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Especial 80 anos: UNE e a reivindicação da democracia

10/08/2017 às 14:29, por Renata Bars.


Congresso realizado em maio de 79, em Salvador, tirou a UNE da ilegalidade imposta pela ditadura militar

Em maio de 1979 acontecia na capital baiana o 31º Congresso da União Nacional dos Estudantes, um evento histórico: o chamado “Congresso da Reconstrução” marcava o fim de 6 anos de sem a eleição de uma diretoria de forma direta, no momento em que a pressão pelo fim da ditatura militar começava a tomar forma no país.

O Congresso foi o resultado final de um custoso processo, sustentado por encontros nacionais clandestinos e inúmeras reuniões. Na ocasião, o escolhido para estar à frente da entidade foi o baiano Ruy Guerra, primeiro a ocupar a presidência após o sumiço de Honestino Guimarães, em 73.

Em entrevista concedida a Javier Alfaya, também ex-presidente da UNE e publicada na Revista Movimento Especial 80 anos, Ruy fala um pouco sobre as articulações que ocorriam em todo país para a reconstrução da UNE.

”Duas tentativas de reconstrução tinham sido frustradas: em 1977 na PUC, em São Paulo. Eu estava lá quando Erasmo Dias jogou a bomba na PUC. Duas estudantes saíram gravemente queimadas, foi um episódio bastante forte. E o outro momento, em 1978, foi em Minas Gerais, quando a maior parte dos estudantes foi presa. Na PUC paulista chegou a acontecer o encontro, eu cheguei a fazer a abertura. Em Minas Gerais nada aconteceu, porque todo mundo foi preso e não se pôde fazer nada direito, poucas coisas, poucas reuniões”, contou.

Apoio da sociedade civil

Menos de um ano depois do ocorrido em Minas Gerais, no Centro de Convenções da Bahia, local cedido pelo governador à época, Antonio Carlos Magalhães, cerca de 10 mil estudantes se encontraram vindo de várias partes do país para construir o 31º Congresso da entidade.

Ruy relembra do apoio recebido por grande parte da socieade na ocasião.

”Nós não tínhamos nenhuma infraestrutura para organizar o congresso e dependíamos muito do apoio da cidade. A nossa única chance era o envolvimento de todas as camadas, formadores de opinião, intelectuais, imprensa, comunidade universitária, partidos políticos, entidades de classe, Instituto dos Arquitetos, Clube de Engenharia da Bahia e de diversas associações de bairros. Esse movimento foi tão interessante que nós abrimos inscrições para hospedar os estudantes nas casas das pessoas, nas casas da família. Precisávamos de quatro mil hospedagens e tivemos o dobro de pessoas oferecendo suas casas para receber, gratuitamente, os estudantes”, disse.

O renascimento da UNE

Com o apoio recebido e a força dos estudantes que ali estavam, o 31º Congresso da União Nacional dos Estudantes e a sua saída da ilegalidade finalmente se concretizaram.

Foram dois dias de debates intensos que não passaram incólumes ao regime militar: há relatos de boicotes com falta de energia que geraram três apagões durante as atividades. Contudo, a reivindicação da democracia havia sido feita. Dali saiu a chamada ”Carta de Princípios” e a proposta aprovada das eleições diretas, responsáveis pela escolha de Ruy Guerra alguns meses depois.

Leia aqui a Revista Movimento Especial 80 anos e saiba ainda mais sobre a história da União Nacional dos Estudantes.

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