sentido.

“Se você não tem essa base da educação ambiental, nada vai acontecer. A população não tem o conhecimento da coleta seletiva, como realizá-la de modo eficiente, por exemplo. É preciso educá-los”, diz Pérola Kawakami, analista técnica na empresa de consultoria ambiental sem fins lucrativos, Policonsult.

Essas propostas da plataforma da UNE para o setor do Meio Ambiente vem se intensificando nos últimos debates dentro e fora das universidades. “Para o ano de 2017, estamos construindo o 2º Encontro da Diretoria de Meio Ambiente no Amazonas porque entendemos que estas questões de cuidado, manutenção e conservação estão ligadas ao direito de viver e de lutar por novos espaços plenos nas cidades”, diz a diretora de Meio Ambiente da UNE.

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